HAIA, 5 de maio de 2025 (WAM) — A embaixadora dos Emirados Árabes Unidos no Reino dos Países Baixos, Ameirah AlHefeiti, afirmou que, após mais de dois anos de catástrofe humanitária enfrentada pelo povo sudanês, é hora de pôr fim imediato às mortes, silenciar as armas e encerrar a exploração política e militar da ajuda humanitária.
Ela defendeu um futuro para o Sudão baseado em fundamentos sólidos de paz e justiça, por meio de um consenso político que leve à criação de uma liderança civil independente, livre da dominação militar.
Em entrevista concedida nesta segunda-feira à Agência de Notícias dos Emirados (WAM), em Haia, AlHefeiti declarou: “Diante dessa crise humanitária catastrófica e sangrenta, é imprescindível que a comunidade internacional atue com rapidez e firmeza para pôr fim ao sofrimento e criar condições reais para um caminho rumo à paz.
“A comunidade internacional deve assumir sua responsabilidade e pressionar ambas as partes em conflito a aceitarem soluções diplomáticas. As Forças Armadas do Sudão precisam ser compelidas a deixar de fugir de suas obrigações com a paz e com os esforços sérios para encerrar a guerra, que segue em escalada sem qualquer consideração pela magnitude do sofrimento que ultrapassou todos os limites.”
Ela acrescentou que os militares sudaneses continuam a negar responsabilidade pela tragédia e recorrem a manobras enganosas para atribuir a outros a destruição, o deslocamento forçado e as tragédias que provocaram — um caminho que, segundo ela, levará apenas à desintegração do Sudão e à sua transformação em um Estado falido.
AlHefeiti reiterou que a posição dos Emirados tem sido clara desde o início do conflito: um cessar-fogo imediato, permanente e incondicional, com as partes beligerantes entrando em negociações com verdadeira disposição para alcançar a paz. “Desde o começo, deixamos claro — e agora, mais de dois anos de mortes e destruição confirmam essa verdade incontestável — não existe solução militar para esse conflito. A única forma de alcançar paz, estabilidade e segurança é por meio de uma solução política que reflita a vontade do povo sudanês”, afirmou.
Questionada sobre a ajuda humanitária fornecida pelos Emirados ao povo do Sudão, a embaixadora destacou o compromisso sólido e de princípios do país, baseado em valores fraternos, éticos e árabes, de apoiar o povo sudanês. Lembrou que esse apoio antecede a atual crise, com os Emirados sendo um dos principais parceiros de desenvolvimento do Sudão em diversos setores.
Nos últimos dez anos, os Emirados forneceram mais de US$ 3,5 bilhões em ajuda ao país africano e, desde o início do conflito, mais de US$ 600 milhões em assistência humanitária — incluindo US$ 200 milhões anunciados durante a Conferência Humanitária de Alto Nível para o Sudão, realizada em fevereiro, em Adis Abeba. Esse foi o primeiro evento de 2025 voltado à organização de futuras conferências de apoio.
Ao ser questionada sobre a campanha das Forças Armadas sudanesas para distorcer o papel humanitário dos Emirados, AlHefeiti respondeu que o país não se deixará distrair por esse tipo de ataque ou invenção, mantendo o foco em sua missão principal: aliviar o desastre humanitário causado pelas forças militares sudanesas.
“A insistência em negar responsabilidade revela o total desprezo pelo sofrimento do povo sudanês. Ainda assim, os Emirados, como sempre fizeram, continuam ao lado do povo irmão do Sudão, até que a paz seja restaurada e o país recupere seu lugar legítimo como nação estável, soberana e protagonista na promoção da estabilidade regional e internacional”, concluiu.