Faixa de Gaza: ONU pede a líderes mundiais que defendam o direito internacional, protejam civis e pressionem por acesso humanitário

NOVA YORK, 22 de agosto de 2025 (WAM) – A Organização das Nações Unidas e seus parceiros humanitários apelaram aos líderes mundiais que defendam o direito internacional, protejam os civis e utilizem sua influência para garantir o fim das restrições israelenses ao acesso humanitário. Com vidas em risco, equipes humanitárias continuam atuando na Faixa de Gaza, prestando assistência vital sempre que possível.

Ao mesmo tempo, parceiros da ONU relatam que o sofrimento psicológico é generalizado entre crianças que foram deslocadas repetidamente. Segundo essas organizações, os suprimentos voltados à proteção infantil e ao apoio psicossocial são escassos, sem nenhuma entrada registrada desde o início de março.

Daniela Gross, porta-voz associada do secretário-geral da ONU, informou que um ataque aéreo israelense atingiu um abrigo improvisado para deslocados internos nas proximidades de uma instalação da organização em Deir al Balah, que serve como escritório e casa de hóspedes. O local abrigava cerca de 200 famílias e, segundo relatos, recebeu um aviso de evacuação com pouca antecedência por parte das Forças de Defesa de Israel. Apesar de não haver registro de vítimas, os abrigos e pertences das famílias foram danificados ou destruídos.

O Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) reiterou que as coordenadas das instalações da ONU em Gaza foram compartilhadas com as partes envolvidas. Esses locais — assim como todos os espaços civis — devem ser protegidos.

Mais uma vez, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês) destacou que civis — inclusive os que não podem ou optam por não se deslocar — e trabalhadores humanitários precisam ser protegidos. Instalações humanitárias e demais infraestruturas civis não devem ser alvo de ataques nem utilizadas para encobrir alvos militares.

Enquanto isso, a fome e a desnutrição entre crianças se agravam. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), julho foi o mês mais letal do ano em termos de mortes por desnutrição infantil em Gaza, com 24 óbitos registrados entre crianças menores de cinco anos — número que representa 85% do total registrado em todo o ano até agora.

A agência alertou que todas as 320 mil crianças com menos de cinco anos na Faixa de Gaza correm risco de desnutrição aguda, o que aumenta a vulnerabilidade a doenças e os riscos para a saúde a longo prazo.