Pavilhão dos Emirados em Davos discute papel da inteligência artificial para acelerar sustentabilidade

DAVOS, 19 de janeiro de 2026 (WAM) — O Pavilhão dos Emirados Árabes Unidos na 56ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial de 2026, realizada em Davos, na Suíça, de segunda-feira (19/01) a sexta-feira (23/01), promoveu um diálogo de alto nível intitulado “Inteligência artificial, sustentabilidade e a questão do que devemos otimizar”.

A sessão analisou a relação em evolução entre inteligência artificial e sustentabilidade e discutiu se modelos econômicos e tecnológicos priorizam o que é mais fácil de medir — como eficiência de curto prazo e retorno imediato — ou se incorporam de forma adequada a criação de valor de longo prazo para a economia, a sociedade e o meio ambiente, dentro de estruturas estratégicas e objetivos definidos.

Conduzida pela professora Julia Binder, professora de Transformação Empresarial da IMD Business School, a atividade reuniu jovens lideranças globais participantes do fórum. O debate abordou a mudança estrutural que a inteligência artificial vem impulsionando na forma como instituições pensam crescimento, criação de valor e competitividade.

A discussão destacou a necessidade de redefinir o conceito de valor na era da inteligência artificial. Julia Binder afirmou que as economias mais preparadas para liderar a próxima etapa serão aquelas capazes de alinhar algoritmos a prioridades sociais e ambientais, em vez de depender apenas de indicadores de eficiência e rentabilidade de curto prazo.

A professora disse que a inteligência artificial pode funcionar como aceleradora da sustentabilidade quando seus modelos são desenvolvidos para otimizar o uso de recursos, reduzir desperdícios e viabilizar inovação responsável ao longo das cadeias de valor.

Com base em sua experiência acadêmica e prática em transformação organizacional, Binder afirmou que o desafio central deixou de ser o que pode ser otimizado tecnicamente e passou a ser o que deve ser otimizado de forma estratégica para sustentar a sustentabilidade econômica de longo prazo e preparar organizações para o futuro.

A sessão também ressaltou o papel da liderança na condução desse processo e apontou que decisões sobre a adoção de inteligência artificial são, antes de tudo, escolhas de liderança e de caráter ético, e só depois decisões técnicas. Os participantes defenderam que líderes precisam interpretar sinais globais de mudança e transformá-los em estratégias claras, modelos de negócios adaptáveis e culturas organizacionais capazes de reagir a transformações rápidas e complexas.

O diálogo também abordou a economia circular como um fator de competitividade para a próxima década e destacou como a inteligência artificial pode apoiar a transição para modelos de produção e consumo mais eficientes e sustentáveis, ao otimizar cadeias de valor, fortalecer inovação orientada por design e conectar diretamente sustentabilidade e crescimento econômico. Segundo os participantes, essa transição deixou de ser opcional e se tornou essencial para construir economias resilientes em um ambiente global de rápida mudança.

Os participantes também discutiram a importância de encarar desafios globais, como mudança climática, pressões ambientais e restrições de recursos, como catalisadores para repensar modelos de negócios, e não como barreiras ao crescimento. A sessão apontou que organizações que colocam a sustentabilidade no centro de suas estratégias tendem a alcançar vantagem competitiva de longo prazo, apoiada pela confiança de mercados, investidores e sociedades.

O debate também destacou a educação e a formação de capacidades como elementos fundamentais desse processo e afirmou que o investimento em habilidades de liderança, pensamento estratégico e colaboração entre disciplinas é decisivo para aproveitar todo o potencial da inteligência artificial. A sessão ressaltou ainda a necessidade de fortalecer a conexão entre pesquisa e aplicação prática, para garantir que o conhecimento se traduza em impacto mensurável e duradouro.

Ao final, os participantes reiteraram que inteligência artificial e sustentabilidade não são caminhos separados, mas uma rota integrada que está redesenhando o futuro da economia global. A sessão concluiu que a pergunta central para líderes e tomadores de decisão não é o que pode ser otimizado agora, mas o que precisa ser otimizado para assegurar prosperidade sustentável às próximas gerações, unindo inovação, responsabilidade e a dimensão humana do desenvolvimento.