LISBOA, 29 de janeiro de 2026 (WAM) — O governante de Sharjah, xeique Sultan bin Mohammed Al Qasimi, membro do Conselho Supremo, visitou o Arquivo Nacional de Portugal, em Lisboa, acompanhado de Bodour bint Sultan Al Qasimi, presidente da Autoridade do Livro de Sharjah.
Na chegada, Sultan bin Mohammed foi recebido pelo embaixador dos Emirados Árabes Unidos em Portugal, Ahmed Abdulrahman Al Mahmoud; pelo CEO da Autoridade do Livro de Sharjah, Ahmed bin Rakkad Al Ameri; pelo diretor-geral da Autoridade de Radiodifusão de Sharjah, Mohamed Hassan Khalaf; pelo diretor-geral do Arquivo Nacional de Portugal, Luís Filipe; além de autoridades emiradenses e portuguesas e representantes da imprensa.
Durante a visita, o governante de Sharjah fez um pronunciamento no qual afirmou satisfação em retornar ao Arquivo Nacional de Portugal e recordou sua visita anterior, em 1982, além de seus esforços contínuos na coleta de documentos portugueses relevantes para a história da região. Sultan bin Mohammed possui milhares desses documentos, que embasaram a publicação da obra “Os portugueses no mar de Omã – Anais da História (1497–1757)”, composta por 21 volumes. Em seguida, publicou “Compêndio das histórias da Península Arábica e da Pérsia (1622–1810)”, com 33 volumes. O governante informou ainda que trabalha atualmente na edição de “Os portugueses no Oceano Índico”, prevista para 25 volumes, dedicada à história portuguesa na Índia, na África Oriental e em diversos países asiáticos.
O xeique Sultan bin Mohammed destacou a relevância dos documentos portugueses para a compreensão de um capítulo decisivo da história regional, ao detalhar a retirada de Portugal da região e a cooperação entre os britânicos e o rei da Pérsia nesse processo. Segundo ele, documentos e manuscritos registram os acontecimentos tal como ocorreram, razão pela qual são incorporados às suas publicações com o objetivo de documentar a história de forma precisa e imparcial, permitindo o acesso de pesquisadores e o desenvolvimento de estudos acadêmicos.
O diretor-geral do Arquivo Nacional de Portugal, Luís Filipe, deu as boas-vindas ao governante de Sharjah, elogiou sua atuação cultural e histórica e afirmou satisfação com a visita. Segundo ele, o acervo do arquivo reúne documentos do Estado português e, ao mesmo tempo, dialoga com outras nações e culturas, por meio do conteúdo e dos eventos registrados em manuscritos e documentos de diferentes períodos históricos.
O governante de Sharjah, Sultan bin Mohammed Al Qasimi, entregou ao Arquivo Nacional de Portugal um exemplar de sua obra “Os portugueses no mar de Omã – Anais da História (1497–1757)”, composta por 21 volumes. Em contrapartida, recebeu do diretor-geral do Arquivo Nacional português uma série de presentes, entre eles cópias originais de manuscritos selecionados e um atlas com um conjunto de mapas e suas interpretações.
Sultan bin Mohammed Al Qasimi percorreu as instalações do Arquivo Nacional de Portugal, considerado uma das mais antigas instituições arquivísticas do mundo, oficialmente criado no século XIV, em 1378, e transferido para sua atual sede, no campus da Universidade de Lisboa, em 1990. Durante a visita, conheceu os diferentes departamentos do arquivo, que incluem documentos da realeza, registros do período colonial português, arquivos da Inquisição, acervos administrativos e ministeriais, coleções especiais, manuscritos, mapas, desenhos e um arquivo digital.
O governante de Sharjah acompanhou explicações sobre as estruturas e salas do arquivo, entre elas a sala de pesquisa, equipada com sistemas automatizados de acesso a bases de dados; a sala de manuscritos e livros raros, que reúne coleções de alto valor histórico; a sala do arquivo eletrônico, voltada ao acesso a documentos digitalizados; os laboratórios de restauração e preservação, dedicados à conservação do acervo; as salas de exposições, que apresentam periodicamente documentos selecionados; e o centro de formação e educação, responsável por oficinas especializadas e conferências.
O governante de Sharjah examinou uma coleção de manuscritos e documentos raros, como cartas papais e tratados datados entre os séculos XII e XVI. O acervo inclui ainda manuscritos relacionados à presença portuguesa na região, entre eles correspondências entre reis de Portugal, líderes militares e governantes de Ormuz e de outras áreas.
O xeique também analisou manuscritos raros do intelectual e poeta português Luís de Camões, considerado um dos pilares da identidade cultural de Portugal e que dá nome à mais alta ordem cultural do país. Conheceu ainda o conteúdo da obra poética de Camões, elogiou sua relevância e manifestou interesse em cooperar com Portugal para a tradução dos textos do autor.