Fórum Futuro do Trabalho prevê mudanças econômicas, destaca oportunidades da IA e impacto no mercado de trabalho

DUBAI, 11 de fevereiro de 2025 (WAM) – O Ministério de Recursos Humanos e Emiratização (MoHRE) e o Ministério do Ensino Superior e Pesquisa Científica, em colaboração com a Organização da Cúpula Mundial de Governos, organizaram a segunda edição do Fórum Futuro do Trabalho, como parte da Cúpula Mundial de Governos 2025. O evento contou com a participação de ministros do Trabalho e Recursos Humanos, formuladores de políticas públicas, especialistas econômicos e líderes empresariais de diversos países.

A programação incluiu seis painéis nos quais os participantes trocaram ideias e visões sobre a construção de um ambiente de trabalho futuro baseado na inovação e sustentabilidade. Os debates abordaram diferentes abordagens para formulação de políticas salariais e seus impactos no crescimento e na produtividade, além dos efeitos da inteligência artificial (IA) na produtividade, nos modelos de trabalho e nas tendências econômicas. Também foi discutido o papel das instituições acadêmicas na formação de profissionais qualificados para o mercado de trabalho, entre outros temas.

Em seu discurso de abertura, o ministro de Recursos Humanos e Emiratização e ministro interino do Ensino Superior e Pesquisa Científica, Abdulrahman Al Awar, afirmou que o Fórum Futuro do Trabalho é uma plataforma essencial dentro da estrutura da Cúpula Mundial de Governos para analisar e antecipar grandes mudanças nos mercados de trabalho globais diante da rápida transformação econômica e dos avanços tecnológicos. “O fórum permite que os participantes compartilhem experiências, enfrentem desafios e explorem oportunidades promissoras para atender às futuras necessidades do mercado de trabalho”, declarou.

Al Awar apresentou um panorama das políticas do mercado de trabalho dos Emirados Árabes Unidos (EAU) e das preparações em andamento para o futuro, destacando que o país adota uma visão ousada baseada na incorporação de inovações digitais, na aceleração do ritmo de trabalho e no desenvolvimento de uma economia diversificada, baseada no conhecimento e na tecnologia, seguindo as diretrizes estratégicas da liderança dos Emirados.

O ministro enfatizou que o ambiente de negócios dos Emirados está em crescimento acelerado, revelando que, até o final de 2024, os estabelecimentos do setor privado registraram um aumento de 17%, enquanto a força de trabalho cresceu 12% e a mão de obra qualificada, 13%. Ele atribuiu esses avanços às iniciativas do país para modernizar as regulamentações trabalhistas e criar um ambiente de trabalho seguro e favorável, citando programas-chave como os novos vistos voltados à atração de talentos globais e as melhorias nos programas de proteção social, como o Seguro-Desemprego, o Programa de Poupança, a ampliação da cobertura do seguro-saúde para todas as categorias de trabalhadores e a expansão do Sistema de Proteção Salarial (WPS) para incluir trabalhadores domésticos.

“Essas iniciativas reforçam o compromisso dos Emirados Árabes Unidos em melhorar o bem-estar e a qualidade de vida da força de trabalho diversificada que vive e trabalha no país, composta por profissionais de diversas nacionalidades”, destacou Al Awar. Ele acrescentou que, graças às políticas progressistas de trabalho e à colaboração multissetorial, o mercado de trabalho dos Emirados lidera nove indicadores globais de competitividade, incluindo participação da força de trabalho, taxa de emprego, atração de talentos e flexibilidade no trabalho.

“As pessoas estão no centro da estratégia de desenvolvimento e crescimento dos Emirados Árabes Unidos”, afirmou. “O país está empenhado em utilizar todos os recursos disponíveis para promover a educação sustentável, impulsionar a inovação e atrair os melhores talentos. Para alcançar esses objetivos, lançamos iniciativas abrangentes em parceria com os setores público e privado, incluindo programas de treinamento especializados, plataformas de aprendizado digital voltadas para as habilidades do futuro e um ecossistema que apoia a inovação e o empreendedorismo nesse setor essencial.”

Al Awar também destacou os esforços das instituições de ensino superior para reduzir a lacuna de habilidades e alinhar a formação acadêmica às necessidades do mercado de trabalho. Ele ressaltou que, nos últimos cinco anos, o número de instituições de ensino técnico e profissional credenciadas cresceu 280%, passando de 16 em 2019 para 61 em 2024, refletindo os esforços contínuos para aprimorar os programas acadêmicos de acordo com as demandas do mercado.

O ministro reiterou o compromisso do Ministério do Ensino Superior e Pesquisa Científica em fortalecer parcerias estratégicas com os setores público e privado, prevendo que essas colaborações envolverão mais de 50 entidades até 2025, ampliando significativamente as oportunidades de emprego para recém-formados. Ele também apontou que os Emirados melhoraram sua posição no ranking global do índice de Competitividade de Talentos do INSEAD, subindo da 12ª colocação em 2019 para a 7ª em 2023, no quesito "Vínculo entre o Sistema Educacional e a Economia", um indicador-chave da adequação da formação acadêmica às necessidades do mercado de trabalho.

Painéis do Fórum Futuro do Trabalho

O evento contou com seis painéis que buscaram antecipar as tendências do mercado de trabalho, conduzidos por tomadores de decisão, pesquisadores e especialistas acadêmicos em dinâmicas laborais.

O primeiro painel, "Legislação sobre Salário Mínimo e seu Impacto Econômico", foi organizado em parceria com o Escritório Executivo do Conselho de Ministros do Trabalho do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC). Nele, foram apresentadas experiências pioneiras dos Emirados Árabes Unidos, Qatar, Singapura e Alemanha sobre políticas salariais.

O segundo painel, "Impactos Econômicos e o Futuro dos Salários: Uma Visão do Mercado de Trabalho", analisou o impacto das políticas salariais na competitividade do ambiente de negócios e incluiu uma análise dinâmica sobre a interação entre inflação e salários.

O terceiro painel, "Inteligência Artificial e seu Impacto nos Setores de Trabalho Intensivo", explorou o papel da IA e das tecnologias avançadas na criação de um modelo de governança mais inovador e ágil, centrado nas necessidades dos cidadãos. Também examinou o futuro de diversos setores econômicos diante da rápida expansão tecnológica e da necessidade crescente de adaptação por parte das empresas.

O quarto painel, "Os Modelos de Trabalho do Futuro e as Estruturas do Amanhã", debateu como a IA está transformando o mercado de trabalho, o avanço do modelo de trabalho freelancer e parcial sobre o emprego tradicional e o papel dos governos na regulamentação desses setores emergentes, destacando a importância do equilíbrio entre flexibilidade econômica e proteção social.

Na quinta sessão, "Parcerias Universitárias e seu Papel na Construção de uma Economia do Conhecimento e no Impulsionamento do Desenvolvimento Sustentável", os participantes discutiram formas de aprimorar os resultados educacionais e de emprego, além de fortalecer a colaboração entre instituições de ensino superior e o setor privado para criar programas acadêmicos alinhados às necessidades do mercado. Também foi debatida a importância da rápida resposta das instituições educacionais a setores emergentes.

Por fim, a sexta sessão do Fórum Futuro do Trabalho promoveu um debate sobre flexibilidade no mercado de trabalho, analisando tendências globais e estratégias para adaptação às mudanças econômicas e tecnológicas.