Prosperidade dos Estados do Golfo desafia estereótipo de "zona de conflito" do Oriente Médio, afirma pesquisador da Nova Zelândia

ABU DHABI, 17 de janeiro de 2024 (WAM) -- A prosperidade dos Emirados Árabes Unidos e de outros Estados do Golfo desafia o estereótipo do Oriente Médio como uma zona de conflito, de acordo com Geoffrey Miller, pesquisador, analista e escritor neozelandês.

"Quando se visita os Emirados Árabes Unidos, testemunha-se prosperidade, sucesso e estabilidade - um forte contraste com a ideia equivocada de que o Oriente Médio é sinônimo de guerra e conflito. Isso demonstra que a região tem tanto oportunidades quanto desafios, enfatizando sua diversidade", afirmou ele à Agência de Notícias dos Emirados (WAM).

Lugar único na região

O Oriente Médio e o Golfo estão repletos de diferenças, e cada país é diferente na região, disse Miller em uma entrevista durante o Congresso de Mídia Global (GMC, na sigla em inglês), realizado recentemente em Abu Dhabi.

Analista geopolítico, Miller escreve regularmente sobre assuntos internacionais, com foco na política externa da Nova Zelândia e no Oriente Médio, para o Projeto Democracia da Victoria University de Wellington, Nova Zelândia. Atualmente, ele está fazendo um doutorado na Universidade de Otago sobre as relações da Nova Zelândia com os países do Golfo.

Os Emirados Árabes Unidos diferem significativamente de suas contrapartes regionais, enfatiza Miller. Reconhecer essas distinções é fundamental nas relações internacionais, especialmente para os neozelandeses que visitam a região, sugere.

Muitos neozelandeses visitam os Emirados e a região desde que as companhias aéreas da Emirates iniciaram voos diretos para Dubai, há quase duas décadas, e é um desafio para eles entender essa diferença, explica.

Transformação constante

Compartilhando suas próprias experiências de visitas frequentes aos Emirados Árabes Unidos e à região desde 2011, o analista destaca a constante transformação no Golfo com o rápido desenvolvimento. Ele sente que um ano no Golfo é como um século em outro lugar. "A mudança contínua torna essa região incrivelmente fascinante", exclama.

Ao descrever os Emirados Árabes Unidos como um país de contrastes, Miller destaca a coexistência de arranha-céus ultramodernos e tradições centenárias. Embora seja um país jovem, ele enfatiza, os EAU preservam sua herança enquanto se transformam em uma das nações mais modernas do planeta.

O Árabe como uma ponte para a compreensão

O pesquisador, que fala árabe como autodidata, elogia os EAU pelo compromisso com seu idioma nativo.

Os Emirados Árabes Unidos estão preservando a língua e o patrimônio árabe, diz ele, observando o uso do árabe na vida cotidiana, nas escolas e nas universidades. Ele elogia os esforços bem-sucedidos dos Emirados em resistir à pressão para adotar o inglês no atacado. O árabe continua sendo parte integrante da vida cotidiana aqui, o que afirma a importância das raízes culturais, ressalta Miller.

Na Nova Zelândia, onde o árabe não é ensinado atualmente nas universidades, o escritor vê uma oportunidade de preencher a lacuna e melhorar a compreensão do Oriente Médio.

"Aprender árabe é o primeiro passo para entender o idioma e a cultura do Oriente Médio, especialmente dos países do Golfo. Sem a compreensão do idioma, o verdadeiro entendimento da cultura e do povo de uma região é impossível", conclui.

Congresso de Mídia Global

Miller foi um dos palestrantes da segunda edição do Congresso de Mídia Global (GMC), com o tema "Shaping the Future of the Media Industry" (Moldando o Futuro do Setor de Mídia), realizado em novembro.

Sob o patrocínio do xeique Mansour bin Zayed Al Nahyan, vice-presidente, vice-primeiro ministro e presidente da Corte Presidencial, o evento internacional de três dias foi organizado pelo Grupo ADNEC em parceria estratégica com a WAM no Centro Nacional de Exposições de Abu Dhabi.

O último GMC registrou um aumento fenomenal na participação, com 23.924 visitantes, em comparação com 13.556 no ano anterior, mostrando um aumento de 76,48%. O número de países participantes também aumentou para 172, entre eles 31 novos países que participaram pela primeira vez. Com 32 mil metros quadrados, a área do Congresso cresceu 78% em relação ao ano passado, atraindo 160 palestrantes de 18 países diferentes.