Emirados e África: parceria e investimento para construir um futuro comum

Emirados e África: parceria e investimento para construir um futuro comum

Por xeique Shakhboot Nahyan Al Nahyan, ministro de Estado do Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos

ABU DHABI, 23 de setembro de 2026 (WAM) — A Assembleia Geral das Nações Unidas é um importante fórum internacional e oferece aos países a oportunidade de fortalecer a cooperação em torno de prioridades comuns. O desafio para os líderes reunidos em Nova York é fazer com que essa cooperação produza resultados concretos.

Para a África e seus parceiros, há muito em jogo. A expansão dos mercados e das indústrias do continente, sua população jovem e suas ambições em infraestrutura estão entre as grandes oportunidades globais deste século. A África tem sua própria visão de futuro, e os Emirados Árabes Unidos buscam ser um parceiro de longo prazo para contribuir com essa visão, trabalhando em conjunto por crescimento econômico compartilhado e prosperidade sustentável.

O aprofundamento dos laços entre a África e os Emirados pode abrir novas oportunidades ao conectar mercados, desenvolver indústrias regionais, ampliar a infraestrutura, reduzir barreiras comerciais e permitir que empresas concorram globalmente. Juntos, os Emirados e seus parceiros africanos podem transformar ambições comuns em crescimento e prosperidade duradouros.

A África desempenha um papel cada vez mais importante no processo de diversificação econômica dos Emirados. Com nove Acordos de Parceria Econômica Abrangente (CEPAs) assinados com países africanos, além do aumento dos fluxos de comércio e investimento, a cooperação se amplia em áreas como infraestrutura, energia, logística, inovação, serviços e acesso a mercados.

As economias africanas oferecem escala, talentos, urbanização e mercados consumidores em rápida expansão. Os Emirados oferecem capital, conectividade, capacidade de execução e acesso a redes globais de comércio e investimento. Para os dois lados, a oportunidade está em transformar essas vantagens complementares em resultados concretos.

Hoje, pessoas de mais de 200 nacionalidades vivem e trabalham nos Emirados, entre elas uma ampla comunidade de países africanos. Essa diversidade contribui para uma economia dinâmica, diversificada e conectada globalmente e reforça a posição dos Emirados como destino para talentos, inovação e negócios.

Em diferentes partes do continente, essa abordagem pode ser vista em projetos concebidos para gerar valor econômico duradouro.

No Senegal, a DP World investiu na capacidade portuária e na infraestrutura comercial, incluindo o Porto de Ndayane e o Terminal de Contêineres de Dakar.

No Togo, a AMEA Power desenvolveu a usina solar Sheikh Mohamed Bin Zayed, ampliando o acesso à eletricidade de fontes renováveis.

Na República Centro-Africana, a Global South Utilities desenvolveu o projeto solar Sakaï, uma instalação de 50 MW com armazenamento em baterias que amplia a capacidade de geração e o acesso a energia limpa e confiável.

Na União das Comores, usinas solares financiadas pelos Emirados nas três principais ilhas do país somam cerca de 20 MW de capacidade, combinados com armazenamento em baterias e infraestrutura de transmissão, reforçando a segurança energética e contribuindo para um fornecimento de eletricidade mais confiável.

No Quênia, a DP World e a GulfCap Africa desenvolvem o Mombasa Industrial Park, de 222 hectares, uma zona econômica especial destinada a atrair investimentos, ampliar a produção local e fortalecer as conexões com os mercados regional e internacional.

Em Angola e na República do Congo, o AD Ports Group investe em portos e infraestrutura logística para ampliar a capacidade comercial e conectar as economias africanas aos mercados globais.

Na Zâmbia, o investimento da IRH na Mopani Copper Mines busca apoiar a retomada da produção, a estabilidade do emprego e a geração de valor local, mantendo uma participação acionária significativa da Zâmbia.

Em conjunto, esses projetos fazem parte de um portfólio mais amplo de investimentos dos Emirados na África, voltado a infraestrutura, energia, comércio, logística, segurança alimentar e capacidade industrial.

Nossos investimentos não são medidos apenas em termos financeiros, mas também pelas oportunidades sustentáveis que criam: infraestrutura mais eficiente, energia mais limpa, novos empregos, indústrias locais mais fortes e as competências e tecnologias que sustentam o crescimento de longo prazo.

As parcerias em energia limpa mostram como essa abordagem prática pode criar oportunidades duradouras.

Entre elas estão o programa de energia limpa de US$ 10 bilhões da Masdar e a plataforma Etihad 7, que busca ampliar o acesso à eletricidade limpa para até 100 milhões de pessoas até 2035.

A dimensão dessa atuação se reflete nos mais de US$ 110 bilhões destinados a projetos na África entre 2019 e 2023, incluindo cerca de US$ 70 bilhões nos setores de energia renovável e economia verde. Em novembro de 2025, os Emirados também anunciaram a iniciativa AI for Development, de US$ 1 bilhão, para apoiar a transformação digital.

Uma verdadeira parceria significa trabalhar com os parceiros africanos, alinhar os investimentos às agendas nacionais de desenvolvimento e reunir capital e conhecimento especializado para criar oportunidades que beneficiem os dois lados.

Essa abordagem também se reflete no crescimento das relações comerciais. O comércio não petrolífero entre os Emirados e a África Subsaariana superou US$ 126 bilhões em 2025, alta de 45% em relação ao ano anterior, enquanto mais de 30 mil empresas africanas estabeleceram presença nos Emirados. A expansão da rede de CEPAs do país busca dar continuidade a esse avanço, reduzindo barreiras comerciais e ampliando o acesso aos mercados.

Esse mesmo compromisso de longo prazo também se manifesta nas ações de desenvolvimento. Entre 2023 e 2024, os Emirados forneceram mais de US$ 1 bilhão em assistência externa à África. Lançada em 2024, a Iniciativa Mohamed bin Zayed para a Água busca enfrentar o desafio global da escassez hídrica por meio de soluções e tecnologias inovadoras.

A Conferência das Nações Unidas sobre a Água de 2026, organizada em parceria com o Senegal e prevista para dezembro em Abu Dhabi, contribuirá para acelerar os avanços em direção ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 e abrir novas oportunidades de cooperação com parceiros africanos em prioridades comuns de desenvolvimento.

Energia, água, alimentos, comércio e necessidades humanitárias estão estreitamente ligados, e a recente instabilidade no Estreito de Ormuz mostrou como os efeitos de uma interrupção podem se espalhar rapidamente. Nas economias africanas, onde a agricultura responde por quase metade do emprego total, choques desse tipo podem elevar rapidamente os custos de alimentos, combustíveis e fertilizantes, pressionando agricultores, empresas e famílias.

As prioridades da África devem ocupar um lugar central no debate global durante a Assembleia Geral da ONU deste ano. Segurança alimentar, acesso à energia, resiliência hídrica, estabilidade comercial, infraestrutura e financiamento ao desenvolvimento são desafios globais compartilhados.

Durante a Assembleia Geral, os Emirados trabalharão com parceiros africanos para identificar prioridades comuns e avançar em soluções práticas que beneficiem os dois lados.

Ao trabalharmos juntos para enfrentar esses desafios, podemos fortalecer a segurança energética, ampliar o acesso à água, estimular investimentos e apoiar o crescimento sustentável.

Os Emirados trabalham com governos e empresas africanas para identificar prioridades comuns e implementar soluções práticas que apoiem o crescimento sustentável e a prosperidade das futuras gerações. É uma parceria baseada na cooperação e no benefício mútuo, voltada à construção de uma prosperidade duradoura para nossos povos.