Especialistas discutem impacto da inteligência artificial na arte e na cultura durante a Cúpula da Cultura de Abu Dhabi

ABU DHABI, 29 de abril de 2025 (WAM) — A Cúpula da Cultura de Abu Dhabi promoveu discussões sobre o impacto da inteligência artificial (IA) na arte e na cultura, com especialistas destacando o papel crescente da tecnologia tanto na produção quanto no consumo cultural.

Em declarações à Agência de Notícias dos Emirados (WAM), o professor Iyad Rahwan, diretor do Instituto Max Planck para o Desenvolvimento Humano, afirmou que a IA influencia a cultura de duas maneiras principais: “por meio da curadoria de conteúdo que consumimos, com filtros algorítmicos de notícias e mídias, e por meio da criação ativa de cultura, com obras de arte, música e produções visuais geradas por IA”.

Rahwan disse estar interessado em entender como esse fenômeno emergente está transformando a arte, a ciência e a produção cultural, ao mesmo tempo em que destacou a importância de gerenciar os riscos e maximizar os benefícios associados à tecnologia. Ele também expressou interesse em colaborar em projetos interdisciplinares que reúnam ciência e arte em exposições conjuntas com objetivos criativos e científicos.

Glenn Lowry, diretor do Museu de Arte Moderna (MoMA) e titular da cadeira David Rockefeller, afirmou que a Cúpula da Cultura serve como uma plataforma global para pensadores e criadores debaterem questões culturais contemporâneas, incluindo o impacto da IA nos museus.

Em entrevista à WAM, Lowry explicou que os museus funcionam como laboratórios culturais dinâmicos, onde novas ideias e tecnologias podem ser exploradas. Segundo ele, isso estimula a troca cultural global e a inovação. Ele citou o conceito de “museu imaginário”, introduzido por André Malraux no fim dos anos 1940, como uma visão precoce do panorama cultural digital e orientado por inteligência artificial dos dias atuais.

Lowry também comentou sobre o trabalho do artista Refik Anadol, conhecido por suas obras geradas por IA. Uma das mais proeminentes, Unsupervised — Machine Hallucinations, apresentada no MoMA, utilizou algoritmos para analisar 138 mil peças do acervo do museu e gerar novas obras que fundem herança cultural com tecnologias avançadas.

O diretor elogiou Abu Dhabi como um dos destinos culturais mais impressionantes do mundo, destacando a Ilha Saadiyat como um polo regional de desenvolvimento artístico e cultural, e como reflexo do compromisso da cidade com o diálogo cultural em escala global.