ABU DHABI, 1º de maio de 2025 (WAM) — Um painel intitulado “Patrimônio pela Paz: Protegendo Sítios Históricos em Zonas de Conflito” foi realizado nesta quinta-feira durante a Feira Internacional do Livro de Abu Dhabi 2025, com a participação da ministra de Estado dos Emirados Árabes Unidos, Noura Al Kaabi, e do ministro da Cultura do Líbano, Ghassan Salamé.
A sessão abordou o papel essencial do patrimônio cultural na promoção da paz e na reconstrução de sociedades afetadas por conflitos. Ambos os palestrantes destacaram que preservar o patrimônio funciona como uma ponte para a paz e um pilar para a preservação da identidade em comunidades devastadas pela guerra.
Noura Al Kaabi apresentou iniciativas lideradas pelos Emirados que mostram como a proteção de sítios culturais pode contribuir para a recuperação no pós-conflito. Ela ressaltou o projeto “Reviver o Espírito de Mossul”, conduzido pela Unesco e apoiado pelos Emirados, que está reconstruindo marcos históricos como a Mesquita Al-Nouri e a Igreja Al-Tahera, em Mossul, no Iraque. Mais de 1.700 jovens iraquianos já foram treinados por meio da iniciativa para restaurar patrimônios históricos e ajudar na reconstrução comunitária.
“A proteção da cultura, tanto material quanto imaterial, é uma prioridade para os Emirados”, afirmou Al Kaabi, enfatizando que a preservação do patrimônio é uma responsabilidade coletiva e “parte integrante do diálogo humano e da construção de pontes entre os povos”. Segundo ela, o patrimônio cultural representa um componente fundamental da identidade das comunidades e estabelece as bases para a paz e a estabilidade.
Al Kaabi também destacou o papel dos Emirados na Aliança Internacional para a Proteção do Patrimônio em Áreas de Conflito (ALIPH), lançada em parceria com a França. Por meio da ALIPH, os Emirados já apoiaram mais de 500 projetos ao redor do mundo voltados à proteção e restauração de bens culturais. Essas ações, explicou a ministra, estão alinhadas à visão mais ampla do país de promover a conscientização global sobre o valor do patrimônio como alicerce de um futuro sustentável para as próximas gerações. As parcerias internacionais reforçam a importância do financiamento e da ação conjunta na preservação da história comum da humanidade.
Por sua vez, o ministro Ghassan Salamé elogiou as contribuições dos Emirados e defendeu a adoção de abordagens inclusivas e orientadas pela comunidade na preservação do patrimônio. “A restauração do patrimônio não deve ser responsabilidade apenas das organizações internacionais — é preciso um esforço conjunto que envolva as populações locais e suas instituições, especialmente em países que enfrentam dificuldades econômicas”, afirmou. Ele citou como exemplo o sucesso da reconstrução em Mossul, que chamou de “modelo bem-sucedido de colaboração internacional e local na recuperação do patrimônio”.
O ministro libanês também compartilhou iniciativas do seu país, como um projeto liderado por jovens para reabilitar áreas históricas de Beirute após a explosão no porto em 2020, além de ações comunitárias em Trípoli que contribuíram para a reconciliação social. Esses casos, segundo ele, demonstram o poder dos projetos culturais na superação de divisões sociais e na reconstrução da esperança.
Tanto Noura Al Kaabi quanto Ghassan Salamé enfatizaram que o patrimônio cultural vai além das estruturas físicas — ele é fonte de identidade, orgulho e continuidade para as comunidades. Ambos concordaram que a preservação do patrimônio em zonas de conflito não apenas protege a história, mas também une as pessoas e restaura a normalidade.
O painel foi encerrado com um apelo por maior cooperação internacional e compromisso com essa causa. Os palestrantes incentivaram governos, agências internacionais e atores locais a integrarem a proteção do patrimônio às políticas de construção da paz, ampliarem o financiamento para projetos de restauração e apoiarem iniciativas comunitárias. Afirmaram ainda que esses esforços conjuntos garantirão que os sítios históricos sobrevivam como símbolos de resiliência e pontes de paz para as futuras gerações.