LISBOA, 30 de janeiro de 2026 (WAM) – O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, concedeu ao xeque Sultan bin Mohammed Al Qasimi, membro do Conselho Supremo e governante de Sharjah, o Grande Colar da Ordem de Camões, a mais alta honraria cultural soberana portuguesa. O governante emiradense é a primeira personalidade árabe a receber a condecoração e o sexto agraciado em todo o mundo.
A honraria foi concedida durante cerimônia realizada na última quinta-feira no Palácio Presidencial, em Lisboa, presidida pelo chefe de Estado português. O evento contou com a presença da xeica Bodour bint Sultan Al Qasimi, presidente da Autoridade do Livro de Sharjah, além de dignatários, representantes do setor cultural e profissionais da imprensa.
A cerimônia reconheceu a projeção internacional do xeque Sultan bin Mohammed como uma das figuras mais proeminentes nas áreas da cultura, do pensamento e do diálogo intercultural.
Em seu discurso principal, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que a visita do governante de Sharjah reflete os profundos laços históricos de amizade entre os dois países e seus povos. Destacou também o compromisso pessoal compartilhado por ele e pelo xeque Sultan bin Mohammed com a promoção do diálogo cultural e o fortalecimento da confiança e do entendimento entre culturas, expressando a convicção de que as futuras gerações continuarão a se beneficiar desse intercâmbio intelectual e cultural duradouro.
Dirigindo-se ao governante de Sharjah, o presidente Rebelo de Sousa declarou: “Ao celebrarmos neste ano o 50º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre os Emirados Árabes Unidos e Portugal, não consigo imaginar forma melhor de marcar essa ocasião do que homenagear sua personalidade esclarecida, distinta e aberta, e reconhecer sua valiosa contribuição para o diálogo entre culturas, fundamentada em profunda dedicação intelectual, respeito mútuo e empatia compartilhada”.
O presidente também mencionou a relação longa e destacada entre Al Qasimi e Portugal, incluindo suas instituições culturais e círculos intelectuais, observando que essa relação é alvo de profundo apreço e admiração.
Rebelo destacou, em particular, os vínculos estreitos e duradouros com a Universidade de Coimbra, onde o xeque Sultan bin Mohammed recebeu o título de doutor honoris causa em 2018, em reconhecimento às suas contribuições acadêmicas, literárias, culturais e humanitárias, bem como às suas pesquisas sobre a presença portuguesa na Ásia e no Oriente Médio.
O presidente português acrescentou que essa relação foi ainda fortalecida durante a visita mais recente do governante de Sharjah, que incluiu a inauguração do Centro de Estudos Árabes e da Biblioteca Digital Joanina, iniciativas que refletem o compromisso compartilhado com o conhecimento, o intercâmbio cultural e a cooperação acadêmica. Ele também observou que, em fevereiro, Portugal será o país convidado de honra das Jornadas do Patrimônio de Sharjah, representado por uma delegação liderada pelo ministro da Cultura de Portugal.
Em seu discurso, o governante de Sharjah expressou satisfação com a honraria, destacando seu significado e o papel da cultura na construção de pontes entre os povos. Sultan bin Mohammed afirmou: “Sinto-me honrado em receber esta distinção de Vossa Excelência e a valorizo profundamente, pois ela carrega um significado sincero proveniente de uma nação distinguida por sua rica história científica e cultural, e de um povo conhecido por sua abertura e respeito pelo conhecimento”.
Ele acrescentou: “Cada vez que visito Portugal, sinto como se estivesse diante de uma história viva, a história das relações entre este país e as nações do golfo Árabe em particular. Por meio de Vossa Excelência e desta recepção calorosa e generosa, vejo como a história pode ser orientada para um novo caminho de cooperação e parceria construtiva. Ao refletir hoje sobre essa história, vejo um passado honrado pela cultura, um presente de cooperação construído pela cultura e um futuro ao qual a cultura oferece esperança, um futuro digno de nossos filhos. Por essa razão, tenho orgulho de que esta honraria esteja associada à cultura árabe, à visão cultural dos Emirados Árabes Unidos e ao caminho cultural adotado por Sharjah, um caminho baseado na firme convicção de que a cultura é uma necessidade e de que sua ausência tem um custo elevado”, prosseguiu o governante do emirado.
Sultan bin Mohammed ainda agradeceu à Portugal por seu engajamento com as culturas do mundo e por sua crença no diálogo entre civilizações: “Obrigado por abrir sua nação às culturas e ao conhecimento do mundo e por afirmar que o diálogo entre civilizações não é um luxo, mas uma necessidade humana. A cultura não é apenas um legado que preservamos, mas uma ponte que construímos com os outros. Nossa jornada cultural e intelectual compartilhada continuará, se Deus quiser, e estamos comprometidos em fortalecê-la de maneiras que beneficiem ambos os lados e ampliem os horizontes do aprendizado e da parceria para as futuras gerações”.
O xeque Sultan bin Mohammed concluiu seu discurso expressando condolências e profunda solidariedade aos portugueses após a recente tempestade que resultou na morte de vários cidadãos portugueses.
O governante de Sharjah é a primeira personalidade árabe a receber essa prestigiosa ordem desde sua criação, marcando um raro reconhecimento internacional de uma contribuição árabe autêntica a um projeto cultural de caráter humanista. Por meio desse esforço de longa duração, o conhecimento, a língua e a história foram posicionados como pontes duradouras para o entendimento entre civilizações.
Ao longo desse projeto, o xeque Sultan bin Mohammed enriqueceu o patrimônio intelectual global por meio de obras históricas raras e publicações criativas de grande relevância. Ao mesmo tempo, ampliou a visão cultural de Sharjah para o mundo por meio de iniciativas de tradução, restauração e documentação, bem como por esforços contínuos para reconhecer intelectuais e criadores e para estabelecer e apoiar instituições culturais e de conhecimento em níveis regional e internacional.
O Grande Colar da Ordem de Camões é concedido pelo presidente de Portugal por decreto soberano e leva o nome do poeta português Luís de Camões, figura central da identidade cultural de Portugal. A honraria distingue indivíduos excepcionais que deixaram uma marca duradoura na cultura e promoveram o diálogo entre os povos por meio da língua, da literatura e do pensamento.
Em seu grau mais elevado, a ordem é conferida na forma de um colar usado ao redor do pescoço, ressaltando a raridade da distinção e a relevância de seu status. Ela é reservada a um número limitado de líderes e pensadores cuja influência transcendeu fronteiras nacionais e alcançou a comunidade internacional mais ampla.
A ordem representa um reconhecimento internacional das realizações culturais alcançadas pelo xeque Sultan bin Mohammed por meio de um projeto desenvolvido ao longo de mais de cinco décadas, fundamentado na crença profunda no papel da cultura no fortalecimento da comunicação entre os povos e na contribuição do conhecimento para o desenvolvimento, o progresso e a documentação das civilizações e de suas histórias.
Sultan bin Mohammed é pensador, escritor, historiador e figura literária, tendo publicado cerca de 200 obras, muitas das quais foram traduzidas para mais de 20 idiomas. Suas publicações abrangem os campos histórico, literário, cultural e teatral e incluem pesquisas acadêmicas significativas e correções de imprecisões históricas, realizadas por meio de investigação rigorosa e acesso a manuscritos e outros documentos de alto valor, o que lhe permitiu refutar equívocos e situar a verdade histórica em seu contexto correto, baseado em evidências.
A prestigiosa honraria reflete a projeção global alcançada pelo projeto cultural liderado por Sultan bin Mohammed ao longo de décadas, fundamentado em uma visão que coloca as pessoas no centro da cultura, a língua como meio de comunicação profunda e a história como um campo de compreensão.
Por meio desse projeto, o governante de Sharjah promoveu um modelo cultural contemporâneo que posiciona o conhecimento como uma ponte duradoura para o diálogo intercultural, a abertura consciente ao mundo como uma responsabilidade ética e cultural e a cultura como uma linguagem compartilhada além da lógica do conflito e da dominação.
Os esforços de Sultan bin Mohammed estenderam-se a Portugal ao longo de muitos anos por meio de iniciativas que apoiam a pesquisa acadêmica e fortalecem a presença da língua árabe nas universidades europeias. Isso incluiu cooperação direta com instituições acadêmicas portuguesas de longa tradição, entre elas a Universidade de Coimbra, onde foram estabelecidos programas especializados e centros de estudos árabes, bem como a concessão de honrarias acadêmicas em reconhecimento às suas contribuições à história, à cultura e à pesquisa acadêmica.
Os esforços também abrangeram projetos de preservação do patrimônio escrito, incluindo apoio à digitalização de manuscritos e coleções raras em bibliotecas históricas portuguesas e à disponibilização desse material a pesquisadores de todo o mundo. Em conjunto, essas iniciativas refletem uma visão cultural clara que considera o conhecimento como um legado humano compartilhado, a história como um espaço de entendimento mútuo e a cultura como um meio prático de construir pontes sustentáveis entre os povos — valores incorporados pela Ordem de Camões em seu mais alto grau.