DUBAI, 27 de abril de 2026 (WAM) — Líderes e especialistas em comunicação do Golfo destacaram o peso estratégico da imagem da região na mídia global como um ativo de poder brando e defenderam uma atuação mais proativa para moldar narrativas internacionais.
As declarações foram feitas durante a sessão “Reshaping the Gulf’s Image in Global Media”, realizada no evento Gulf Creators, organizado pelo Escritório de Comunicação do Governo dos Emirados Árabes Unidos, no Atlantis The Palm, em Dubai, com a participação de mais de mil profissionais, pensadores e criadores de conteúdo da região.
Participaram do debate Samira Rajab, ex-ministra de Estado para Assuntos de Mídia do Bahrain; Saad bin Tefla Al Ajmi, ex-ministro da Informação do Kuwait; e Abdulla bin Mohammed bin Butti Al Hamed, presidente da Autoridade Nacional de Mídia.
Os participantes apontaram a falta de planejamento estratégico de longo prazo como um dos principais obstáculos para a construção de uma narrativa coesa do Golfo, defendendo um discurso integrado e alinhado às transformações do ambiente digital e às expectativas das novas gerações.
Samira Rajab afirmou que a construção da imagem regional deve se basear na autenticidade, e não em projeções artificiais. Segundo ela, é necessário superar estereótipos que reduzem o Golfo a petróleo e luxo e substituí-los por uma narrativa de força civilizacional, baseada em sistemas robustos e na relação entre sociedade e liderança.
A ex-ministra também defendeu que a gestão da imagem seja incorporada às estratégias de segurança nacional, tratando-a com a mesma prioridade estratégica e compromisso orçamentário que a defesa militar. A ex-ministra defendeu ainda uma mudança em direção à soberania narrativa, com o fortalecimento de talentos regionais para produzir e conduzir a própria narrativa do Golfo, garantindo que ela seja de fato construída pela própria região.
Saad bin Tefla Al Ajmi avaliou que a solidariedade observada durante a recente agressão iraniana abre uma oportunidade para reposicionar a imagem do Golfo no cenário internacional. Ele defendeu que a comunicação deve refletir a realidade das sociedades da região, em vez de focar em ajustes superficiais voltados à aprovação externa.
Al Ajmi afirmou que, em momentos de crise, certos discursos árabes demonstraram alinhamento com os agressores e chegaram a culpar as vítimas. Ele defendeu uma reavaliação dessas narrativas, que, segundo ele, distorcem a realidade do Golfo, e destacou a necessidade de garantir reciprocidade política e midiática.
Ao tratar da necessidade de humanizar a imagem da região, o ex-ministro citou exemplos como a Copa do Mundo de 2022 no Qatar, a consolidação de Dubai como hub global e a logística do Hajj como modelos bem-sucedidos ainda pouco explorados pela mídia internacional.
Abdulla Al Hamed afirmou que a ausência de uma voz local forte contribui para a perpetuação de percepções equivocadas e defendeu o fortalecimento de narrativas próprias. Segundo ele, a Autoridade Nacional de Mídia atua na institucionalização da reputação dos Emirados e na projeção internacional de suas realizações.
Al Hamed também ressaltou a necessidade de ampliar a consciência midiática, priorizando a divulgação das conquistas da região e sua coesão, em vez de disputas marginais.
Sobre a recente agressão iraniana, Abdulla Al Hamed afirmou que os Emirados mantêm uma postura de transparência e consistência, independentemente das circunstâncias. Destacou ainda o histórico do país na governança digital, incluindo ações para responsabilizar plataformas globais por discurso de ódio e manipulação de dados.
Abdulla Al Hamed concluiu que, sob a liderança do país, os Emirados seguem focados na construção de um legado voltado ao futuro, com ênfase em resultados de longo prazo.