WASHINGTON, 13 de janeiro de 2026 (WAM) — O Banco Mundial projeta que a economia dos Emirados Árabes Unidos cresça 5% em 2026 e avance para 5,1% em 2027, segundo a edição mais recente do relatório Global Economic Prospects, divulgada nesta terça-feira (13/01). O documento afirma que a economia global tem se mostrado mais resistente do que o esperado, apesar das tensões comerciais persistentes e da incerteza em torno de políticas econômicas.
A instituição estima que o crescimento mundial permaneça relativamente estável nos próximos dois anos, com desaceleração para 2,6% em 2026 e alta para 2,7% em 2027, em revisão para cima em relação à projeção divulgada em junho.
O Banco Mundial atribui parte da resiliência ao desempenho acima do previsto, especialmente nos Estados Unidos, que respondem por cerca de dois terços da revisão positiva para 2026. Ainda assim, se as projeções se confirmarem, a década de 2020 caminha para ser a mais fraca em crescimento global desde os anos 1960.
O relatório aponta que o ritmo lento de expansão tem ampliado as diferenças de padrões de vida no mundo. Ao fim de 2025, a renda per capita em quase todas as economias avançadas superou os níveis de 2019, enquanto cerca de um em cada quatro países em desenvolvimento ainda permaneceu abaixo desse patamar.
No plano regional, o Banco Mundial prevê que o crescimento dos países do Conselho de Cooperação do Golfo aumente para 4,4% em 2026 e 4,6% em 2027. Já a região do Oriente Médio e Norte da África, Afeganistão e Paquistão deve crescer 3,6% em 2026 e 3,9% em 2027.
Em 2025, o crescimento global foi impulsionado por um aumento do comércio antes de mudanças de política e por ajustes rápidos nas cadeias globais de suprimentos. O Banco Mundial prevê que esses efeitos percam força em 2026, com enfraquecimento do comércio e da demanda interna. A instituição avalia, porém, que a melhora das condições financeiras globais pode ajudar a amortecer a desaceleração.
A inflação global deve cair para 2,6% em 2026, refletindo mercado de trabalho menos aquecido e preços de energia mais baixos. O crescimento tende a ganhar fôlego em 2027, com a adaptação dos fluxos comerciais e a redução da incerteza sobre políticas.
“A cada ano, a economia global parece menos capaz de gerar crescimento e, ao mesmo tempo, mais resistente à incerteza de políticas”, disse Indermit Gill, economista-chefe do Grupo Banco Mundial e vice-presidente sênior de Economia do Desenvolvimento.
O relatório projeta que as economias em desenvolvimento desacelerem para 4% em 2026, ante 4,2% em 2025, e subam para 4,1% em 2027, com alívio das tensões comerciais, estabilização de preços de commodities, melhora das condições financeiras e maior fluxo de investimentos.
Nos países de baixa renda, o Banco Mundial estima crescimento médio de 5,6% em 2026 e 2027, sustentado por demanda interna mais firme, recuperação das exportações e desaceleração da inflação. Ainda assim, a alta não deve ser suficiente para reduzir a distância em relação às economias avançadas. A renda per capita dos países em desenvolvimento deve crescer 3% em 2026, cerca de um ponto percentual abaixo da média de 2000 a 2019. Nesse ritmo, a renda per capita dessas economias alcançaria apenas 12% do nível observado em países avançados.
O cenário tende a ampliar o desafio de criação de empregos nos países em desenvolvimento, onde 1,2 bilhão de jovens deve chegar à idade de trabalhar na próxima década.
O Banco Mundial afirma que enfrentar esse desafio exige uma agenda abrangente baseada em três pilares: reforço do capital físico, digital e humano para elevar produtividade e empregabilidade; melhora do ambiente de negócios, com maior credibilidade de políticas e segurança regulatória; e mobilização de capital privado em escala para sustentar investimentos.
O relatório também aponta que economias em desenvolvimento precisam fortalecer a sustentabilidade fiscal, enfraquecida por choques sucessivos, aumento de necessidades de desenvolvimento e custos mais altos para rolagem da dívida. Um capítulo especial analisa o uso de regras fiscais para administrar as contas públicas.
“Com a dívida pública em economias emergentes e em desenvolvimento no nível mais alto em mais de meio século, recuperar a credibilidade fiscal se tornou uma prioridade urgente”, disse M. Ayhan Kose, economista-chefe adjunto e diretor do grupo de projeções do Banco Mundial. Ele afirmou que regras fiscais bem desenhadas podem ajudar a estabilizar a dívida, recompor margens de manobra e aumentar a resiliência a choques, mas ressaltou que credibilidade, fiscalização e compromisso político são determinantes para o sucesso.