ABU DHABI, 14 de fevereiro de 2025 (WAM) — Os Emirados Árabes Unidos, a Etiópia, a União Africana (UA) e a Autoridade Intergovernamental sobre Desenvolvimento (IGAD) realizaram, em Adis Abeba, Etiópia, a Conferência Humanitária de Alto Nível para o Povo do Sudão, no dia 14 de fevereiro de 2025.
O evento contou com a presença do primeiro-ministro da Etiópia, Dr. Abiy Ahmed Ali, do presidente do Quênia, Dr. William Samoei Ruto, do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, do presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, além de representantes da IGAD, de países regionais e internacionais e de grandes organizações humanitárias globais.
A conferência teve como principal objetivo mobilizar apoio regional e global para enfrentar a crise humanitária no Sudão, além de emitir um apelo conjunto por uma trégua humanitária durante o mês do Ramadã. Diversos países aderiram ao pedido dos Emirados Árabes por uma pausa humanitária e pelo fim da guerra.
O ministro de Estado dos Emirados Árabes, xeique Shakhboot bin Nahyan Al Nahyan, destacou a importância do encontro e ressaltou o compromisso do país em aliviar o sofrimento do povo sudanês: "Hoje, às vésperas do mês sagrado do Ramadã, os Emirados Árabes, juntamente com o governo da Etiópia, a UA e a IGAD, reuniram nações e organizações internacionais em Adis Abeba para reafirmar o compromisso de aliviar o sofrimento."
O xeique enfatizou que esta é a primeira conferência humanitária para o Sudão em 2025, servindo como um marco para futuros encontros destinados a ajudar a população sudanesa. “Os Emirados Árabes continuam a trabalhar com parceiros regionais, africanos e internacionais para fornecer assistência por todos os meios disponíveis.”
O xeique Shakhboot bin Nahyan também fez um apelo direto às partes em conflito: "Pedimos que os grupos beligerantes respeitem este período sagrado e implementem um cessar-fogo humanitário, garantindo o acesso seguro, urgente e irrestrito à ajuda essencial para os mais necessitados, especialmente crianças, idosos e mulheres."
A autoridade emirática ressaltou que não pode haver veto ao acesso humanitário, exortando a comunidade internacional a redobrar seus esforços para garantir que a ajuda chegue aos necessitados.
O ministro acrescentou que os Emirados Árabes Unidos continuam entre os principais países a fornecer assistência humanitária ao Sudão. Durante a conferência, foi anunciado um adicional de US$ 200 milhões em ajuda humanitária, elevando a contribuição total do país para US$ 600,4 milhões desde o início do conflito.
Nos últimos dez anos, os Emirados Árabes destinaram aproximadamente US$ 3,5 bilhões em ajuda humanitária ao Sudão, reafirmando seu compromisso com o desenvolvimento e a estabilidade do país.
O xeique Shakhboot bin Nahyan reiterou a posição firme dos Emirados Árabes na defesa de um cessar-fogo imediato e no enfrentamento da crise humanitária por meio de assistência urgente e eficaz.
Chamado à paz e estabilidade
O primeiro-ministro da Etiópia, Dr. Abiy Ahmed Ali, enfatizou os laços históricos entre Etiópia e Sudão: "Como vizinho próximo e nação irmã, a Etiópia se solidariza com o povo sudanês nestes tempos difíceis. Nossos dois países são profundamente interdependentes, unidos por gerações de lutas compartilhadas, aspirações e laços culturais."
"Nos últimos seis anos, a Etiópia tem apoiado ativamente a paz e a estabilidade do Sudão e contribuído para seus esforços econômicos, fornecendo eletricidade por meio de uma linha de transmissão dedicada."
Moussa Faki Mahamat, presidente da Comissão da União Africana, declarou que o conflito intolerável no Sudão é uma prova do fracasso de liderança dos beligerantes em oferecer ao seu país e a todos os sudaneses uma chance de paz, justiça, dignidade e uma pátria segura. "Esta situação e a recusa contínua daqueles que perpetuam esse conflito forçado a libertar o Sudão da guerra e da fragmentação representam um dos maiores fracassos morais e políticos da história. Reitero, mais uma vez, o apelo para que as Forças Armadas Sudanesas, as Forças de Apoio Rápido e seus aliados adotem imediata e incondicionalmente um cessar-fogo permanente e abrangente."
Mahamat adicionou esse cenário abrirá caminho para um diálogo político inclusivo no Sudão, que permitirá abordar as causas profundas do conflito e restabelecer a ordem constitucional e os padrões institucionais do país.
O secretário executivo da IGAD, Dr. Workneh Gebeyehu, reforçou a necessidade de ações concretas: "O futuro de milhões de sudaneses está em jogo, e a história nos cobra responsabilidade. Devemos ir além das promessas e focar em intervenções coordenadas que realmente aliviem o sofrimento e estabeleçam as bases para a recuperação do Sudão."