NAIRÓBI, 17 de março de 2025 (WAM) – Um número crescente de países está trabalhando para descarbonizar edifícios, mas o progresso lento e a falta de financiamento colocam em risco as metas climáticas globais. Essas são as principais conclusões de uma revisão anual do setor de construção civil, publicada nesta segunda-feira (17/03) pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Aliança Global para Edifícios e Construção (GlobalABC).
O Relatório Global sobre a Situação de Edifícios e Construção 2024-2025 – Não apenas mais um tijolo na parede destaca os avanços feitos em relação às metas climáticas globais e pede maior ambição em seis desafios principais, incluindo códigos de eficiência energética para edifícios, uso de energia renovável e financiamento. Marcos globais e iniciativas como o Conselho Intergovernamental para Edifícios e Clima, o Buildings Breakthrough e a Declaração de Chaillot estão impulsionando ações para a adoção de planos climáticos ambiciosos e Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) para edifícios neutros em emissões antes da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, no Brasil.
“As construções onde trabalhamos, fazemos compras e moramos representam um terço das emissões globais e um terço dos resíduos mundiais”, afirmou Inger Andersen, diretora-executiva do PNUMA. “A boa notícia é que as ações governamentais estão funcionando. Mas precisamos fazer mais e com mais rapidez. Incentivo todos os países a incluírem planos para reduzir rapidamente as emissões do setor de construção civil em suas novas NDCs.”
Ao revisar a década desde o Acordo de Paris, em 2015, o relatório aponta que 2023 foi o primeiro ano em que o crescimento contínuo da construção civil foi desacoplado do aumento das emissões do setor, que antes estavam estagnadas.
Com a adoção de códigos obrigatórios de eficiência energética alinhados com emissões líquidas zero, padrões de desempenho e investimentos em eficiência energética, a intensidade energética do setor foi reduzida em quase 10%, enquanto a participação das energias renováveis na demanda final de energia aumentou cerca de 5%. Medidas adicionais, como práticas de construção circular, contratos verdes, reformas energéticas em edifícios existentes e o uso prioritário de materiais de baixo carbono podem reduzir ainda mais o consumo de energia, melhorar a gestão de resíduos e diminuir as emissões gerais.
Apesar desse progresso, o setor continua sendo um dos principais impulsionadores da crise climática, consumindo 32% da energia global e respondendo por 34% das emissões globais de CO₂. A indústria depende de materiais como cimento e aço, que são responsáveis por 18% das emissões mundiais e geram grande volume de resíduos na construção civil.
Como quase metade dos edifícios que existirão até 2050 ainda não foram construídos, a adoção de códigos de eficiência energética ambiciosos é essencial. No entanto, dados indicam uma recente desaceleração na instalação de bombas de calor, e mais de 50% das novas construções em economias emergentes e em desenvolvimento ainda não são cobertas por regulamentações de eficiência energética.
O relatório desafia os principais países emissores de carbono a adotarem códigos de energia para edifícios com emissão zero até 2028, com todos os demais países seguindo até 2035. Reformas regulatórias e a integração de códigos de construção nas novas NDCs são fundamentais para cumprir o Pacto Global de Renováveis e Eficiência Energética da COP28.
Por fim, governos, instituições financeiras e empresas precisam dobrar os investimentos globais em eficiência energética nos edifícios, passando de US$ 270 bilhões para US$ 522 bilhões até 2030. Medidas como responsabilidade estendida do produtor e práticas de economia circular – incluindo maior durabilidade dos edifícios, eficiência no uso de materiais, reciclagem, design passivo e gestão de resíduos – são essenciais para reduzir lacunas de financiamento. Programas de capacitação profissional também são necessários para suprir a falta de mão de obra qualificada no setor.
O PNUMA, os membros da GlobalABC e outros parceiros continuarão apoiando países e empresas na descarbonização de edifícios novos e existentes, assim como de toda a cadeia de valor da construção civil, utilizando esses dados para embasar NDCs mais ambiciosas antes da COP30.