Operação liderada pelos Emirados Árabes Unidos revela crime ambiental na Bacia Amazônica com US$ 32 milhões em itens apreendidos e 25 suspeitos presos

ABU DHABI, 6 de julho de 2024 (WAM) -- Uma operação regional denominada "Justiça Verde", coordenada pela Iniciativa Internacional de Aplicação da Lei para o Clima (I2LEC), revelou grandes crimes ambientais na Bacia Amazônica.

A ação contra grupos do crime organizado apreendeu 2,4 toneladas de itens relacionados à vida selvagem ilegal e capturas marinhas, 37 equipamentos de pesca irregular, 229 de mineração e mais de dez mil metros cúbicos de madeira cortada ilegalmente. Foram presos 25 suspeitos, acusados de vários crimes ambientais, e estima-se que os bens apreendidos estejam avaliados em mais de US$ 32 milhões.

A operação contou com o apoio e a participação de agências de fiscalização do Brasil, Peru e Colômbia, juntamente com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês) e o Instituto de Pesquisa de Sistemas Ambientais (ESRI). O objetivo principal era atingir a rede regional de transgressores na Bacia Amazônica.

Realizada entre 24 e 30 de junho, em coordenação com a I2LEC – uma das iniciativas do Ministério do Interior dos Emirados Árabes Unidos – a ação de inteligência permitiu investigações minuciosas sobre redes transnacionais de crimes ambientais. Localizada no coração da floresta amazônica, na interseção entre a Colômbia, o Peru e o Brasil, a passagem da fronteira tríplice tem sido um ponto de acesso para atividades criminosas, incluindo o contrabando de mercadorias ilícitas, a caça ilegal de animais selvagens, o desmatamento e a mineração irregular.

O tenente-coronel Dana Almarzooqi, diretor-geral do Escritório de Assuntos Internacionais do Ministério do Interior dos Emirados e coordenador da I2LEC, comentou: "De acordo com a vontade da liderança de preservar o meio ambiente e a riqueza ambiental, sob a orientação do presidente emirático, xeique Mohamed bin Zayed Al Nahyan, e seu grande apoio à Iniciativa, e o compromisso do tenente-general xeique Saif bin Zayed Al Nahyan, vice-primeiro-ministro e ministro do Interior, o combate aos crimes ambientais é o resultado do treinamento em operações internacionais no campo do meio ambiente sob a égide da I2LEC."

Almarzooqi acrescentou que desde sua fundação, em 2023, a entidade se transformou em uma iniciativa colaborativa internacional, capaz de trazer a mudança real desejada no campo da proteção ambiental no mundo. "Como coordenador, sinto-me orgulhoso de presenciar a concretização de nossa visão no terreno, que se materializou em uma resposta global coordenada aos crimes contra o meio ambiente e na participação em eventos da COP, com dezenas de treinamentos. A I2LEC leva a sério seu trabalho para apoiar futuras operações e capacitar as agências internacionais de aplicação da lei para proteger seus recursos naturais. Além disso, a resposta obtida na operação Justiça Verde foi adicionada a um mapa de calor de violações e os resultados serão analisados por meio de inteligência artificial, que pode conectar essas irregularidades a outros delitos, como a lavagem de dinheiro", ele explicou.

Fabio Mertens, coordenador-geral de Cooperação Internacional da Polícia Federal do Brasil, disse que o impacto positivo da Operação Justiça Verde no combate aos crimes ambientais na Amazônia é inestimável. "Além dos extraordinários resultados repressivos, os esforços coordenados entre Brasil, Peru, Colômbia e Emirados Árabes Unidos, sob a liderança da I2LEC, representam um marco significativo em termos de preservação e dissuasão de atividades ilegais na região. Estamos confiantes de que o sucesso da ação marca o início de um conjunto de atividades operacionais de longo prazo visando crimes ambientais transnacionais na Bacia Amazônica", ressaltou.

O general Gregorio Martin Villalon Trillo, chefe da Diretoria de Meio Ambiente da Polícia Nacional do Peru, observou: "Estendo minha sincera gratidão a todos os dedicados agentes da lei cujos esforços tornaram possível a Operação Justiça Verde. Sob a liderança da I2LEC, seu profissionalismo e eficiência operacional resultaram em um sucesso extraordinário. Essas ações marcam os passos iniciais do nosso compromisso duradouro de proteger a Amazônia. Iniciativas como essa reafirmam nossa dedicação em preservar os tesouros naturais do nosso planeta e em traçar um caminho para um futuro mais sustentável."

O brigadeiro William Castano, da Colômbia, diretor do Departamento de Proteção Ambiental da Polícia da Gendarmerie, afirmou que a operação é uma prova do poder da colaboração internacional para enfrentar desafios ambientais urgentes. "A Colômbia tem orgulho de ter desempenhado um papel importante na interrupção das atividades criminosas em uma das passagens de fronteira mais movimentadas da Bacia Amazônica. Graças à visão e à coordenação da I2LEC, demos um passo significativo para aumentar a proteção ao meio ambiente na região, ameaçada por violações há anos", ele disse.

Espera-se que haja mais apreensões de itens ilícitos e prisões como parte das investigações em andamento e da coordenação entre os vários participantes da operação. Isso marca o início de um esforço global de longo prazo para combater crimes ambientais em algumas das artérias ecológicas mais vitais do mundo.

A Iniciativa Internacional de Aplicação da Lei para o Clima (I2LEC), lançada em 2023 e co-liderada pelo Ministério do Interior dos Emirados Árabes Unidos em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), é uma plataforma global para conscientização, capacitação e pesquisa sobre delitos que afetam o meio ambiente e as mudanças climáticas.

R.