ABU DHABI, 18 de abril de 2026 (WAM) — A economia dos Emirados Árabes Unidos manteve trajetória de crescimento nos primeiros meses de 2026, sustentada pela solidez dos setores financeiro e bancário e pelo avanço dos indicadores de comércio exterior e investimentos, segundo dados oficiais e relatórios locais e internacionais.
O país reforçou sua posição de liderança sustentável em níveis regional e global, consolidando-se como modelo de estabilidade e flexibilidade diante de desafios em evolução.
De acordo com o Banco Central dos Emirados Árabes Unidos (CBUAE, na sigla em inglês), os ativos totais do setor bancário cresceram 1,1% em fevereiro de 2026, ultrapassando 5,472 trilhões de dirhams (US$ 1,49 trilhão), ante 5,414 trilhões de dirhams (US$ 1,47 trilhão) em janeiro.
O crédito total aumentou 1,2%, para 2,63 trilhões de dirhams (US$ 716 bilhões), impulsionado por uma expansão de 20,6 bilhões de dirhams (US$ 5,6 bilhões) no crédito doméstico. Os depósitos bancários cresceram 1,9%, alcançando 3,4 trilhões de dirhams (US$ 926 bilhões), com os depósitos de residentes avançando 1,7%, para 3,098 trilhões de dirhams (US$ 843 bilhões).
O setor financeiro dos Emirados segue demonstrando forte estabilidade. No início de março, o índice de adequação de capital estava em 17%, enquanto o índice de cobertura de liquidez superava 146,6%, permanecendo bem acima dos padrões regulatórios internacionais.
Bancos dos Emirados ampliaram sua presença na lista de melhores bancos do mundo de 2026 da revista Forbes, que incluiu instituições nacionais como First Abu Dhabi Bank (FAB), Abu Dhabi Commercial Bank (ADCB), Emirates Islamic, Emirates NBD e Commercial Bank of Dubai.
Agências internacionais de classificação de risco reafirmaram a solidez soberana do país. A Moody’s manteve a nota Aa2 com perspectiva estável após revisão periódica em 30 de março de 2026. Em paralelo, a S&P Global Ratings confirmou a classificação soberana dos Emirados em AA/A-1+ para moedas local e estrangeira, também com perspectiva estável.
A S&P destacou que a economia dos Emirados é sustentada por forte resiliência fiscal e econômica, apoiada por ativos líquidos consolidados do governo estimados em cerca de 184% do PIB em 2026, enquanto os ativos líquidos governamentais totais chegam a aproximadamente 210% do PIB.
O país segue avançando na estratégia de comércio exterior por meio do programa de Acordos de Parceria Econômica Abrangente (CEPA), que busca elevar o comércio não petrolífero a 4 trilhões de dirhams (US$ 1,09 trilhão) até 2031. No primeiro trimestre de 2026, foram firmados acordos com Filipinas, Nigéria, República Democrática do Congo e Gabão.
Os Emirados também alcançaram posições de destaque em rankings internacionais, entrando pela primeira vez na lista dos dez maiores exportadores mundiais de mercadorias, ocupando a nona posição global, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC).
O relatório indica que o comércio exterior total do país atingiu 6 trilhões de dirhams (US$ 1,63 trilhão) em 2025, um aumento de 15% em relação a 2024. O comércio de serviços superou pela primeira vez 1,14 trilhão de dirhams (US$ 310 bilhões), enquanto o comércio de bens não petrolíferos cresceu 27%, chegando a 3,8 trilhões de dirhams (US$ 1,03 trilhão).
A Mubadala Investment Company reforçou a resiliência de seu portfólio, com ativos de 1,4 trilhão de dirhams (US$ 381 bilhões) e retorno acumulado superior a 10% nos períodos de cinco e dez anos.
A ADNOC passou a integrar a lista das 100 marcas mais valiosas do mundo, mantendo-se como a marca mais valiosa dos Emirados pelo oitavo ano consecutivo. O valor da marca cresceu 11%, alcançando US$ 21,13 bilhões, mais de 350% acima do registrado em 2017.
Dubai também atingiu sua melhor posição no Índice Global de Centros Financeiros (GFCI), avançando para o sétimo lugar, o que reforça sua relevância crescente como polo financeiro global.
O número de empresas registradas no país ultrapassou 1,45 milhão até o fim de fevereiro.
Nesse contexto, a Câmara de Comércio de Dubai informou a abertura de 2.709 novas empresas em março de 2026. O Departamento de Desenvolvimento Econômico de Sharjah registrou aumento de 1% nas licenças emitidas e renovadas no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Em Ajman, foram emitidas 1.617 novas licenças e renovadas 8.777 no mesmo período, com crescimento anual de 7% nas renovações, refletindo ambiente de negócios estável e atividade econômica sustentada.
No nível da dívida soberana, o leilão de títulos do Tesouro em dirhams realizado em março de 2026 registrou forte desempenho, com emissão total de 1,1 bilhão de dirhams (US$ 300 milhões).
A operação registrou elevada demanda de distribuidores primários para papéis com vencimento em setembro de 2027 e janeiro de 2031, com propostas totais de 4,85 bilhões de dirhams (US$ 1,32 bilhão), o equivalente a cerca de 4,4 vezes o volume ofertado.