Emirados Árabes Unidos participam de reunião virtual sobre o Estreito de Ormuz

LONDRES, 3 de abril de 2026 (WAM) — A ministra de Estado para Cooperação Internacional dos Emirados Árabes Unidos, Reem bint Ebrahim Al Hashimy, participou de uma reunião virtual de ministros das Relações Exteriores sobre o Estreito de Ormuz, organizada pela secretária de Relações Exteriores, Commonwealth e Desenvolvimento do Reino Unido, Yvette Cooper.

Al Hashimy destacou a gravidade da situação regional e afirmou que, desde 28 de fevereiro, o país tem sido alvo de ataques iranianos classificados como terroristas e não provocados, com mais de 2.500 mísseis balísticos e de cruzeiro, além de drones. Segundo ela, a maioria dos ataques teve como alvo infraestruturas civis, apesar de os Emirados Árabes Unidos não participarem do conflito e terem adotado esforços para evitar a escalada.

A ministra afirmou que os ataques iranianos não provocados contra embarcações comerciais no Golfo e no Estreito de Ormuz configuram guerra econômica e pirataria, além de representarem violação flagrante da soberania e da integridade territorial dos países. Segundo ela, essas ações geram riscos econômicos, humanitários e ambientais graves para rotas estratégicas.

Al Hashimy destacou que qualquer tentativa de bloquear ou restringir a navegação, ou de usar o estreito como instrumento de coerção econômica, é inaceitável, carece de base legal e representa ameaça direta à liberdade de navegação, à segurança marítima, à economia global e à segurança energética.

A autoridade dos Emirados alertou que a obstrução da navegação já reduziu o tráfego de navios e representa risco significativo para os mercados globais de energia, o transporte marítimo e as cadeias de suprimento. Ressaltou que o Estreito de Ormuz é uma das principais rotas estratégicas do mundo, por onde transitam bens essenciais.

Segundo a ministra, a região do Golfo responde por cerca de 25% da produção mundial de gás natural, 20% do petróleo global e 70% da demanda mundial por petroquímicos, além de exportar 33% dos fertilizantes globais. Qualquer ameaça ao estreito, afirmou, compromete diretamente a segurança alimentar mundial, em um momento de crescente risco de escassez.

Al Hashimy salientou que os impactos das interrupções na navegação não se limitam a países em desenvolvimento e vulneráveis, já que economias avançadas também dependem de insumos transportados pela rota.

A ministra reafirmou o apoio dos Emirados Árabes Unidos aos esforços internacionais para proteger a liberdade de navegação, incluindo a Resolução 2817 do Conselho de Segurança da ONU e a decisão do Conselho da Organização Marítima Internacional. Ela também saudou a proposta de resolução apresentada pelo Bahrein ao Conselho de Segurança e reiterou o apoio à iniciativa.

Segundo Al Hashimy, o Estreito de Ormuz é uma via internacional e não pode ser submetido a restrições unilaterais impostas por qualquer país.

A ministra reiterou a exigência de que o Irã cesse imediatamente os ataques e ameaças classificados como terroristas e cumpra suas obrigações no direito internacional, respeitando a liberdade de navegação e garantindo a segurança das embarcações comerciais. Ela defendeu ainda a necessidade de uma resposta abrangente que trate de todas as ameaças associadas ao Irã, incluindo capacidades nucleares, mísseis, drones, grupos armados aliados e bloqueios de rotas marítimas internacionais.