ABU DHABI, 9 de agosto de 2025 (WAM) – O Comitê Ministerial mandatado pela Cúpula Extraordinária Conjunta Árabe-Islâmica sobre a situação na Faixa de Gaza, que reúne representantes de países árabes e islâmicos, entre eles os Emirados Árabes Unidos, expressou forte condenação e rejeição categórica ao anúncio de Israel de que pretende impor controle militar total sobre o território palestino.
Os países signatários consideram este anúncio uma escalada perigosa e inaceitável, uma violação flagrante do direito internacional e uma tentativa de consolidar a ocupação ilegal e impor um fato consumado pela força, em desacordo com a legitimidade internacional.
O comunicado afirma que essa medida declarada por Israel representa a continuidade de graves violações, incluindo assassinatos e fome, tentativas de deslocamento forçado e anexação de terras palestinas, terrorismo de colonos — ações que podem configurar crimes contra a humanidade. Segundo os signatários, tais práticas eliminam qualquer oportunidade de paz, minam os esforços regionais e internacionais para reduzir tensões e encontrar uma solução pacífica para o conflito, e agravam as severas violações contra o povo palestino, que enfrenta há quase dois anos uma agressão e bloqueio abrangentes que afetam todos os aspectos da vida em Gaza, além de sérias violações na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.
Diante desse desenvolvimento considerado perigoso, o grupo defendeu a cessação imediata e total da agressão israelense contra a Faixa de Gaza, bem como o fim das violações em curso cometidas pelas forças de ocupação contra civis e infraestrutura civil em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.
O texto exige que Israel, na condição de potência ocupante, permita de forma imediata e incondicional a entrada de ajuda humanitária em grande escala no território palestino, incluindo alimentos, medicamentos e combustível, garantindo a liberdade de atuação de agências de socorro e organizações internacionais, conforme o direito humanitário internacional e seus princípios.
Os signatários manifestaram apoio aos esforços do Egito, do Qatar e dos Estados Unidos para alcançar um cessar-fogo e chegar a um acordo de troca de prisioneiros e reféns, considerado passo humanitário fundamental para reduzir a tensão, aliviar o sofrimento e encerrar a ofensiva.
Também defenderam o início imediato da implementação do plano árabe-islâmico de reconstrução de Gaza e convocaram participação ativa na conferência de reconstrução prevista para acontecer no Cairo.
A declaração rejeita e condena tentativas de deslocar a população palestina de Gaza e da Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, e reafirma a necessidade de preservar o status legal e histórico dos locais sagrados islâmicos e cristãos em Jerusalém, reconhecendo o papel da Custódia Hachemita nesse sentido.
O documento afirma ainda que uma paz justa e duradoura só pode ser alcançada com a implementação da solução de dois Estados, garantindo a criação de um Estado palestino independente nas fronteiras de 4 de junho de 1967, com Jerusalém Oriental como capital, em conformidade com o direito internacional e as resoluções da ONU.
O comitê afirmou que responsabiliza totalmente a ocupação israelense pelo genocídio em curso e pela catástrofe humanitária sem precedentes na Faixa de Gaza. Pediu à comunidade internacional — em especial aos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — que assuma suas responsabilidades legais e humanitárias e adote ações urgentes para interromper políticas ilegais e agressivas de Israel, que minam as perspectivas de uma paz justa e duradoura, inviabilizam a solução de dois Estados e requerem responsabilização imediata por todas as violações do direito internacional e humanitário, incluindo as que configuram genocídio.
O comitê também destacou a necessidade de implementar as resoluções da Conferência Internacional de Alto Nível sobre a Solução Pacífica da Questão Palestina e a Implementação da Solução de Dois Estados, realizada em Nova York e copresidida pela Arábia Saudita e pela França, incluindo as medidas operacionais urgentes previstas em seu documento final para encerrar a guerra em Gaza e abrir um caminho político que leve a um acordo de paz abrangente.