DUBAI, 20 de abril de 2026 (WAM) — O DMCC anunciou planos para lançar um centro de cacau, uma nova plataforma comercial destinada a criar um ecossistema integrado de negociação, processamento e inovação, com o objetivo de reforçar a posição de Dubai como polo global no comércio de commodities agrícolas.
A iniciativa faz parte da expansão das atividades do DMCC no setor agroalimentar, baseada no modelo de clusters que já transformou os fluxos globais de comércio de café e chá. Atualmente, a entidade reúne 88 empresas atuantes em negociação de cacau, fabricação de chocolate e confeitaria.
O novo centro reunirá essas atividades em uma plataforma estruturada que abrange toda a cadeia de valor, desde a origem e o processamento até branding, distribuição e acesso a financiamento.
O projeto será desenvolvido em parceria com a Kumbi Cocoa, focada em relações diretas com cooperativas agrícolas, e o Ribezzi Group, conglomerado sediado em Dubai que liderará o desenvolvimento e a execução.
As partes vão avaliar a viabilidade de criar uma infraestrutura integrada em Dubai para armazenar, negociar e processar grãos de cacau em produtos semiacabados, como massa, manteiga e pó de cacau, com foco no atendimento ao mercado global e no aumento da eficiência e da transparência da cadeia produtiva.
O centro oferecerá infraestrutura e serviços como classificação, armazenamento, mistura, branding e embalagem. Essas operações estarão conectadas a soluções de financiamento comercial por meio da plataforma FinX do DMCC, voltadas a conselhos de cacau, cooperativas e produtores, em um mercado marcado por volatilidade de preços e restrições de liquidez.
O presidente do conselho e CEO do DMCC, Ahmed bin Sulayem, afirmou que o mercado de cacau envolve não apenas produção, mas também a forma como o valor é estruturado, financiado e distribuído ao longo da cadeia. “Com o centro de cacau do DMCC, estamos criando uma plataforma que reúne produtores, comerciantes, fabricantes e capital, permitindo capturar mais valor próximo à origem e reforçar o papel de Dubai como polo global de commodities agrícolas”, disse.
O fundador e CEO da Kumbi Cocoa, Kwadwo Boachie-Adjei, afirmou que a parceria busca construir cadeias de fornecimento transparentes e conectar produtores a mercados globais.
Já Mauro Ribezzi, fundador do Ribezzi Group, disse que a iniciativa reflete uma abordagem estratégica para a infraestrutura do setor e pode se tornar uma referência para o mercado global de cacau. "Ao integrar o fornecimento, a logística, o comércio e o processamento em todos os continentes, o Centro do Cacau tem o potencial de se tornar uma nova referência e um catalisador para o setor", destacou Ribezzi.
Globalmente, o mercado de cacau foi avaliado em cerca de US$ 16,6 bilhões em 2025 e deve atingir US$ 26,2 bilhões até 2035. O segmento de chocolates premium, impulsionado por produtos de origem única, produção artesanal e formatos voltados à saúde, deve crescer de US$ 31,9 bilhões em 2024 para US$ 40,6 bilhões até 2030.
Em 2023, os Emirados Árabes Unidos importaram US$ 17,3 milhões em grãos de cacau e US$ 65,3 milhões em chocolate e produtos derivados. As exportações de grãos somaram US$ 16,4 milhões, colocando o país na 28ª posição entre os maiores exportadores globais.
Embora ainda em fase inicial, esses números indicam aceleração dos fluxos comerciais tanto de matérias-primas quanto de produtos acabados por meio de Dubai.
O Centro de Cacau do DMCC foi concebido para reduzir desequilíbrios estruturais ao conectar diretamente produtores a compradores globais, fontes de financiamento e serviços de valor agregado, apoiado pela infraestrutura de armazenagem, mistura e financiamento estruturado de comércio de Dubai. A iniciativa busca tornar o comércio global de cacau mais resiliente, transparente e inclusivo.