Crescimento de curto prazo dos Emirados Árabes Unidos é robusto e deve permanecer saudável em cerca de 4% em 2025, afirma FMI

ABU DHABI, 23 de janeiro de 2025 (WAM) – O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o crescimento de curto prazo dos Emirados Árabes Unidos (EAU) continuará saudável, em torno de 4% em 2025, apesar de uma produção de petróleo abaixo do esperado devido aos acordos da OPEP+.

A informação foi divulgada em um comunicado do FMI ao término de uma visita de sua equipe técnica aos EAU para discutir desenvolvimentos econômicos e financeiros, perspectivas e prioridades de políticas e reformas do país.

“Embora a produção de petróleo esteja abaixo do esperado devido aos acordos da OPEP+, o crescimento de curto prazo é robusto e deve permanecer saudável em cerca de 4% em 2025. A atividade não relacionada ao setor de hidrocarbonetos é impulsionada por turismo, construção, despesas públicas e crescimento contínuo nos serviços financeiros. Os fluxos de capital continuam fortes, atraídos por reformas sociais e pró-negócios, o que contribui para a demanda contínua por imóveis, impulsionando ainda mais os preços das casas em diferentes segmentos e localizações. O PIB de hidrocarbonetos deve crescer acima de 2% este ano, em função das decisões da OPEP+ de manter cortes na produção e da implementação gradual do aumento de cotas pela OPEP+ nos EAU. A inflação deve permanecer contida em torno de 2% em 2025, apesar de custos mais altos com habitação e serviços públicos", destaca o comunicado.

O FMI prevê que a receita de hidrocarbonetos deve diminuir em meio à volatilidade dos preços do petróleo e à redução da produção. “No entanto, os superávits fiscal e externo devem permanecer confortáveis. O superávit fiscal deve moderar para cerca de 4% do PIB em 2025, em comparação com os estimados 5% do PIB no ano passado. Por outro lado, a receita não relacionada a hidrocarbonetos deve crescer de forma constante nos próximos anos com a implementação contínua do imposto sobre a renda corporativa. A dívida pública permanece contida em cerca de 30% do PIB. O superávit em conta corrente é projetado em cerca de 7,5% do PIB, enquanto as reservas internacionais estão saudáveis, cobrindo mais de 8,5 meses de importações.”

O FMI também espera que os bancos dos EAU permaneçam adequadamente capitalizados e líquidos. “A qualidade dos ativos melhorou ainda mais em 2024. A atividade doméstica robusta e a demanda resiliente por crédito sustentaram a lucratividade dos bancos em meio a taxas de juros ainda elevadas.”

O relatório destacou que a exposição dos bancos dos EAU ao setor imobiliário caiu 4 pontos percentuais, para 19,6%, no período entre dezembro de 2021 e setembro de 2024. Ainda assim, o FMI recomendou que os riscos associados ao aumento contínuo dos preços dos imóveis continuem sendo monitorados de perto.

O FMI elogiou os esforços de reforma dos EAU como fundamentais para apoiar o crescimento de médio prazo e uma transição energética suave, ressaltando a importância de priorização e planejamento adequado para garantir resultados efetivos. “Os investimentos em infraestrutura devem impulsionar o turismo e a atividade doméstica, enquanto a liberalização comercial em andamento, sustentada pelos Acordos Abrangentes de Parceria Econômica, deve fortalecer o comércio e os investimentos estrangeiros diretos. Avançar com uma estrutura fiscal de médio prazo ajudará a coordenar a posição fiscal nacional, promover a sustentabilidade de longo prazo e enfrentar desafios relacionados às mudanças climáticas. O progresso contínuo na coleta e disseminação de dados econômicos reforçará esses esforços.”