ABU DHABI, 11 de abril de 2025 (WAM) — A Cúpula Mundial de Gestão de Crises e Emergências (WCEMS) 2025, encerrada recentemente no Centro de Exposições Nacional de Abu Dhabi (ADNEC), marcou um avanço importante no consenso global sobre a necessidade de acelerar a transição para sistemas de resposta a emergências mais integrados e inovadores.
Organizado pela Autoridade Nacional de Gestão de Emergências, Crises e Desastres (NCEMA), com o patrocínio de xeique Tahnoon bin Zayed Al Nahyan, vice-governante de Abu Dhabi e conselheiro de Segurança Nacional, o encontro de dois dias teve como tema “Juntos rumo à construção de uma resiliência global”, com ampla participação internacional.
Ali Saeed Al Neyadi, presidente da NCEMA, afirmou que a cúpula representou um marco estratégico que consolidou ainda mais os Emirados como modelo global na antecipação de cenários futuros e no desenvolvimento de sistemas integrados de gestão de crises, tanto nacionais quanto internacionais.
“O encontro, por sua participação global de alto nível e pelas recomendações práticas, reafirmou que a resposta a riscos complexos globais não é responsabilidade de um único país, mas sim um dever coletivo. É preciso construir pontes de cooperação, fortalecer as capacidades institucionais e investir em ferramentas com foco no futuro. A resiliência não está limitada à segurança ou tecnologia; inclui investir em pessoas, adotar políticas flexíveis e cultivar uma cultura de engajamento proativo e profissional em crises”, declarou Al Neyadi.
“Preparação não se constrói durante a crise, mas sim em tempos de estabilidade. Na NCEMA, continuamos comprometidos com nossos parceiros para desenvolver um sistema de prontidão integrada que promova a segurança da comunidade e o desenvolvimento sustentável”, completou.
O segundo dia da cúpula contou com palestras como a do ministro de Situações de Emergência de Belarus, Vadim Sinyavsky, com o tema “Antecipando o Inesperado: Navegando em Ambiguidades Estratégicas”, e de Li De Wu, vice-diretor do Centro de Comando do Ministério de Gestão de Emergências da China, que falou sobre “Liderança Estratégica: Reforçando a Resiliência Nacional”.
Entre os temas discutidos estavam “Gerenciando a Incerteza: Construindo Resiliência em um Mundo em Transformação”, com abertura de Hamad Saif Al Kaabi, diretor do Departamento de Incidentes com Materiais Perigosos da NCEMA, que destacou a importância do pensamento estratégico e da prontidão proativa diante da instabilidade global.
O vice-ministro da Federação Russa para Defesa Civil e Situações de Emergência, Anton Gerasimov, defendeu a cooperação internacional como mecanismo essencial para uma resposta coordenada a crises.
Outros painéis trataram do uso da inteligência artificial em comunicações de crise, com o especialista Filip Bormans, e de soluções de dados avançadas para a tomada de decisão em emergências, com Martin Yates, conselheiro de tecnologia governamental da Presight.
Sob o tema “Economia Adaptativa: Novos Modelos para Resiliência Financeira”, foram abordadas estratégias para que economias possam se recuperar e prosperar em meio a crises. A especialista da ONU Loretta Hieber Girardet abriu os debates com uma apresentação sobre investimentos conscientes de risco.
O painel abordou ainda planejamento econômico ajustado ao risco, estratégias inclusivas de desenvolvimento, com Dag Dieter, e diversificação econômica, com Rashed Al Blooshi, subsecretário do Departamento de Desenvolvimento Econômico de Abu Dhabi. Um painel conjunto encerrou os trabalhos, ressaltando a importância da cooperação internacional para fortalecer a resiliência econômica.
Em seu discurso de encerramento, Mariam Yaed Al Qubaisi, porta-voz oficial da WCEMS 2025, destacou que a cúpula reafirma o compromisso dos Emirados com a ação global colaborativa. “Quando há visão e compromisso, os desafios se transformam em oportunidades. O país continuará investindo em infraestrutura inteligente e comunidades capacitadas para apoiar um sistema globalmente integrado de resposta a emergências.”
Al Qubaisi anunciou o lançamento do Relatório Final da WCEMS 2025, uma espécie de roteiro que compila os principais resultados da cúpula e servirá como referência para estratégias futuras. “Este relatório é um poderoso lembrete de nossa responsabilidade coletiva em moldar um mundo mais seguro”, afirmou.
O encontro resultou em cinco recomendações principais:
Reforçar a Cooperação Internacional: desenvolver protocolos de emergência unificados, ampliar treinamentos conjuntos e incentivar parcerias público-privadas para compartilhamento de recursos.
Empoderar as Comunidades: integrar programas de preparação comunitária às políticas nacionais, fortalecer redes locais de resposta e garantir estratégias de comunicação inclusiva.
Aproveitar a IA e Tecnologia: ampliar sistemas de alerta precoce com base em IA, combater desinformação durante crises e desenvolver plataformas integradas de gestão de crise com apoio da inteligência artificial.
Liderança e Tomada de Decisão em Crises: incorporar treinamentos de liderança nas instituições de emergência, promover modelos de liderança adaptativa e orientada por dados, e aplicar ferramentas de autoavaliação para líderes em contextos de crise.
Construção de Resiliência Econômica: incorporar políticas conscientes de risco ao planejamento nacional, estabelecer estruturas orçamentárias para emergências e ampliar mecanismos inovadores de financiamento humanitário.
Como parte das atividades da cúpula, vários Memorandos de Entendimento (MoUs) foram assinados para promover a cooperação e intensificar esforços conjuntos na gestão de crises e emergências.
A NCEMA firmou um acordo de cooperação com o grupo PureHealth, com o objetivo de reforçar a parceria estratégica na resposta médica a emergências e na preparação para crises e desastres.
O acordo prevê o avanço do sistema de saúde nacional por meio de soluções digitais e tecnologias de ponta, desenvolvimento de programas de capacitação, intercâmbio de pesquisas e planos de continuidade de negócios, fortalecendo o sistema nacional de resposta a emergências médicas, em linha com as melhores práticas globais.
Outro MoU foi firmado com a Escola de Administração de Abu Dhabi (ADSM) para fortalecer a colaboração em emergências, crises e desastres.
O documento estabelece esforços conjuntos para desenhar programas acadêmicos e de capacitação, fomentar pesquisas científicas colaborativas e explorar aplicações inovadoras em transformação digital e IA. A parceria também inclui a realização de conferências e fóruns voltados à troca de conhecimento.
A NCEMA também assinou um MoU com o Ministério de Situações de Emergência da República do Quirguistão, com o objetivo de ampliar o intercâmbio de experiências e informações na redução de riscos de desastres.
O acordo prevê cooperação em pesquisa científica, apoio técnico, comunicação e prevenção, fortalecimento do voluntariado e assistência mútua na mitigação de desastres naturais e causados pelo homem.