FUJAIRAH, 26 de abril de 2024 (WAM) -- A sessão de diálogo de abertura do Fórum de Mídia de Fujairah 2024, realizada na última quinta-feira e focada no tema "Mídia Paralela", abordou o estado atual da mídia institucional no mundo árabe.
A sessão contou com a presença de Mohamed Jalal Alrayssi, diretor-geral da Agência de Notícias dos Emirados (WAM), Saeed Mohammad Al Eter, presidente do Escritório de Mídia do Governo dos Emirados Árabes Unidos, e Khaled El Balshy, chefe da União de Jornalistas Egípcios, e foi moderada pelo jornalista dos Emirados, Faisal bin Hariz.
Alrayssi discutiu o cenário competitivo cada vez mais intenso e os novos desafios que ele apresenta. E observou que um estudo mostra que as pessoas recebem entre seis mil e 10 mil mensagens diariamente. "Isso implica em concorrência com aproximadamente seis mil outras fontes, ressaltando a necessidade de velocidade máxima no acesso e na disseminação de informações", ressaltou.
O diretor-geral da WAM ainda explicou que há um conceito conhecido como Atenção Econômica, que significa que capturar a atenção das pessoas se traduz em valor econômico. “O desafio está no fato de que a capacidade de atenção das pessoas diminuiu nos últimos 15 anos. Atualmente, essa capacidade em um adulto é, em média, de oito segundos, enquanto a capacidade de atenção de um indivíduo mais jovem é de apenas quatro segundos.”
Embora a inteligência artificial tenha entrado no reino da mídia, ela não pode substituir a imaginação humana. Apesar de seu potencial para erros, não há mal algum em utilizá-la para tarefas rotineiras, o que, em última análise, economiza tempo para os jornalistas, dando a eles mais espaço para a criatividade, ele acrescentou.
Alrayssi destacou outros desafios enfrentados pela mídia, incluindo a desinformação. Ele fez referência ao relatório anual de riscos globais publicado em janeiro de 2024, que classificou a desinformação da mídia e a disseminação de rumores como a segunda ameaça mais significativa que o mundo enfrenta. Alrayssi deu um exemplo, citando vídeos que ganharam grande audiência durante a pandemia da Covid-19, que continham rumores sobre uma teoria da conspiração que alegava um complô para reduzir a população global por meio de vacinas destinadas a prevenir a doença.
Em relação ao futuro da mídia, o diretor-geral da WAM declarou: "Acredito que promover a integração entre a mídia tradicional e a nova mídia, juntamente com os criadores de conteúdo, é crucial para o sucesso do setor. O mundo não é mais uma pequena aldeia; ao contrário, se tornou uma rede global, com públicos dispersos em todos os cantos do globo. Isso representa o desafio mais significativo para a mídia, exigindo a colaboração como uma equipe coesa para alcançar a integração. Isso também envolve a seleção de conteúdo que tenha ressonância com nossos costumes, tradições e identidade."
Falando sobre a influência da mídia, Saeed Al Eter observou que hoje ela não é apenas um quarto poder, mas quase uma autoridade secundária, em torno da qual nações, sociedades, empresários e economistas disputam influência. "Por exemplo, a plataforma TikTok provocou uma mudança na opinião pública americana. Com 170 milhões de cidadãos americanos ativos nessa plataforma e mais de dez mil indivíduos cujo sustento depende dela, o Governo americano optou por bani-la. Isso serve como um excelente exemplo do poder da mídia", salientou.
Al Eter abordou os desafios enfrentados pelas instituições de mídia, especialmente a inteligência artificial. "Se a mídia e a tecnologia não se alinharem e colaborarem, aproveitando a experiência no domínio tecnológico, o progresso será prejudicado. Em última análise, abraçar o desenvolvimento é crucial e necessário para a sustentabilidade."
Com relação ao futuro da mídia em meio a esses desafios e desenvolvimentos rápidos, Al Eter expressou otimismo, especialmente para os EAU, citando seu sistema de mídia integrado, harmonioso e coeso. No entanto, em escala global, ele observou que o cenário da mídia é marcado por uma ambiguidade considerável, caracterizada por tecnologias avançadas e em rápida evolução. Além disso, Al Eter destacou a proliferação de várias instituições de mídia com o objetivo de alterar a identidade, as crenças, os valores e a cultura de outras pessoas.
Por sua vez, Khaled El Balshy enfatizou a linha comum entre a mídia tradicional e a moderna, destacando que o conteúdo serve como elemento unificador. Ele observou que o surgimento de novas mídias, exemplificado pelas plataformas sociais, não substituiu a mídia tradicional, pois a mídia, em sua totalidade, continua sendo uma necessidade humana perpétua enquanto os seres humanos existirem.
El Balshy ressaltou a importância de integrar a mídia tradicional e a nova mídia, defendendo o aprimoramento do jornalismo cidadão. Ele enfatizou a importância de desenvolver e treinar jornalistas cidadãos, vendo isso como uma solução à luz do uso generalizado da mídia social.
Olhando para o futuro, El Balshy demonstrou otimismo sobre as perspectivas do jornalismo. E destacou a necessidade de as ferramentas acompanharem os avanços tecnológicos destacando a importância do conteúdo que reflete as diversas perspectivas do público e das várias partes interessadas. El Balshy concluiu expressando confiança em um futuro profissional para o Jornalismo na região.