Decisão da União Europeia reflete esforço nacional dos Emirados para proteger sistema financeiro, diz secretário do comitê contra lavagem de dinheiro

ABU DHABI, 10 de julho de 2025 (WAM) — O secretário-geral e vice-presidente do Comitê Nacional de Combate à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo e de Organizações Ilegais (NAMLCFTC, na sigla em inglês), Hamid Saif Al Zaabi, afirmou que a retirada dos Emirados Árabes Unidos da lista da União Europeia de países terceiros de alto risco representa o reconhecimento da dimensão dos esforços nacionais para proteger o sistema financeiro e econômico do país, em conformidade com os mais altos padrões internacionais.

Em entrevista à Agência de Notícias dos Emirados (WAM), Al Zaabi destacou que a medida do Parlamento Europeu, anunciada na quarta-feira (09/07), reflete não apenas o cumprimento de requisitos técnicos, mas sobretudo o empenho do país em consolidar um arcabouço nacional sustentável e abrangente no combate aos crimes financeiros.

Segundo ele, esse avanço é resultado direto do trabalho sistemático e intensivo conduzido pelo comitê e sua secretaria, com melhorias técnicas perceptíveis em todos os níveis e colaboração efetiva entre os setores público e privado.

Al Zaabi ressaltou que os Emirados seguem desenvolvendo seu sistema de prevenção e fortalecendo a cooperação com instituições internacionais e parceiros globais, com o objetivo de permanecer entre as nações mais avançadas na proteção contra crimes financeiros. Ele destacou o papel central do Comitê Superior responsável pela supervisão da Estratégia Nacional de Combate à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo, presidido pelo xeique Abdullah bin Zayed Al Nahyan, vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores. Segundo ele, esse comitê tem liderado os esforços nacionais com ações concretas, em coordenação com entidades públicas e privadas.

Al Zaabi lembrou que os Emirados implementaram uma estratégia nacional clara desde 2024, aprovada pelo Conselho de Ministros, baseada em um plano de ação detalhado para cada autoridade envolvida e fundamentado em uma avaliação de riscos nacional que abrangeu diversos setores. Ele elogiou ainda o engajamento do setor privado, que hoje reconhece os riscos e contribui ativamente para a eficácia do sistema de combate aos crimes financeiros.

O secretário afirmou que, ao longo de 2025, o país intensificou seus esforços com oficinas, campanhas de conscientização sobre riscos emergentes identificados na avaliação nacional, além do aperfeiçoamento contínuo dos marcos legais e regulatórios.

Al Zaabi antecipou que o ano ainda trará avanços legislativos que reforçarão a estrutura jurídica contra a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo, ampliando a conformidade plena com os padrões internacionais.

Observou também que os Emirados mantêm leis claras e rigorosas contra crimes financeiros, o que fortalece sua credibilidade internacional, garante mais transparência e torna o país um destino mais atrativo para investimentos. O compromisso com a atualização constante da legislação, segundo ele, demonstra a disposição dos Emirados em acompanhar os avanços globais e as melhores práticas.

Al Zaabi destacou ainda a importância da cooperação internacional, especialmente com os países europeus, para viabilizar a troca de informações, a realização de operações conjuntas e o intercâmbio de treinamentos e conhecimento. Para ele, essa cooperação é essencial diante da crescente vinculação entre crimes financeiros, tecnologias digitais e ativos virtuais. A facilidade das transações online e o acesso à internet tornam imprescindível o compartilhamento de informações para interromper fluxos ilícitos de recursos.

O secretário também mencionou os esforços dos Emirados no desenvolvimento de lideranças e capacitação nacional, por meio de parcerias com instituições especializadas e da realização de oficinas, levantamentos e ações de conscientização voltadas às novas tendências criminosas, garantindo que os setores público e privado estejam preparados para lidar com os riscos emergentes.

A decisão do Parlamento Europeu deve facilitar as negociações de um acordo de livre comércio entre os Emirados Árabes Unidos e a União Europeia. A expectativa é de que haja um aumento de 3% no investimento estrangeiro direto no país, em razão da redução do risco percebido. A medida também deve simplificar as transações financeiras internacionais e reduzir barreiras de conformidade para instituições financeiras sediadas nos Emirados que atuam com parceiros europeus, fortalecendo a confiança dos investidores na credibilidade do país.