PARIS, 31 de maio de 2024 (WAM) -- Os países desenvolvidos forneceram e mobilizaram US$ 115,9 bilhões em financiamento climático para nações em desenvolvimento em 2022, excedendo a meta anual de 100 bilhões pela primeira vez e atingindo um nível que não era esperado para antes de 2025.
De acordo com os novos números da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), em 2022 o financiamento climático aumentou 30% em relação a 2021, ou seja, US$ 26,3 bilhões. Esse é o maior crescimento anual até o momento e significa que a marca de 100 bilhões foi alcançada um ano antes do que a OCDE havia projetado anteriormente, embora dois anos depois da meta inicial de 2020.
"É bom ver que os países desenvolvidos ultrapassaram a meta de US$ 100 bilhões em 2022. Exceder materialmente esse compromisso anual em mais de 15% é uma conquista importante e simbólica que, de certa forma, contribui para compensar o atraso de dois anos, o que deve ajudar a criar confiança. Incentivamos as nações desenvolvidas a manter o ritmo e também a alavancá-lo ainda mais com esforços políticos adicionais para impulsionar o financiamento climático privado", disse o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann.
O representante da Organização acrescentou que será importante manter esse nível de apoio elevado até 2025 e, ao mesmo tempo, aumentar a ambição para a nova meta pós-2025. "Os provedores multilaterais e o setor privado serão fundamentais para reduzir ainda mais a lacuna de investimento, principalmente em áreas como energia limpa, agricultura e resiliência. Para o período pós-2025, o escopo e a concepção da Nova Meta Coletiva Quantificada sobre financiamento climático devem ser mais abrangentes e eficazes do que a meta existente, otimizando as funções de diferentes atores, fontes de financiamento e incentivos políticos para atender à escala e à variedade de necessidades de financiamento relacionadas ao clima", ele declarou.
Os dados de financiamento climático de 2022 mostram que os fundos públicos, tanto de canais bilaterais quanto multilaterais, continuam a constituir a maior parte do financiamento climático, representando 80% do total. Durante o período registrado, o aporte governamental multilateral para o clima apresentou a maior alta, de US$ 35 bilhões, ou 226% desde 2013. O crescimento de 2022 no financiamento público do clima foi acompanhado por um salto de 52%, ou US$ 7,5 bilhões, na contribuição privada mobilizada, que atingiu US$ 21,9 bilhões em 2022, após vários anos de relativa estagnação.
A OCDE continuará acompanhando o cumprimento da meta de US$ 100 bilhões até 2025 e, enquanto aguarda o resultado da COP29 em Baku, contribuirá para os esforços internacionais para implementar a Nova Meta Coletiva Quantificada (NCQG, na sigla em inglês) sobre financiamento climático de forma eficaz.