Presidente da Colômbia alerta contra uso excessivo de inteligência artificial

DUBAI, 12 de fevereiro de 2025 (WAM) — O presidente da Colômbia, Gustavo Petro Urrego, fez um apelo a líderes mundiais e tomadores de decisão durante a Cúpula Mundial de Governos para que cooperem no enfrentamento das ameaças representadas pela inteligência artificial (IA) e pela crise climática.

Em seu discurso nesta quarta-feira, Urrego destacou o crescimento exponencial da IA e seu potencial de desestabilizar mercados de trabalho, deslocar milhões de trabalhadores e intensificar tensões sociais e étnicas.

Ele alertou que, sem regulamentação adequada, a IA pode levar a uma perda massiva de empregos e ao aumento da migração global, especialmente à medida que as mudanças climáticas tornam vastas regiões inabitáveis.

Ao traçar uma conexão direta entre IA e crise climática, Urrego advertiu que, se o aumento da produtividade impulsionado por IA continuar a depender de combustíveis fósseis, o planeta poderá enfrentar um colapso ambiental catastrófico, deslocando até 3 bilhões de pessoas até 2070.

O presidente colombiano defendeu a necessidade de uma mudança de paradigma na governança global, argumentando que o modelo tradicional de Estado-nação é insuficiente para lidar com desafios interconectados dessa magnitude.

Ele propôs a criação de uma autoridade pública global e multilateral para regulamentar a IA e gerenciar a crise climática, enfatizando a necessidade de que a humanidade atue como uma entidade política unificada.

Urrego destacou que a acumulação digital de conhecimento na nuvem deve ser supervisionada por um órgão público global, em vez de ser controlada por interesses privados ou regulamentações nacionais, para evitar catástrofes econômicas e sociais.

O líder colombiano também ressaltou a importância de promover a criatividade e a liberdade humana como contraponto à mecanização da IA.

"A única forma de combater a inteligência artificial é por meio da criação", afirmou Urrego.

Ele defendeu que apenas a inovação genuinamente humana pode enfrentar os riscos representados por sistemas automatizados, pedindo que os governos priorizem políticas que protejam os trabalhadores e promovam o desenvolvimento sustentável.

O discurso de Urrego terminou com um apelo por ação urgente, alertando que a inação pode levar a uma crise de superprodução, exploração ambiental e deslocamento global sem precedentes. Sua fala reforçou a necessidade de uma nova era de cooperação internacional para garantir a sobrevivência da humanidade e do planeta.

Realizada sob o tema "Moldando os Governos do Futuro", a Cúpula Mundial de Governos deste ano reúne mais de 30 chefes de Estado e governo, mais de 80 organizações internacionais e regionais e 140 delegações governamentais. A agenda inclui 21 fóruns globais que exploram as principais tendências e transformações futuras, mais de 200 sessões interativas com mais de 300 palestrantes — entre presidentes, ministros, especialistas, líderes de pensamento e tomadores de decisão — além de mais de 30 reuniões ministeriais e mesas-redondas com a participação de mais de 400 ministros.

O evento segue até 13 de fevereiro.