Livros nunca morrerão enquanto despertarem a curiosidade, diz embaixador suíço na Feira Internacional de Abu Dhabi

ABU DHABI, 3 de maio de 2024 (WAM) -- As feiras de livros continuarão a ser populares enquanto a curiosidade humana permanecer intacta, de acordo com Arthur Mattli, embaixador da Suíça nos Emirados Árabes Unidos.

Falando à Agência de Notícias dos Emirados (WAM) na Feira Internacional do Livro de Abu Dhabi (ADIBF, na sigla em inglês), Mattli defendeu a relevância duradoura dos livros, citando a curiosidade humana como sua eterna força motriz. “Veja esta feira do livro. Quantos milhares de pessoas estão vindo para cá? Elas são curiosas e, em última análise, acho que o que nos move é a curiosidade. Enquanto um livro despertar a curiosidade, acho que ele sempre terá um ponto de venda.”

Futuro dos livros impressos

Questionado sobre o possível declínio dos livros impressos devido aos e-books, Mattli ofereceu uma refutação firme. "Não, acho que ainda temos duas mãos e gostamos de tocar", explicou ele. “Gostamos de descobrir, de abrir um livro. Gostamos não apenas de abri-lo mentalmente, mas também de abrir o livro fisicamente.”

O diplomata enfatizou a experiência única dos livros físicos, especialmente para as crianças. "Essa experiência de virar a página e descobrir um novo mundo, acho que é uma experiência que toda criança deveria ter", disse. “Para aqueles que são um pouco mais velhos, como eu, é uma nostalgia pesada da qual nunca desistiremos.”

Cultura e diplomacia

Mattli também falou sobre o papel da cultura na diplomacia. "A cultura tem a ver com comunicação", observou. "Diplomacia também tem a ver com comunicação. Uma boa comunicação gera uma boa diplomacia e uma boa diplomacia leva à paz e ao entendimento", disse.

O embaixador da Suíça citou o livro infantil "The Spotty Ghaidaan" (O Ghaidaan Malhado), escrito pelo autor suíço Kurt Blum e ilustrado pelo artista dos Emirados Mohammed Al Rais, como um exemplo de como o intercâmbio cultural pode ser promovido por meio de livros. "Acho que tanto o autor quanto o ilustrador são bem-sucedidos na construção de pontes entre as duas culturas", ele ressaltou sobre o livro, que foi lançado na ADIBF.

Livros constroem pontes

Mattli destacou ainda a longa história da Suíça com os livros, fazendo referência à importância da Basileia e de Zurique como centros de impressão no século XVI. Ele mencionou ter visto uma antiga tradução latina do Alcorão em um museu, mostrando o vínculo histórico entre a Suíça e os livros.

"Os livros unem as pessoas", enfatizou Mattli. "Trata-se da troca de conhecimento, mas aqui também se trata da diversidade que vemos - todas as idades estão aqui (na Feira do Livro de Abu Dhabi)."

Impacto da mídia social

Embora reconheça o aumento do consumo de mídia social, o embaixador permaneceu otimista em relação ao futuro das feiras de livros. "Especialmente em um mundo dominado por recursos visuais, mídias sociais e TV, reservar um tempo para ler e criar seu próprio cinema mental é crucial para o desenvolvimento pessoal, e acredito que isso continuará sendo muito importante no futuro", concluiu.