DCT Abu Dhabi descobre primeira grande necrópole da Idade do Ferro na região de Al Ain

ABU DHABI, 21 de abril de 2025 (WAM) — O Departamento de Cultura e Turismo de Abu Dhabi (DCT Abu Dhabi) anunciou a descoberta da primeira grande necrópole da Idade do Ferro nos Emirados Árabes Unidos.

A necrópole, com cerca de 3 mil anos, foi encontrada na região de Al Ain por arqueólogos da Seção de Arqueologia do Departamento de Patrimônio Histórico do DCT. O sítio arqueológico inclui provavelmente mais de cem túmulos com diversos artefatos funerários e lança nova luz sobre um capítulo até então desconhecido do patrimônio histórico do país.

Jaber Saleh Al Merri, diretor do Departamento de Patrimônio Histórico do DCT Abu Dhabi, afirmou que a descoberta tem potencial para transformar a compreensão sobre os antigos Emirados. “Durante anos, as tradições funerárias da Idade do Ferro permaneceram um mistério, mas agora temos evidências concretas que nos aproximam das pessoas que viveram aqui há três milênios. Isso reforça nossos esforços para preservar, promover e proteger o patrimônio de Abu Dhabi para as futuras gerações.”

A descoberta integra os esforços contínuos do DCT Abu Dhabi para compreender melhor a história e as comunidades antigas da Península Arábica. Sendo a necrópole com câmaras funerárias da Idade do Ferro mais bem preservada e documentada até hoje, o novo sítio arqueológico oferece uma visão rara da dinâmica social, cultural e econômica da região em um momento-chave de seu desenvolvimento.

Todos os túmulos localizados até o momento haviam sido saqueados na antiguidade. Os restos humanos estavam em condição frágil, e uma equipe de arqueólogos forenses, incluindo um osteoarqueólogo, acompanhou as escavações para garantir que os ossos fossem tratados com cuidado e respeito. Análises laboratoriais ajudarão a revelar idade, sexo e condições de saúde, enquanto estudos de DNA antigo devem lançar luz sobre relações familiares e movimentos migratórios.

Os túmulos foram construídos a partir da escavação de um poço com cerca de dois metros de profundidade, seguido por uma escavação lateral para formar uma câmara oval. Após a colocação do corpo e dos bens funerários, a entrada era selada com tijolos de barro ou pedras, e o poço, preenchido. A ausência de marcadores na superfície explica por que túmulos da Idade do Ferro nunca haviam sido encontrados anteriormente na região de Al Ain.

Pequenos fragmentos de joias de ouro que escaparam aos saqueadores indicam o que poderia ter sido encontrado originalmente. Apesar disso, os bens funerários preservados são notáveis: itens decorados com esmero, produzidos com alto nível de habilidade em cerâmica, pedra entalhada e metalurgia.

Foram encontrados conjuntos de recipientes para bebida — como vasos com bico, tigelas e pequenas taças —, além de armas de liga de cobre, como pontas de lança e flechas. Algumas ainda conservam vestígios de madeira e fios das hastes, e uma delas parece conter traços da aljava original. Também foram descobertos objetos pessoais, como recipientes cosméticos de concha, colares e pulseiras de contas, anéis e navalhas.

A Idade do Ferro teve papel decisivo no desenvolvimento da paisagem de oásis da região de Al Ain. A invenção do falaj — um sistema de irrigação subterrâneo — há cerca de 3 mil anos, no início da Idade do Ferro, desencadeou um processo contínuo de intensificação agrícola que moldou a paisagem típica dos Emirados Árabes Unidos.

A região abriga vilarejos, fortalezas, templos, sistemas de irrigação (aflaj) e plantações de tamareiras antigos. Arqueólogos atuam em Al Ain há mais de 65 anos, mas os cemitérios e rituais funerários da Idade do Ferro permaneceram desconhecidos até agora.

Tatiana Valente, arqueóloga de campo do DCT Abu Dhabi, afirmou: “Sabemos como os povos da Idade do Bronze e do período pré-islâmico enterravam seus mortos, mas a Idade do Ferro sempre foi uma peça que faltava. Agora podemos entender como os costumes funerários evoluíram e o que essas mudanças revelam sobre as crenças e tradições dos povos que viveram aqui.”

A descoberta faz parte do projeto Paisagens Funerárias de Al Ain, criado em 2024 para investigar o número crescente de túmulos pré-históricos encontrados durante o monitoramento arqueológico de obras. A iniciativa integra o compromisso do DCT Abu Dhabi com a pesquisa do sítio de Al Ain, reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco desde 2011 por seu valor universal excepcional.

Essa nova descoberta aprofunda o conhecimento sobre as culturas pré-históricas da região e sobre o uso da água em uma paisagem marcada por oásis, desertos e montanhas.