Emirados Árabes Unidos avançam na inovação global em saúde, diz Universidade Mohamed bin Zayed de Inteligência Artificial

Emirados Árabes Unidos avançam na inovação global em saúde, diz Universidade Mohamed bin Zayed de Inteligência Artificial

ABU DHABI, 7 de abril de 2026 (WAM) — A Universidade Mohamed bin Zayed de Inteligência Artificial (MBZUAI, na sigla em inglês) afirmou que os Emirados Árabes Unidos continuam a reforçar sua posição como polo global de inovação em saúde, sustentado por infraestrutura digital avançada e por uma visão voltada ao futuro que promove o uso da inteligência artificial para melhorar a qualidade e os resultados dos cuidados de saúde.

“Por ocasião do Dia Mundial da Saúde, celebrado anualmente em 7 de abril, a abordagem proativa dos Emirados Árabes Unidos os coloca na vanguarda da inovação global em saúde”, disse Mohammad Yaqub, professor associado de visão computacional na MBZUAI, em declaração à Agência de Notícias dos Emirados (WAM). Yaqub atribuiu esse avanço à Estratégia Nacional de Inteligência Artificial 2031 dos Emirados, a sistemas digitais avançados e ao Programa Genoma Emiradense, que inclui mais de 800 mil sequências genéticas e que está entre os principais bancos de dados genômicos do mundo.

“O principal desafio agora está em traduzir as ferramentas de inteligência artificial em sistemas clínicos validados, implementados e totalmente integrados. Para isso, é necessária colaboração contínua entre instituições de pesquisa, prestadores de serviços de saúde e reguladores”, afirmou.

Yaqub acrescentou que o papel da MBZUAI é atuar nessa interseção, produzindo pesquisa cientificamente rigorosa e com base clínica, ao mesmo tempo em que forma uma nova geração de pesquisadores capazes de conectar essas duas áreas. Segundo ele, os Emirados Árabes Unidos têm ambição, infraestrutura e capacidade para liderar em inteligência artificial e suas aplicações práticas, e a prioridade agora é garantir que o avanço científico acompanhe esse potencial. Ele destacou que a inteligência artificial na medicina não tem como objetivo substituir a expertise clínica, mas ampliar seu alcance e impacto.

Na área de radiologia, sistemas de inteligência artificial treinados com grandes volumes de dados já alcançam ou se aproximam do nível de especialistas em tarefas específicas, como a detecção de tumores em estágio inicial, a identificação de anomalias em radiografias de tórax e a segmentação de estruturas anatômicas em exames de ressonância magnética. Esses sistemas também operam de forma consistente em grande volume de casos, reduzindo os efeitos da fadiga humana e a probabilidade de erros de diagnóstico.

Yaqub acrescentou que a inteligência artificial aprimora a tomada de decisões clínicas ao fornecer informações relevantes em tempo oportuno, reduzir a carga cognitiva e permitir que médicos se concentrem no que é mais importante.

A universidade também desenvolveu diversas inovações na área de saúde, incluindo o “FetalCLIP”, primeiro modelo base projetado especificamente para análise de imagens de ultrassom fetal, abordando limitações de modelos de uso geral.

Desenvolvido em colaboração com o Hospital Corniche, em Abu Dhabi, o modelo foi treinado com o maior conjunto de dados desse tipo, com mais de 200 mil imagens de ultrassom. Ele alcançou pontuação F1 de 87,1% em tarefas de classificação, superando outros modelos especializados em 17,2%. Além disso, apresentou melhora de 7% na detecção de defeitos cardíacos congênitos, com desempenho próximo ao de especialistas experientes.

“Ao aprender com dados clinicamente representativos, o FetalCLIP capta padrões anatômicos sutis que modelos gerais frequentemente não identificam. Isso permite triagem pré-natal em larga escala e com alta qualidade, especialmente em contextos com acesso limitado a especialistas. Como resultado, contribui para detecção e intervenção mais precoces, melhorando os resultados de saúde para mães e bebês”, afirmou Yaqub.

A universidade também desenvolveu o “NeuroPath”, que contribui para o diagnóstico precoce de condições neurológicas como o Alzheimer, ao integrar dados genéticos, clínicos e de imagens cerebrais, permitindo diagnósticos e previsões mais precisos e apoiando decisões de tratamento.

Yaqub ressaltou ainda a importância da colaboração entre instituições de pesquisa e hospitais, destacando que parcerias como a com o Hospital Corniche, com apoio do Departamento de Saúde de Abu Dhabi, ajudam a transformar a pesquisa em aplicações clínicas eficazes.