Delegação dos Emirados participa de diálogo internacional sobre transição energética em Bruxelas

Delegação dos Emirados participa de diálogo internacional sobre transição energética em Bruxelas

BRUXELAS, 12 de junho de 2025 (WAM) – Uma delegação dos Emirados Árabes Unidos, chefiada por Sharif Al Olama, subsecretário para Assuntos de Energia e Petróleo no Ministério da Energia e Infraestrutura, participou do Diálogo de Alto Nível sobre Transição Energética, promovido pela presidência da 30ª Conferência da ONU sobre Mudança Climática (COP30), em parceria com a Agência Internacional de Energia (IEA), na sede da Comissão Europeia, em Bruxelas.

A reunião de alto nível integrou os preparativos globais para a COP30, que será realizada em Belém, no Brasil. O evento serviu como plataforma para troca de perspectivas sobre como acelerar a implementação dos resultados da COP28 e COP29, e alcançar as metas globais de transição energética — entre elas, dobrar a eficiência energética e triplicar a capacidade de geração de energia renovável até 2030.

Ao discursar para ministros de energia e autoridades de alto escalão, Al Olama afirmou: “Na COP28, em Dubai, a comunidade internacional alcançou um marco importante: o Consenso dos Emirados. Esse resultado representou uma mudança na forma como o mundo encara a transição energética — não apenas como uma necessidade ambiental, mas como uma prioridade econômica, social e de desenvolvimento.”

Ele acrescentou que a COP29, no Azerbaijão, reafirmou o compromisso global com o aumento dos investimentos em energia limpa e a construção de trajetórias de transição viáveis. "A conferência destacou o papel vital do financiamento, da transferência de tecnologia e da cooperação regional como elementos fundamentais. O Balanço Global (Global Stocktake), lançado na COP28, segue como referência crítica para monitoramento das ações, e o próximo passo é transformar esse diagnóstico em medidas concretas.”

Al Olama destacou que, para os Emirados Árabes Unidos, a transição energética não é uma meta distante, mas uma prioridade nacional já em curso, com impactos reais. “Nossa Estratégia Energética 2050 atualizada equilibra segurança energética, acessibilidade e sustentabilidade. Ela estabelece metas claras para expansão da energia limpa, descarbonização profunda de diversos setores e — de forma crucial — melhorias ousadas e viáveis em eficiência energética.”

Segundo ele, atingir emissões líquidas zero até 2050, conforme estabelecido na estratégia nacional, não será possível apenas com fontes renováveis. “A eficiência energética não é acessório: é o pilar central da transição. Trata-se da alavanca de menor custo e maior impacto — e um fator-chave para viabilizar outras tecnologias e soluções.”

A delegação dos Emirados também participou da 10ª Conferência Global sobre Eficiência Energética, organizada pela IEA em parceria com a Comissão Europeia.

Durante a conferência, Al Olama afirmou: “Nos Emirados, vemos a eficiência energética não apenas como ferramenta de descarbonização, mas também como força impulsionadora da economia. Estamos apoiando indústrias e empresas na redução de custos, no fortalecimento da segurança energética e na melhoria do desempenho operacional. Esses esforços atraem investimentos, geram empregos qualificados e fomentam a inovação e a competitividade.”

Ele alertou, no entanto, que persistem desafios. “Apesar dos claros benefícios econômicos, o progresso ainda é limitado por obstáculos como acesso restrito a financiamento, falta de conscientização, incentivos desalinhados e altos custos iniciais — especialmente em mercados emergentes.”

Por isso, explicou Al Olama, os Emirados anunciaram, durante a COP29, a intenção de criar a Aliança Global pela Eficiência Energética (GEEA, na sigla em inglês), em apoio ao Consenso dos Emirados e à meta global de dobrar a taxa de melhoria da eficiência energética — dos 2% históricos para mais de 4% ao ano até 2030.

“Hoje temos orgulho de lançar oficialmente a GEEA aqui em Bruxelas, reafirmando nosso compromisso de colocar a eficiência energética no centro das agendas internacional de energia e clima”, disse. “Estamos fora da trajetória atual: a taxa global está abaixo de 1,5% ao ano. Nesse ritmo, não atingiremos nossas metas de descarbonização e neutralidade de emissões.”

Como presidente fundador e secretaria da GEEA, os Emirados estão trabalhando com parceiros para sair do campo do discurso e partir para a implementação — promovendo cooperação técnica, mobilizando financiamento e desenvolvendo estratégias de eficiência energética em nível nacional e setorial.

Al Olama convidou governos, empresas, instituições financeiras e organizações da sociedade civil a aderirem à aliança, oferecendo conhecimento, alinhando esforços e acelerando o progresso global rumo à eficiência energética.

À margem dos eventos em Bruxelas, Al Olama realizou encontros bilaterais para promover a GEEA e avançar a agenda global de transição energética. Ele se reuniu com Stefani Sannino, diretor-geral para o Oriente Médio, Norte da África e Golfo no Serviço Europeu de Ação Externa; Ditte Juul Jørgensen, diretora-geral de Energia da Comissão Europeia; Ben Copp, diretor-geral do Escritório de Eficiência Energética do Canadá; Jan Dusík, vice-diretor-geral de Ação Climática da Comissão Europeia; Masanori Tsuruda, vice-comissário de Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão; e Anders Hoffmann, vice-secretário permanente do Ministério do Clima, Energia e Utilidades da Dinamarca.