Imprensa internacional destaca rejeição da CIJ à ação das Forças Armadas sudanesas e pede fim de conflito inútil

CAPITAIS, 6 de maio de 2025 (WAM) – Veículos de imprensa de diferentes países classificaram a decisão da Corte Internacional de Justiça (CIJ) de rejeitar a ação movida pelas Forças Armadas do Sudão (SAF, na sigla em inglês) contra os Emirados Árabes Unidos como uma firme recusa ao que consideraram uma tentativa de desviar a responsabilidade pelo conflito em curso no país africano.

Analistas e comentaristas ressaltaram que os militares sudaneses deveriam ter priorizado o fim da guerra e buscado a cooperação com parceiros regionais e internacionais para restaurar a estabilidade no Sudão.

A cobertura internacional enfatizou as consequências humanitárias da guerra civil, que já é considerada uma das piores crises do mundo, iniciada em abril de 2023.

A CNN destacou que a CIJ rejeitou a denúncia do Sudão, que acusava os Emirados de violar a Convenção sobre Genocídio. A emissora citou a vice-ministra assistente para Assuntos Políticos do Ministério das Relações Exteriores dos Emirados, Reem Ketait: “Esta decisão é uma afirmação clara e decisiva de que a ação não tinha qualquer fundamento.”

“A constatação da Corte de que não tem jurisdição apenas confirma que o processo jamais deveria ter sido aberto”, afirmou Ketait. “A decisão representa uma rejeição contundente da tentativa das SAF de instrumentalizar a Corte em sua campanha de desinformação e de desviar a atenção de sua própria responsabilidade.”

A Associated Press (AP) lembrou que o Sudão mergulhou em um conflito sangrento a partir de meados de abril de 2023 e que o processo apresentado pelas autoridades sudanesas foi rejeitado depois que os juízes concluíram que a CIJ não tinha competência para dar prosseguimento ao caso.

O The Guardian noticiou que a CIJ retirou completamente a ação da pauta e citou novamente Reem Ketait: “Os fatos falam por si: os Emirados Árabes Unidos não têm qualquer responsabilidade pelo conflito no Sudão. Pelo contrário, as atrocidades cometidas pelas partes envolvidas estão amplamente documentadas.”

Segundo o jornal britânico, “o conflito, que se arrasta desde abril de 2023, provocou uma das piores crises humanitárias do mundo, apesar dos esforços internacionais de paz.”

A Russia Today noticiou que o governo dos Emirados acolheu com satisfação a decisão da Corte, classificando-a como uma “rejeição categórica das falsas alegações do Sudão.” A emissora também destacou a declaração de Reem Ketait: “A decisão confirma de forma clara e inequívoca que o processo carece de mérito... [e] representa uma rejeição decisiva da tentativa das Forças Armadas sudanesas de usar a Corte para espalhar desinformação e fugir de sua responsabilidade no conflito.”

O jornal Al-Arab descreveu a decisão da CIJ como uma vitória política dos Emirados, diante das tentativas das SAF de transferir a culpa pelo início e prolongamento da guerra, e de bloquear avanços rumo a um acordo político, mesmo com diversas iniciativas regionais e internacionais.

A publicação também citou observadores segundo os quais a ação judicial dos militares sudaneses representou uma tática para ganhar tempo e evitar prestar contas pelo fracasso em restabelecer a estabilidade após o golpe contra a transição democrática e o governo civil — movimento que desencadeou a guerra civil de abril de 2023.

Diversos jornalistas e analistas políticos criticaram a iniciativa do general Abdel Fattah al-Burhan, classificando-a como mal fundamentada, juridicamente frágil e diplomática e politicamente equivocada. Para eles, a ação teve como único objetivo desviar o foco das falhas da liderança militar.

Eles também afirmaram que os responsáveis pela ação não representam o povo sudanês, que continua sofrendo as consequências devastadoras da guerra, enquanto essa facção busca ganhos políticos em detrimento da população.

Os analistas reforçaram que as Forças Armadas sudanesas deveriam ter concentrado esforços em pôr fim ao conflito e buscar o apoio de aliados regionais e internacionais para restaurar a estabilidade no país.

Além disso, destacaram que os Emirados Árabes Unidos vêm desempenhando papel ativo e construtivo em apoio ao povo sudanês, tanto em termos diplomáticos quanto humanitários.