ABU DHABI, 14 de outubro de 2025 (WAM) – Pesquisadores da New York University Abu Dhabi (NYUAD, na sigla em inglês) desenvolveram um novo tipo de implante cerebral capaz de administrar medicamentos em várias regiões do cérebro com alta precisão, oferecendo novas possibilidades para o tratamento de distúrbios neurológicos.
O dispositivo, denominado SPIRAL (Strategic Precision Infusion for Regional Administration of Liquid), é um tubo fino e flexível projetado para liberar medicamentos em diversos pontos dentro do cérebro. Essa abordagem permite que médicos e cientistas alcancem áreas maiores e mais complexas do tecido cerebral do que os instrumentos atuais, mantendo o implante pequeno e minimamente invasivo.
A pesquisa foi conduzida por Khalil Ramadi, professor assistente de Bioengenharia na NYU Abu Dhabi e na NYU Tandon, e sua equipe.
“Os distúrbios neurológicos muitas vezes se originam em regiões muito específicas do cérebro, mas as ferramentas que temos hoje para atingir essas áreas são limitadas”, afirmou Ramadi. “O SPIRAL nos permite alcançar várias regiões ao mesmo tempo, sem aumentar o risco, o que pode transformar a forma como administramos terapias para essas condições.”
“A nossa proposta resolve um grande problema dos implantes cerebrais existentes, que normalmente liberam medicamentos a partir de apenas um ou dois pontos”, explicou Batoul Khlaifat, assistente de pesquisa da NYUAD e coautora do estudo. “O SPIRAL possibilita uma distribuição mais uniforme dos medicamentos por regiões maiores, mantendo a segurança e a natureza minimamente invasiva do procedimento.”
“Em doenças como o glioblastoma, o tratamento muitas vezes exige a entrega direta de medicamentos em grandes volumes do cérebro, para contornar a barreira hematoencefálica”, destacou Mahmoud Elbeh, ex-aluno da NYUAD e atualmente doutorando no laboratório de Ramadi. “Nosso formato helicoidal, com saídas ajustadas e espaçadas uniformemente, permite cobrir mais tecido com uma única inserção. Usando dinâmica dos fluidos computacional (CFD) para calibrar o diâmetro das saídas e garantir fluxo uniforme, criamos uma plataforma que também pode ser aplicada à administração de medicamentos em outros órgãos sólidos.”
Segundo os pesquisadores, o SPIRAL também poderá ser adaptado futuramente para oferecer estimulação elétrica ou outras terapias avançadas, beneficiando pacientes com epilepsia, doença de Parkinson e outros distúrbios neurológicos.