Interesse pelo espaço está crescendo e pode aproximar a humanidade, diz jornal dos Emirados

ABU DHABI, 12 de abril de 2024 (WAM) -- Um jornal local dos Emirados disse que o primeiro eclipse solar total que os humanos já registraram foi visto no céu sobre a atual Latakia, na Síria, há mais de três milênios. "O Sol ficou envergonhado", escreveu um historiador na época, já que a Lua o obscureceu completamente por dois minutos e sete segundos, transformando o dia em noite.

A semana começou com uma enorme expectativa para outra aparição desse evento celestial único. "Dessa vez, ele foi visto em uma grande faixa da América do Norte e registrado por milhões de pessoas, gerando um frenesi incomum de interesse popular nos movimentos lunares. E faz algum sentido, para aqueles que têm uma visão astronômica mais ampla da vida, valorizar os eclipses solares", disse o The National em um editorial na sexta-feira.

O editorial acrescentou que a distância da Lua em relação à Terra – e, por extensão, sua capacidade de bloquear o Sol de nossa visão – recua quase 4 cm por ano. "Consequentemente, observam os astrônomos, em cerca de 600 milhões de anos, não haverá mais eclipses desse tipo. Mesmo para os mais míopes entre nós, no entanto, há muitos motivos aqui e agora para nos empolgarmos com nosso relacionamento com o espaço", observou o texto.

O dia 12 de abril de 1961 foi a data do primeiro voo espacial humano e, 63 anos depois, a atividade extraplanetária da humanidade está crescendo. Apenas dez astronautas estão em órbita no momento, a bordo de duas estações espaciais – a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) e a Estação Espacial Tiangong da China –, mas sua presença mínima esconde um aumento nos investimentos relacionados ao espaço, tanto por parte dos governos quanto do setor privado.

Um relatório divulgado na segunda-feira pelo Fórum Econômico Mundial estima que, daqui a uma década, a economia espacial global valerá cerca de USD 1,8 trilhão, em comparação com os USD 1,1 trilhão atuais.

O boom será atribuído ao crescente investimento em tudo, desde comunicações via satélite até logística, turismo, tecnologia de defesa e programas espaciais civis. O próprio setor espacial em expansão do Golfo, com a ajuda de parcerias internacionais, é um participante ativo.

Na terça-feira, a Agência Espacial do Reino Unido doou 1,4 milhão de libras (USD 1,8 milhão) para um projeto conjunto entre sua contraparte do Bahrein e uma universidade britânica com o objetivo de usar espaçonaves para monitorar as emissões de carbono no Golfo. E na quinta-feira, uma empresa espanhola anunciou que está em negociações com os órgãos reguladores locais para estabelecer uma base de turismo espacial na Arábia Saudita.

Esses desenvolvimentos seguem um importante anúncio feito no início deste ano de que o Centro Espacial Mohammed bin Rashid dos Emirados Árabes Unidos assinou contrato com o programa Artemis, liderado pela Nasa, que deverá ser o primeiro a levar seres humanos à Lua em mais de meio século. Os EAU fornecerão uma eclusa de ar para a estação Lunar Gateway da missão, a primeira estação espacial permanente fora da órbita da Terra.

O diário baseado em Abu Dhabi concluiu dizendo que, em meio a conflitos globais, o relatório do Fórum Econômico Mundial destaca "um mundo cada vez mais conectado" como um fator-chave que impulsiona a indústria espacial, enfatizando a necessidade de cooperação internacional contínua exemplificada pelos marcos espaciais do Oriente Médio para evitar a repetição de erros terrestres, ao mesmo tempo em que são aplicadas lições de sucessos espaciais para enfrentar os desafios terrestres e promover a unidade.