Egito e Kuwait defendem a manutenção de uma cultura de paz para resolver conflitos no Oriente Médio

KUWAIT, 15 de abril de 2025 (WAM) – O Egito e o Kuwait enfatizaram a necessidade de manter uma cultura de paz, diálogo e resolução diplomática de conflitos e disputas no Oriente Médio, a fim de alcançar o desenvolvimento sustentável e a convivência pacífica entre as nações da região, em consonância com os valores de tolerância, respeito à soberania dos Estados e não interferência nos assuntos internos.

A declaração foi emitida em um comunicado conjunto divulgado pela Kuwait News Agency (KUNA), marcando o fim da visita oficial do presidente Abdel Fattah El-Sisi, do Egito, ao Estado do Kuwait, durante a qual ele manteve conversações com o xeique Meshal Al-Ahmad Al-Jaber Al-Sabah, emir do Kuwait.

As duas partes acordaram em fortalecer as relações econômicas, de investimento e comerciais entre os países. O lado kuwaitiano expressou sua intenção de implementar investimentos na economia egípcia e de aproveitar as diversas oportunidades de investimento disponíveis em setores como energia, agricultura, indústria, tecnologia da informação, desenvolvimento imobiliário, bancário e farmacêutico.

Os dois líderes sublinharam a importância do Fórum de Investimentos do Golfo-Egito, que será realizado no Cairo no segundo semestre deste ano, e da Visão Egito 2030, convidando o setor privado de ambos os países a maximizar as oportunidades em áreas promissoras de cooperação. Expressaram também satisfação com o nível de coordenação bilateral em fóruns multilaterais e organizações internacionais, além do apoio mútuo às candidaturas a cargos internacionais.

O emir do Kuwait e o presidente do Egito reafirmaram a necessidade de plena conformidade com o acordo de cessar-fogo em Gaza, em suas três fases, mediado conjuntamente pelo Egito, Qatar e Estados Unidos, e anunciado em Doha em 19 de janeiro de 2025. Eles condenaram nos termos mais fortes as violações israelenses do cessar-fogo e a retomada das hostilidades na Faixa de Gaza.

Ambos os líderes destacaram a necessidade de a comunidade internacional assumir suas responsabilidades na resolução da questão palestina por meio da implementação da solução de dois Estados e da realização de um Estado palestino independente com base nas fronteiras de 4 de junho de 1967, tendo Jerusalém Oriental como sua capital.

Os líderes rejeitaram e condenaram todas as tentativas de liquidar a causa palestina ou deslocar forçadamente o povo palestino de Gaza, da Cisjordânia ou de Jerusalém Oriental. Também destacaram o papel essencial da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), rejeitaram ataques contra ela e enfatizaram a importância de apoiar seu orçamento.

A declaração ainda destacou a importância da segurança e estabilidade no Mar Vermelho e em outras vias navegáveis regionais, em conformidade com o direito internacional, incluindo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, para garantir a liberdade de navegação e a segurança regional.

Sobre o Líbano, as duas partes expressaram a esperança de que o país supere sua crise atual e elege um presidente o mais rápido possível para alcançar a estabilidade política e implementar as reformas necessárias.

As lideranças ressaltaram ainda a importância de respeitar a soberania do Líbano e a unidade de seu povo, e condenaram as contínuas violações israelenses da soberania libanesa. Os dois países reiteraram a necessidade de plena implementação da Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU e afirmaram seu apoio às Forças Armadas Libanesas na preservação da segurança e estabilidade do Líbano.

Sobre a Síria, os líderes reafirmaram seu apoio a uma solução política, conforme a Resolução 2254 do Conselho de Segurança da ONU e o consenso árabe refletido nas Declarações de Amã e Jeddah, destacando a necessidade de preservar a soberania e a integridade territorial da Síria, e de pôr fim à interferência externa em seus assuntos internos. Fizeram ainda um apelo para aumentar a assistência humanitária ao povo sírio e apoiar os esforços para restaurar a segurança e estabilidade em todo o país.

Os dois líderes também expressaram o desejo de continuar trabalhando juntos para enfrentar questões regionais e internacionais de interesse comum e para fortalecer a solidariedade árabe e a ação conjunta árabe.