DUBAI, 13 de fevereiro de 2024 (WAM) -- Ana Toni, secretária de Mudanças do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil, ressaltou a importância da Troika das Presidências da COP, uma parceria lançada na terça entre os Emirados Árabes Unidos, o Azerbaijão e o Brasil para melhorar a cooperação e a continuidade entre as presidências atuais e futuras da COP.
Falando à Agência de Notícias dos Emirados Árabes Unidos (WAM) no segundo dia da Cúpula Mundial de Governos (WGS, na sigla em inglês) 2024, que acontece em Dubai, a secretária brasileira disse: "O mais importante, do nosso ponto de vista, é o lançamento da Troika, que é a presidência dos Emirados, Azerbaijão e Brasil - COP28, COP29 e COP30 - trabalhando em conjunto para a implementação do Consenso dos Emirados Árabes Unidos, justamente trazendo essa ligação entre os meios de implementação, modelos de desenvolvimento cada vez mais resilientes e de baixo carbono", destacou.
Lançada na terça-feira durante uma reunião dos três presidentes da COP na ExpoCity em Dubai, paralelamente à WGS 2024, a "Troika de Presidências da COP" é uma iniciativa sem precedentes que reúne as presidências da COP28, realizada em Dubai no ano passado, da COP29, a ser realizada no Azerbaijão este ano, e da COP30, a ser sediada pelo Brasil em 2025. A Troika fornecerá uma plataforma para que as três presidências colaborem em várias atividades até a COP30, mantendo as metas do Acordo de Paris e seguindo os resultados da COP28.
Em sua declaração à WAM, Toni também mencionou a parceria com os Emirados Árabes Unidos no combate às mudanças climáticas. "A Troika nos fará trabalhar em estreita colaboração pelo menos nos próximos três anos. Desde o ano passado, acho que já houve muita colaboração entre os dois países. Queremos ainda mais. Há muito o que aprender de ambos os lados, e tenho certeza de que será uma grande experiência de aprendizado mútuo entre os países", disse a autoridade brasileira, que representou a nação sul-americana durante o lançamento da Troika.
A secretária de Mudanças Climáticas do Brasil é economista e tem um PhD em Ciências Políticas. Foi diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS) de 2015 a 2023 e tem uma longa trajetória de trabalho nas áreas de defesa de políticas públicas, meio ambiente e mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e filantropia. A secretária brasileira, que participou ativamente das negociações da COP28 em Dubai no ano passado, também elogiou o trabalho da presidência dos Emirados Árabes Unidos no evento climático.
"A presidência da COP28 merece ser parabenizada. Acho que eles realmente foram bem-sucedidos", disse ela. “Eles deram uma lição a todos sobre a determinação de chegar a um consenso, criar confiança entre as partes e obter resultados concretos.”
E ressaltou que a presidência da COP28 é realmente louvável pelos resultados que trouxe para todos nós no mundo. "E agora nossa responsabilidade é implementar o consenso trazido aqui", concluiu Ana Toni, destacando o trabalho do presidente da COP28, Dr. Sultan bin Ahmed Al Jaber.
Ana Toni trabalha no Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil, chefiado pela ministra Marina Silva. Em uma declaração recente à WAM, Marina Silva também elogiou o trabalho da presidência da COP28, descrevendo-o como "unificador". A ministra enfatizou a colaboração entre os Emirados Árabes Unidos e o Brasil na organização de conferências climáticas, já que a COP30 será realizada em 2025 na cidade brasileira de Belém, na região amazônica.
Sobre esse tema, Toni destacou algumas ações que o governo brasileiro vem realizando na preparação para sediar o evento climático. “Já temos grupos de trabalho e agora vamos criar uma secretaria da COP30 dentro do Governo. Mas a coisa mais importante que o Brasil está fazendo é criar sua própria NDC (Contribuições Nacionalmente Determinadas), seu próprio plano climático, que queremos que sirva de exemplo inspirador para outros. Teremos oito planos de mitigação, quinze planos de adaptação, e cada um desses planos será detalhado como um plano de investimento, como um plano para demonstrar capacidade. Esses planos se tornam quase como planos de investimento público e privado que podem orientar o que estamos chamando de nossa transformação ecológica no Brasil.”
A representante do Brasil também enfatizou a importância da plataforma de discussão oferecida pela Cúpula Mundial de Governos. "Este evento é uma continuação do que aconteceu na COP28; precisamos de governos cada vez mais eficazes logicamente para a implementação do Consenso dos Emirados Árabes Unidos na COP28", concluiu a secretário brasileira de Mudanças Climáticas.