Emirados, Egito, Arábia Saudita e Estados Unidos divulgam declaração conjunta sobre paz e segurança no Sudão

ABU DHABI, 12 de setembro de 2025 (WAM) – O QUAD – formado por Emirados Árabes Unidos, Egito, Arábia Saudita e Estados Unidos – divulgou uma declaração conjunta sobre os esforços para restaurar a paz e a segurança no Sudão.

Segundo o texto, os ministros das Relações Exteriores dos quatro países, reunidos a convite dos Estados Unidos, realizaram amplas consultas sobre o conflito sudanês, lembrando que a guerra desencadeou a pior crise humanitária do mundo e representa graves riscos à paz e à segurança regionais.

Os ministros concordaram em torno de cinco princípios:

  1. Soberania e integridade territorial – A soberania, unidade e integridade territorial do Sudão são essenciais para a paz e a estabilidade.
  2. Impossibilidade de solução militar – Não há saída militar viável para o conflito, e a manutenção do status quo provoca sofrimento inaceitável e riscos à segurança.
  3. Acesso humanitário – Todas as partes devem facilitar acesso rápido, seguro e irrestrito da ajuda humanitária, proteger civis em conformidade com o direito internacional humanitário e com seus compromissos sob a Declaração de Jeddah, além de cessar ataques indiscriminados contra infraestrutura civil.
  4. Governança futura – O futuro do Sudão deve ser decidido pelo povo sudanês por meio de um processo de transição inclusivo e transparente, não controlado por facções armadas. Para isso, pedem uma trégua humanitária inicial de três meses que permita a entrada rápida de ajuda, seguida de cessar-fogo permanente. Depois, um processo de transição inclusivo deve ser concluído em até nove meses, levando à formação de um governo civil independente, legítimo e responsável, essencial para a estabilidade de longo prazo e preservação das instituições estatais. O texto ressalta que o futuro do Sudão não pode ser ditado por grupos extremistas violentos ligados à Irmandade Muçulmana.
  5. Fim do apoio militar externo – O fornecimento de apoio militar externo às partes em conflito só prolonga a guerra e aumenta a instabilidade regional. É fundamental pôr fim a esse apoio.

Além disso, os ministros se comprometeram a: apoiar um acordo negociado com a participação ativa das Forças Armadas Sudanesas (SAF) e das Forças de Apoio Rápido (RSF); pressionar pela proteção de civis e da infraestrutura civil; garantir o fluxo de ajuda humanitária; promover condições para a segurança da região do Mar Vermelho; combater ameaças transnacionais de terrorismo e extremismo; e impedir que atores desestabilizadores internos ou externos se beneficiem da continuidade do conflito.

A declaração reafirma o compromisso dos quatro países em restaurar a paz e aliviar o sofrimento do povo sudanês, além da disposição em cooperar com Estados africanos e árabes, a ONU e parceiros internacionais. Os ministros também discutiram necessidades urgentes de assistência humanitária e de recuperação inicial, destacando a importância de mobilizar a comunidade internacional.

Por fim, confirmaram a intenção de continuar com consultas e reuniões em nível ministerial e técnico para coordenar esforços pelo fim do conflito e pela transição política inclusiva e transparente. O texto manifesta apoio ao processo de Jeddah, conduzido por Arábia Saudita e Estados Unidos, para alcançar um cessar-fogo permanente, e à iniciativa egípcia de diálogo com forças civis e políticas sudanesas, cujo primeiro encontro ocorreu no Cairo em julho de 2024. O grupo voltará a se reunir ainda este mês.