Cúpula Mundial de Governos: Resiliência, uma necessidade para aprimorar o desenvolvimento econômico nas cidades

DUBAI, 30 de maio de 2024 (WAM) -- Um relatório estratégico publicado pela Cúpula Mundial de Governos destacou o papel principal das cidades do mundo no processo de desenvolvimento econômico, já que elas atraem 55% da população, com previsão de aumento para 68% até 2050, além de sua contribuição com cerca de 80% do PIB.

O "Hora de prosperar: A resiliência urbana passa de tendência a necessidade", preparado em parceria com a Strategy& Middle East, PwC, revelou um progresso notável em várias cidades do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) na estrutura de resiliência urbana baseada em evidências. Esse avanço permite que as cidades avaliem sua exposição a perigos, vulnerabilidades, capacidades institucionais de resposta, recuperação e transformação ao lidar com desafios.

A pandemia da Covid-19 expôs a necessidade urgente de cidades do mundo todo se adaptarem para enfrentar a ampla gama de ameaças, tanto naturais quanto causadas pelo homem. Dentro dos esforços para melhorar sua prontidão futura, as cidades devem aumentar sua resiliência para responder, se recuperar e se transformar diante de choques.

Desenvolvimento notável nas cidades do CCG

O relatório afirmou que as cidades do CCG obtiveram o aumento mais notável em sua resiliência geral desde a pandemia. Ele destacou que Abu Dhabi e Dubai alcançaram as primeiras posições entre as metrópoles do Golfo e estão entre as 20 maiores do mundo. Além disso, mostra os esforços de Dubai no lançamento de iniciativas que priorizam o bem-estar, a prosperidade e a estabilidade das pessoas, incluindo seus planos ambiciosos para desenvolver áreas urbanas, aumentar a paisagem verde e diversificar a economia.

O documento ressalta a maior flexibilidade urbana de Doha por meio de iniciativas de grande escala e planos urbanos sustentáveis que foram implementados antes da Copa do Mundo da FIFA 2022, e os projetos desenvolvidos e realizados por Riad para diversificar sua economia.

O estudo é baseado em uma estrutura online de avaliação abrangente que permite às cidades explorar e avaliar sua resiliência.

A estrutura é apoiada por 131 indicadores-chave de desempenho (KPIs, na sigla em inglês) e uma lista de verificação qualitativa detalhada para avaliar as capacidades institucionais. E foi usada para avaliar a resiliência urbana em 50 cidades, 12 das quais estão na região do Oriente Médio e Norte da África (MENA), incluindo: Abu Dhabi, Dubai, Amã, Kuwait, Mascate, Riad, Jeddah, Casablanca e Cairo. Elas foram escolhidas com base em seu nível de urbanização, crescimento populacional, contribuição econômica e atratividade comercial e turística. As outras 38 cidades incluem Nova York, Toronto, Londres, Paris, Zurique, Seul, Singapura, Sidney, Tóquio, Cidade do Cabo e São Paulo, proporcionando um ponto de vista global abrangente.

Mohamed Al Sharhan, diretor-administrativo da Organização da Cúpula Mundial de Governos (WGS), enfatizou que a resiliência é um dos principais pilares da metodologia de trabalho de qualquer governo ou instituição que busca acompanhar os rápidos desenvolvimentos, antecipar os desafios futuros e contribuir efetivamente para moldá-los.

"Os incidentes dos últimos cinco anos, incluindo a pandemia da Covid-19, demonstraram a importância da resiliência e da inovação para enfrentar os desafios, acelerar a recuperação e promover a transformação. As cidades enfrentarão desafios maiores no futuro em vários campos, impulsionados pelo ritmo acelerado do desenvolvimento de indústrias e economias catalisadas pela IA e pelo impacto das mudanças demográficas na saúde, no planejamento urbano e nos mercados de trabalho", ele acrescentou.

Dima Sayess, sócia da Strategy& e líder do Centro de Ideação da empresa no Oriente Médio, lembrou que para desenvolver a resiliência os tomadores de decisão devem entender a exposição de sua cidade a ameaças naturais e causadas pelo homem. "Eles devem então eliminar quaisquer vulnerabilidades estruturais que possam intensificar o impacto de um desastre em termos de necessidades básicas, sociais, econômicas e de ambiente urbano, por meio do desenvolvimento de todas as capacidades institucionais necessárias", avaliou.

Já Melissa Rizk, diretora de Prospectiva do Ideation Center, declarou que, quando se pensa em resiliência, a narrativa predominante é de estabilidade e permanência. "No mundo de mudanças rápidas, a inovação e a agilidade são os verdadeiros determinantes de quem ganha e quem perde. As cidades que estão abertas a novas abordagens e soluções serão as próximas criadoras de tendências", ela previu.

As cidades resilientes têm oito características principais, incluindo ação proativa, previsão do futuro, sabedoria para garantir e diversificar recursos, como financiamento de emergência, inteligência e adaptabilidade, inclusão e cooperação público-privada. Além do fornecimento para as necessidades das pessoas, desenvolvimento de planos inovadores para ajudar as cidades a se recuperarem e adoção de uma abordagem abrangente para fornecer soluções eficazes.

O relatório destacou que as metrópoles podem fazer grandes avanços em poucos anos, se transformando de cidades vulneráveis em resilientes e, por fim, demonstrando uma adaptação significativa.

As cidades da região MENA, como Riad, Mascate e Doha, fizeram um progresso notável por meio de inovação, investimentos e melhoria das capacidades institucionais, o que, por sua vez, representa um sinal claro de que a região é capaz de se transformar em modelo global.

Atender às necessidades básicas, como água e segurança alimentar, moradia e segurança, são os pilares para que uma cidade se torne resiliente. Portanto, os tomadores de decisão podem se concentrar em capacidades de longo prazo, como finanças públicas, educação e negócios, o que os ajuda a planejar respostas para gerenciar crises.

A inovação deve estar entre as principais prioridades, já que a análise revelou que ela é um recurso essencial e a chave para alcançar a resiliência. O objetivo não é criar algo novo, mas se adaptar constantemente às mudanças, transformar desafios em oportunidades e estar pronto para mudar de direção sempre que necessário. É assim que as cidades prosperam, mesmo em tempos de turbulência.

Com investimentos adequados e capacidades institucionais aprimoradas – especialmente no campo da inovação – as cidades podem melhorar sua prontidão para enfrentar desafios futuros e aumentar sua resiliência para responder, se recuperar e se transformar.

A Cúpula Mundial de Governos assinou nove acordos com as mais proeminentes empresas globais de consultoria e instituições de pesquisa. O objetivo é a publicação de uma série de relatórios e ferramentas que apresentam as principais tendências e oportunidades para que os governos se concentrem e aproveitem para melhorar sua prontidão para o futuro no mundo pós-pandemia.

Esses relatórios pretendem moldar o futuro dos governos, estudar as transformações e os desafios globais, identificar as prioridades e os requisitos da próxima fase e desenvolver novos mecanismos de trabalho com base em dados recentes para capacitar a nova geração de mandatários.

O documento completo pode ser acessado por meio deste link: https://www.worldgovernmentsummit.org/observer/reports/2024/detail/time-to-thrive--urban-resilience-shifts-from-trend-to-necessity