ABU DHABI, 25 de agosto de 2025 (WAM) — O ministro do Comércio Exterior, Thani bin Ahmed Al Zeyoudi, afirmou que o Acordo de Parceria Econômica Abrangente (CEPA) entre os Emirados Árabes Unidos e Angola fortalece os laços do país com os mercados da África Subsaariana e da África Ocidental, regiões de alto crescimento que buscam acelerar o desenvolvimento por meio de investimentos estratégicos e parcerias consolidadas.
Em entrevista à Agência de Notícias dos Emirados (WAM), Al Zeyoudi destacou que Angola é um dos países mais promissores da região, devido à população jovem, à abundância de recursos naturais e ao crescimento de 4,4% do PIB registrado em 2024. Ele afirmou que o acordo amplia o comércio bilateral, principalmente nos setores de pedras preciosas, minerais, mineração, comércio digital e tecnologia agrícola, e ressaltou que a localização estratégica de Angola na costa atlântica do sul da África dá ao país potencial para se tornar um centro logístico regional.
Al Zeyoudi lembrou que as relações entre os Emirados Árabes Unidos e Angola, estabelecidas em 1997, vêm registrando avanços significativos. Em 2024, o comércio bilateral não relacionado ao petróleo somou US$ 2,17 bilhões, um aumento de 2,6% em relação a 2023. As exportações não petrolíferas dos Emirados para Angola atingiram US$ 135,6 milhões, enquanto o comércio bilateral no primeiro semestre de 2025 chegou a aproximadamente US$ 1,4 bilhão, representando alta de 29,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Em 2024, as principais importações dos Emirados de Angola incluíram diamantes, ouro, cobre, ligas metálicas e grãos, representando 99,8% do total, enquanto os Emirados exportaram principalmente destilados leves de petróleo, ferro e aço, estruturas metálicas, válvulas, cigarros e perfumes, que corresponderam a 50% do total exportado. As reexportações para Angola foram lideradas por veículos médios e grandes, caminhões a diesel, peças de reposição e componentes mecânicos, também representando 50% do total reexportado.
O ministro destacou ainda que existem amplas oportunidades para expandir rapidamente o comércio e os investimentos em setores estratégicos, como energia, infraestrutura, mineração, logística, turismo e saúde. Ele mencionou projetos importantes de empresas dos Emirados em Angola, como o da Abu Dhabi Future Energy Company (Masdar), que está desenvolvendo um projeto solar de 150 megawatts para fornecer energia renovável a cerca de 90 mil residências; o da Dubai Investments, responsável pela construção do Dubai Investments Park – Angola em uma área de dois mil hectares; e o do AD Ports Group, que iniciou a operação de um terminal multipropósito no Porto de Luanda.
Al Zeyoudi afirmou que o CEPA com Angola é um pilar essencial para o alcance das metas econômicas dos Emirados Árabes Unidos, que pretendem elevar o valor do comércio exterior para 4 trilhões de dirhams (US$ 1,1 trilhão) até 2031 e dobrar as exportações no mesmo período. Segundo ele, o acordo permitirá eliminar ou reduzir tarifas, remover barreiras comerciais, abrir mercados para exportações de serviços, criar mecanismos eficazes de resolução de disputas e estabelecer um marco abrangente para o comércio digital.
O ministro projetou que o CEPA aumentará o comércio bilateral não petrolífero para mais de US$ 10 bilhões por ano até 2033, além de acrescentar cerca de US$ 1 bilhão ao PIB dos dois países e gerar aproximadamente 30 mil novos empregos. Ele destacou ainda que o acordo reforçará o papel dos Emirados Árabes Unidos como hub global de cadeias de suprimentos e elo estratégico entre o mundo árabe, a Europa, a Ásia e a África.
Al Zeyoudi explicou que o acordo é equilibrado e mutuamente benéfico, ao permitir maior importação de produtos angolanos, estimada em até US$ 993,6 milhões, como vidros, peixes, frutas e artigos ópticos, além de ampliar as exportações dos Emirados para Angola em até US$ 235 milhões, com destaque para máquinas, equipamentos elétricos, plásticos, borracha, metais ferrosos, produtos químicos e minerais. Ele acrescentou que o CEPA também aprofundará a cooperação em serviços nos setores de negócios, logística, construção, engenharia, saúde, educação, meio ambiente, finanças, telecomunicações, turismo e viagens.
O ministro lembrou que os serviços representam cerca de 40% do PIB de Angola, sendo o segundo maior setor econômico do país, e destacou que o acordo beneficiará pequenas e médias empresas (PMEs) ao reduzir restrições comerciais e criar uma plataforma de colaboração entre centros de apoio, incubadoras, aceleradoras, polos de exportação e projetos liderados por jovens, mulheres e startups. Um comitê específico será criado para apoiar esse segmento e ampliar oportunidades.
Por fim, Al Zeyoudi informou que o acordo entrará em vigor assim que forem concluídos os trâmites de ratificação pelos dois países. Com a implementação, os benefícios imediatos incluirão processos aduaneiros simplificados, redução de tarifas e maior acesso a mercados.