NOVA YORK, 5 de junho de 2024 (WAM) -- O secretário-geral da ONU pediu a proteção dos ecossistemas vitais da Terra contra a poluição desenfreada, a piora dos impactos climáticos e a "dizimação da biodiversidade".
Em uma mensagem que marca o Dia Mundial do Meio Ambiente, nesta quarta-feira, António Guterres enfatizou que os países "devem cumprir" todos os seus compromissos de restaurar ecossistemas e terras degradados, e o Quadro de Biodiversidade de Kunming-Montreal, o acordo global para proteger a biodiversidade.
"Eles devem usar seus novos planos nacionais de ação climática para definir como irão interromper e reverter o desmatamento até 2030. E devemos aumentar drasticamente o financiamento para apoiar os países em desenvolvimento a se adaptarem ao clima violento, proteger a natureza e apoiar o desenvolvimento sustentável", declarou Guterres.
O chefe da ONU destacou ainda que uma ação rápida e eficaz faz sentido do ponto de vista econômico. "Cada dólar investido na restauração de ecossistemas gera até trinta dólares em benefícios econômicos", disse ele. "É hora de nos libertarmos".
O fracasso em conter a poluição desenfreada, o caos climático e a destruição da biodiversidade está claro para todos. Terras saudáveis e férteis estão se transformando em desertos, ecossistemas prósperos em zonas mortas e emissões crescentes de dióxido de carbono.
"Isso significa que as colheitas estão fracassando, as fontes de água desaparecendo, as economias estão debilitadas e as comunidades em perigo, sendo que os mais pobres são os mais atingidos... É hora de nos libertarmos", afirmou.
O secretário-geral da ONU acrescentou que somos a Geração Restauração. "Juntos, vamos construir um futuro sustentável para a terra e para a humanidade".
Comemorado por milhões de pessoas em todo o mundo, o Dia Mundial do Meio Ambiente é realizado anualmente desde 1973 e se tornou a maior plataforma global de alcance ambiental de todos os tempos. Este ano o tema é "restauração de terras, desertificação e resistência à seca".
Abordar a “tripla crise planetária”
Inger Andersen, diretora-executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA, na sigla em inglês), conclamou todos a participarem do movimento para colocar essas palavras em ação.
"Ao restaurar os ecossistemas, podemos desacelerar a tripla crise planetária: a das mudanças climáticas, a crise da perda da natureza e da biodiversidade, incluindo a desertificação, e a da poluição e dos resíduos", advertiu.
Andersen observou ainda que, ao fazer isso, o mundo pode se aproximar da limitação do aumento da temperatura global, firmada no Acordo de Paris de 2015, elevando o armazenamento de carbono e reduzindo a pobreza e a fome, conforme os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
"A restauração de terras pode ser o fio condutor que une tudo isso, une a ação e a ambição em todos esses três importantes encontros", ela ressaltou.
Eventos comemorativos
Dando início às comemorações, na Ásia e no Pacífico, o braço de desenvolvimento regional da ONU (ESCAP), juntamente com o PNUMA, reunirá as principais partes interessadas para identificar ações prioritárias.
As soluções amplas em discussão incluem o uso circular de recursos hídricos, a produção sustentável de alimentos e o desenvolvimento urbano resiliente.
A Arábia Saudita é a anfitriã da comemoração global de 2024. O país também sediará a décima sexta sessão da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD COP16), a estrutura global que aborda a degradação da terra e a desertificação, em dezembro.