DUBAI, 15 de dezembro de 2025 (WAM) — A edição de 2026 da World of Coffee Dubai deve ser a mais diversa do evento em participação internacional, com ampliação de países de origem, pavilhões nacionais e organizações de produtores da África, da América Latina e da Ásia.
Marcada para 18 a 20 de janeiro de 2026, no Dubai World Trade Centre, a quinta edição é organizada pela DXB LIVE, em parceria com a Specialty Coffee Association (SCA, na sigla em inglês), reforçando a posição de Dubai como polo regional de café especial.
Oito pavilhões nacionais participarão, incluindo Etiópia, Índia, Arábia Saudita, Costa Rica, El Salvador, Panamá e Brasil. Quênia e Peru estreiam no evento. Colômbia, Guatemala, Indonésia, México e Ruanda voltarão com delegações maiores, reforçando o papel da feira como plataforma global de conexão com países de origem do café.
A edição de 2026 reunirá mais de 76 produtores — recorde do evento —, segundo a organização, e reflete a crescente relevância dos mercados do Oriente Médio no comércio global de café.
A área Producers Village terá 14 espaços selecionados para contato direto entre produtores, compradores, torrefadores e importadores, com apresentação de diferentes terroirs e métodos de processamento. Três leilões diários devem oferecer aos compradores acesso a microlotes raros e cafés ainda inéditos na região.
A feira também contará com conselhos nacionais do café e entidades de exportação, como a Associação Brasileira de Cafés Especiais, o Instituto del Café de Costa Rica, a Specialty Coffee Association of Panama, a PROMPERÚ, a Ethiopian Coffee and Tea Authority, a Kenya Coffee Directorate e a Saudi Coffee Company, ampliando a representação de origens e refletindo o interesse global no mercado de café especial do Conselho de Cooperação do Golfo.
Tendências recentes de exportação indicam maior alinhamento às preferências de compradores do Oriente Médio. O Quênia registrou alta de 12% nas exportações de café em 2024, impulsionada por aumento da demanda de torrefadores sediados no Golfo. A Etiópia, maior produtora de café da África, gerou US$ 2,65 bilhões (cerca de 10 bilhões de dirhams) em exportações em 2024/2025, com impulso da demanda nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita. As exportações totais de café da África cresceram 8% na comparação anual no fim de 2024, sinalizando maior procura internacional por cafés de padrão especial.
O crescimento acompanha a evolução do ecossistema regional de café especial, com torrefadores favorecendo torras mais claras e perfis inovadores. Produtores passaram a priorizar Dubai como ponto estratégico de entrada no Oriente Médio, o que, segundo a organização, reforça a importância do evento para a formação de relações comerciais e o avanço do comércio direto.
A gerente da exposição World of Coffee Dubai, Shouq Bin Redha, afirmou que a escala e a diversidade da participação de países de origem refletem uma mudança estrutural no movimento global do café. Segundo ela, produtores deixaram de ver o Oriente Médio como mercado periférico e passaram a orientar estratégias de exportação para a região. Ela citou a estreia do Quênia e do Peru e a ampliação de delegações de origens tradicionais como sinais de que Dubai se consolidou como ponto de encontro do comércio global de café, onde qualidade, estratégia de compra e oportunidades de negócios convergem.
Khalid Al Mulla, CEO do capítulo dos Emirados Árabes Unidos da Specialty Coffee Association, afirmou que a comunidade de café especial na região se tornou mais sofisticada, mais curiosa e muito mais orientada pela qualidade. “Torrefadores buscam relações significativas e de longo prazo com os países de origem. Consumidores procuram diversidade de sabores e histórias. Produtores respondem com um nível de engajamento e investimento que nunca vimos antes. A World of Coffee Dubai 2026 capta esse momento, em que a cultura global de origem e a demanda regional se alinham de uma forma que está redesenhando o futuro do mercado de café especial no Oriente Médio.”