NOVA YORK, 22 de setembro de 2026 (WAM) — Os ministros das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Qatar, Jordânia, Indonésia, Paquistão, Turquia e Egito se reuniram nesta segunda-feira (21), em Nova York, à margem da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. Em declaração conjunta, os chanceleres manifestaram profunda preocupação com a continuidade do sofrimento humanitário em Gaza e pediram que Israel cumpra imediatamente os compromissos ainda pendentes da primeira fase do Plano Abrangente. Entre eles estão garantir a entrada imediata, segura e sem obstáculos de ajuda humanitária e de suprimentos destinados à recuperação inicial, além de facilitar a recuperação da infraestrutura crítica. Os ministros ressaltaram ainda a necessidade de preservar o cessar-fogo e pôr fim a todas as violações.
De acordo com a declaração, o Roteiro é parte integrante do Plano Abrangente e estabelece as bases para a implementação de sua segunda fase. Essa etapa prevê a desmobilização paralelamente à retirada completa de Israel, o envio da Força Internacional de Estabilização (ISF), o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG) assumir suas responsabilidades em toda a Faixa de Gaza e o início da recuperação e da reconstrução do território.
Os chanceleres pediram que todas as partes cumpram seus respectivos compromissos de boa-fé e sem demora. Reiteraram sua rejeição categórica a qualquer medida destinada a expulsar ou deslocar à força o povo palestino de sua terra, assim como a tentativas de alterar as características territoriais ou demográficas do Território Palestino Ocupado.
Nesse contexto, os ministros lamentaram o que classificaram como medidas ilegais destinadas a consolidar o controle e a anexação por Israel, entre elas a expansão acelerada dos assentamentos, o confisco de terras, a demolição de casas palestinas, a violência e o terrorismo de colonos e o deslocamento forçado. Eles pediram a reversão imediata dessas medidas e manifestaram grave preocupação com ações que, segundo a declaração, comprometem o status quo histórico e jurídico dos locais sagrados muçulmanos e cristãos em Jerusalém.
Os chanceleres saudaram as recentes medidas adotadas pelo Reino Unido, assim como outros esforços nacionais e europeus em resposta à atividade de assentamentos israelenses considerada ilegal. Entre as iniciativas citadas estão medidas para interromper o comércio com assentamentos israelenses ilegais. O grupo pediu ainda novas ações efetivas para pôr fim à expansão dos assentamentos e garantir a responsabilização por atos de violência cometidos por colonos.
A declaração ressalta que Gaza deve permanecer parte integrante do território palestino e reafirma que a implementação do Plano Abrangente deve contribuir para a reunificação da Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, e da Faixa de Gaza.
Os ministros defenderam ainda um caminho crível e irreversível para o exercício do direito do povo palestino à autodeterminação e para a criação de um Estado palestino soberano, viável e independente, com Jerusalém Oriental como capital, por meio da implementação da solução de dois Estados.
Os chanceleres elogiaram a liderança do presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, e destacaram o que consideram o papel indispensável dos Estados Unidos para garantir a implementação do Plano Abrangente.
Também pediram uma atuação americana contínua e ativa para assegurar que todas as partes, incluindo Israel, cumpram seus compromissos e obrigações e para superar os obstáculos à implementação do plano. Segundo a declaração, avanços concretos no terreno fortalecerão a credibilidade do Conselho da Paz e a autoridade do plano, além de criar o impulso necessário para sua implementação.
Os países reafirmaram, por fim, sua disposição de continuar trabalhando em conjunto com os Estados Unidos, o Conselho da Paz, a Autoridade Palestina e todas as partes relevantes para avançar na implementação integral do Plano Abrangente e de seu Roteiro, aliviar o sofrimento do povo palestino, garantir seu direito à autodeterminação e a um Estado independente e alcançar uma paz justa, duradoura e abrangente na região.