Economias emergentes continuarão a impulsionar os mercados agrícolas, diz relatório da OCDE-FAO

PARIS, 3 de julho de 2024 (WAM) -- As economias emergentes têm impulsionado cada vez mais o desenvolvimento do mercado agrícola global nos últimos 20 anos e devem continuar a fazê-lo na próxima década, de acordo com um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês) e pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O OECD-FAO Agricultural Outlook 2024-2033 é a principal referência global para as perspectivas de médio prazo dos mercados de commodities agrícolas. A edição deste ano marca a 20ª edição da publicação conjunta.

Durante duas décadas, o relatório analisou as tendências dos fatores demográficos e econômicos da oferta e da demanda de commodities agrícolas, projetou as mudanças nos locais de produção e consumo e avaliou as mudanças resultantes nos padrões internacionais de comércio agrícola.

Uma mudança notável esperada para a próxima década é o aumento do papel da Índia, do Sudeste Asiático e da África Subsaariana e o declínio do papel desempenhado pela China. Embora a China tenha sido responsável por 28% do crescimento do consumo global de agricultura e pesca na década anterior, sua participação na demanda adicional na próxima década deverá cair para 11%, devido ao declínio da população, ao crescimento mais lento da renda e à estabilização dos padrões de nutrição.

Prevê-se que a Índia e os países do Sudeste Asiático respondam por 31% do crescimento do consumo global até 2033, impulsionados pela crescente população urbana e pelo aumento da afluência. Entre as regiões predominantemente de baixa renda, a África Subsaariana deverá contribuir com uma parcela considerável do consumo global adicional (18%), principalmente devido à demanda por alimentos impulsionada pelo crescimento populacional.

O consumo total de produtos agrícolas e pesqueiros deverá crescer 1,1% ao ano na próxima década, sendo que quase todo o consumo adicional deverá ocorrer em países de baixa e média renda. Espera-se que a ingestão de calorias aumente em 7% nos países de renda média, em grande parte devido ao maior consumo de alimentos básicos, produtos de origem animal e gorduras. Já a ingestão de calorias nos países de baixa renda crescerá 4%, muito lentamente para atingir a meta do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável de erradicar a fome até 2030.

"O relatório confirma a necessidade de implementar estratégias que preencham as lacunas de produtividade em países de baixa e média renda para aumentar a produção doméstica e aumentar a renda dos agricultores", disse o diretor-geral da FAO, QU Dongyu.

O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, declarou: "Na próxima década, espera-se que os volumes de commodities agrícolas comercializados globalmente aumentem entre as regiões exportadoras líquidas e as regiões importadoras líquidas, mas com mudanças regionais que refletem o aumento do consumo global na Índia e nos países do Sudeste Asiático".

Cormann acrescentou que o bom funcionamento dos mercados agrícolas, a redução da perda e do desperdício de alimentos e formas de produção mais produtivas e menos poluentes continuarão sendo extremamente importantes para a segurança alimentar global e para garantir que os meios de subsistência rurais possam se beneficiar das cadeias globais de valor agroalimentar.