RIAD, 2 de março de 2026 (WAM) — O Conselho Ministerial do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) realizou neste domingo (02/03) sua 50ª reunião extraordinária por videoconferência. O encontro foi presidido por Abdullatif bin Rashid Al Zayani, ministro das Relações Exteriores do Bahrein e atual presidente do Conselho Ministerial do CCG, com a participação de Khalifa Shaheen Almarar, ministro de Estado do Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos; do príncipe Faisal bin Farhan Al Saud, ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita; de Badr bin Hamad bin Hamood Albusaidi, ministro das Relações Exteriores de Omã; do xeique Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Qatar; do xeique Jarrah Jaber Al Ahmad Al Sabah, ministro das Relações Exteriores do Kuwait; e de Jasem Mohamed Albudaiwi, secretário-geral do CCG.
A reunião foi convocada para discutir os ataques iranianos com mísseis e drones contra Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Arábia Saudita, Omã, Qatar e Kuwait, iniciados no sábado (28/02).
O Conselho Ministerial avaliou os danos extensos provocados pelos ataques iranianos contra esses países, que atingiram instalações civis, estruturas de serviços e áreas residenciais, causando prejuízos materiais significativos, ameaçando a vida e a segurança de cidadãos e residentes e disseminando temor entre a população.
Os ministros também discutiram medidas e passos necessários para coordenar esforços com o objetivo de restaurar a segurança, a estabilidade e a paz na região.
O Conselho expressou rejeição e condenação nos termos mais veementes aos ataques iranianos contra os países do CCG e também contra a Jordânia, afirmando que tais ações constituem violação grave da soberania desses Estados, dos princípios de boa vizinhança e do direito internacional, bem como da Carta das Nações Unidas, independentemente de quaisquer justificativas. Destacou ainda que o ataque a civis e a alvos civis configura violação grave do direito internacional humanitário.
O grupo manifestou plena solidariedade entre os países do CCG e reafirmou sua posição unificada diante dos ataques, ressaltando que a segurança dos Estados-membros é indivisível e que qualquer agressão contra um deles representa agressão contra todos, conforme a Carta do CCG e o Acordo de Defesa Conjunta.
Os ministros afirmaram que os países do CCG reservam-se o direito legal de responder, com base no artigo 51 da Carta das Nações Unidas, que garante o direito de legítima defesa, individual e coletiva, em caso de agressão, e de adotar todas as medidas necessárias para proteger sua soberania, segurança e estabilidade.
O Conselho elogiou a eficiência e o elevado nível de prontidão das Forças Armadas e dos sistemas de defesa aérea dos Estados-membros, que interceptaram com sucesso ataques com mísseis e drones com alto grau de profissionalismo, contribuindo para neutralizar a ameaça, mitigar seus efeitos e proteger vidas, instalações e ativos estratégicos.
O grupo afirmou que, diante dessa agressão iraniana injustificada contra os países do Conselho de Cooperação do Golfo, os Estados adotarão todas as medidas necessárias para defender sua segurança e estabilidade e proteger seus territórios, cidadãos e residentes, incluindo a possibilidade de responder à agressão.
Apesar dos inúmeros esforços diplomáticos empreendidos pelos países do bloco para evitar a escalada e de terem reafirmado que seus territórios não seriam utilizados para lançar ataques contra o Irã, o país continuou a realizar operações militares contra Estados do CCG, atingindo diversas instalações civis e áreas residenciais.
O Conselho Ministerial ressaltou a necessidade de cessação imediata desses ataques para restaurar a segurança, a paz e a estabilidade na região. Destacou ainda a importância vital de manter a segurança aérea e marítima, proteger as rotas marítimas regionais, assegurar a integridade das cadeias de suprimentos e garantir a estabilidade dos mercados globais de energia. O Conselho afirmou que a estabilidade da região do Golfo não é apenas uma questão regional, mas um pilar fundamental da estabilidade econômica global e da navegação marítima.
Os ministros pediram à comunidade internacional que condene com firmeza essas agressões e instaram o Conselho de Segurança das Nações Unidas a cumprir suas responsabilidades, adotando posição imediata e decisiva para impedir tais violações, que colocam vidas civis em risco, e para evitar sua repetição, diante de suas graves repercussões para a paz regional e internacional.
Os ministros expressaram agradecimento e apreço aos países irmãos e amigos que condenaram as agressões iranianas, manifestando solidariedade ao CCG e apoio às medidas adotadas pelos Estados-membros para proteger sua soberania, segurança e estabilidade.
A entidade observou que os países do CCG sempre defenderam o diálogo, a negociação e a solução de todas as questões com o Irã, elogiando o papel desempenhado por Omã nesse contexto. Reafirmou ainda a importância do diálogo e da diplomacia nas relações internacionais como único caminho para superar a atual crise e preservar a segurança regional e a proteção de seus povos.
O Conselho advertiu que qualquer escalada comprometerá a segurança regional e poderá conduzir a região a cenários perigosos, com consequências catastróficas para a paz e a segurança internacionais. Concluiu manifestando suas mais profundas condolências e sinceros sentimentos às famílias das vítimas e desejou pronta recuperação aos feridos.