WUHAN, China, 22 de julho de 2024 (WAM) -- Todas as partes interessadas que chegaram ao histórico Consenso dos Emirados Árabes Unidos devem se unir para implementá-lo e avançar o desenvolvimento socioeconômico sustentável, anunciou hoje o Dr. Sultan Al Jaber, Ministro da Indústria e Tecnologia Avançada e Presidente da COP28, na oitava Reunião Ministerial sobre Ação Climática (MoCA, na sigla em inglês).
Desde a COP28, realizada em Dubai em dezembro do ano passado, o histórico Consenso dos Emirados Árabes Unidos emergiu como o ponto de referência definitivo para a ambição climática global e o desenvolvimento sustentável.
A solidariedade foi a chave para alcançar o Consenso dos EAU e o Dr. Al Jaber disse aos ministros presentes no evento em Wuhan, China, para se inspirarem no "espírito de solidariedade" para acelerar a implementação do Consenso dos EAU.
Essa abordagem inclusiva não apenas ajudou a alcançar o Consenso dos EAU, mas também está gerando resultados concretos e "factíveis", acrescentou o Dr. Al Jaber.
A PetroChina, que representa 3,5% da produção mundial de petróleo, juntou-se à Carta de Descarbonização de Petróleo e Gás (OGDC), lançada na COP28 para acelerar a descarbonização no setor.
A companhia chinesa se junta a outras 52 empresas, representando aproximadamente 40% da produção mundial de petróleo, na OGDC - com Empresas Nacionais de Petróleo representando mais de 60% dos signatários, o maior número já comprometido com uma iniciativa de descarbonização.
A OGDC exige que a indústria se alinhe ao “net zero” até 2050, elimine emissões de metano até 2030, acabe com a queima rotineira de gás até 2030, trabalhe em direção às melhores práticas industriais na redução de emissões e invista no sistema energético do futuro.
A adesão da PetroChina à carta marca um "momento significativo para a liderança chinesa" e "envia um poderoso sinal para as empresas globais que ainda não se inscreveram para fazer a coisa certa e escolher o lado certo da história," disse o Dr. Al Jaber.
O presidente da COP28 também pediu aos países que submetam Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) que "abrangem tudo, desde descarbonização até desmatamento."
"Estamos pressionando todos os países para transformar suas NDCs em planos práticos que transformem o Consenso dos EAU em fatos conretos. Esses planos devem ser abrangentes e equilibrados entre mitigação, adaptação e meios de implementação," disse o presidente da COP28.
A Troika de Presidências da COP, unindo a COP28 com as Presidências da COP do Azerbaijão e do Brasil, tem um papel crítico em manter o "momentum político," acrescentou.
Todos os setores devem fazer da resiliência climática "seu princípio orientador," disse o presidente da COP28, instando as indústrias a "adotar estratégias que preparem seus modelos de negócios para o futuro, coloquem as pessoas em primeiro lugar e protejam nosso planeta."
Além de descarbonizar o sistema energético atual, aumentar os investimentos em energias sem carbono é crítico, disse Dr. Al Jaber, destacando o objetivo do Consenso dos EAU de triplicar a capacidade de energia renovável nesta década.
Isso representa "uma ambição ousada que nos desafiará a todos," reconheceu o presidente da COP 28, apontando para o último relatório da IRENA, que constatou que o mundo precisa aumentar a capacidade em 16,4% ao ano até 2030. Apesar disso, "a história nos diz que sempre que duvidamos de nossa capacidade de alcançar grandes coisas, superamos as expectativas," disse o Dr. Al Jaber. Embora apenas 1 gigawatt de capacidade de energia solar tenha sido adicionado globalmente em 2004, o mundo agora adiciona o dobro disso à rede "todos os dias," declarou.
Como lar de mais da metade da capacidade combinada de energia solar do mundo e produtor de mais de 80% de todos os painéis solares, a China tem feito uma contribuição crítica para essa "taxa extraordinária de progresso," disse o Dr. Al Jaber. "Em suma, a China é a potência mundial de energia renovável, e todos nós deveríamos nos inspirar no seu exemplo."
A Inteligência Artificial (IA) tem um potencial tremendo para impactar energia e transporte e minimizar emissões, mas seu desenvolvimento também "desencadeará um aumento" na demanda por energia, alertou o Dr. Al Jaber aos ministros. "Devemos ser inteligentes sobre como atender a essa demanda, enquanto aproveitamos os benefícios da IA."
O mundo deve buscar aumentar a escala da energia nuclear, acelerar as permissões para projetos de energia renovável e modernizar a infraestrutura da rede, ao mesmo tempo reconhecendo o "papel de transição" que o gás natural desempenhará no fornecimento de acesso à energia, disse ele.
O presidente da COP28 reiterou os pedidos de reforma do quadro financeiro internacional para tornar o financiamento climático mais disponível, acessível e incentivar o investimento do setor privado.
"Em um momento em que muitos países estão enfrentando opções limitadas de política fiscal e crescentes encargos de dívida, essa não será uma tarefa fácil," disse ele. "Os trilhões de que precisamos não podem vir apenas dos governos. No entanto, o setor privado não intervirá se os riscos forem muito altos."
O Dr. Al Jaber disse que novos participantes como a ALTÉRRA, o maior veículo de investimento privado do mundo para ação contra as mudanças climáticas, lançado na COP28 com um compromisso de US$ 30 bilhões dos EAU, podem ajudar a "mudar a dinâmica."
Embora o Consenso dos EAU tenha estabelecido um padrão elevado para a ação climática, as Partes devem "se inspirar" e estabelecer o padrão "ainda mais alto" por meio de NDCs que "levem a ações concretas," concluiu o presidente.
Esta semana, na MoCA, as Presidências da COP estão organizando um Majlis - uma forma de reunião enraizada na longa tradição emiradense - focada na conservação, proteção e restauração de florestas, sumidouros e reservatórios, incluindo por meio de sinergias entre biodiversidade e clima. A sessão faz parte da Série de Majlis de Ação e Ambição, lançada este ano no Diálogo Climático de Petersberg como parte da missão da Troika de aumentar a ambição para a próxima rodada de NDCs.