ABU DHABI, 16 de abril de 2026 (WAM) — Os Emirados Árabes Unidos foram eleitos para o Conselho Executivo do Programa Mundial de Alimentos (PMA) para o mandato de 2026 a 2028, em um momento de agravamento dos desafios globais de segurança alimentar e de riscos crescentes associados a interrupções no tráfego pelo Estreito de Ormuz, cenário que pode levar dezenas de milhões de pessoas à fome aguda.
A eleição reforça o papel dos Emirados no sistema humanitário global.
Dubai abriga o maior centro logístico humanitário das Nações Unidas, localizado próximo ao porto de Jebel Ali e integrado a redes globais de apoio à cadeia de suprimentos, o que permite redirecionar rapidamente ajuda humanitária em caso de interrupções nas rotas marítimas.
Os Emirados também ativaram corredores terrestres alternativos e lançaram uma ponte aérea internacional que entregou suprimentos essenciais a mais de 100 países durante a pandemia de COVID-19.
Paralelamente, o Depósito de Resposta Humanitária das Nações Unidas em Dubai continua a acionar rotas alternativas por terra, mar e ar para garantir que ajuda vital chegue a populações afetadas na Ásia e na África, apesar de atrasos que têm dificultado a entrega de dezenas de milhares de toneladas de assistência.
A entrada dos Emirados no Conselho Executivo do PMA marca a transição de um grande doador para um parceiro estratégico, refletindo a visão do país de um mundo livre da fome. A medida também reforça o compromisso de integrar resposta humanitária e desenvolvimento sustentável, além de fortalecer sistemas alimentares mais resilientes.
O embaixador Mohamed Abushahab, representante permanente dos Emirados junto à ONU, afirmou que a participação no conselho amplia o papel do país na definição das diretrizes estratégicas do PMA. "Colocaremos a inovação, a eficiência logística e os sistemas alimentares resilientes no centro da resposta internacional, hoje e no futuro”, disse.
A eleição ocorre em um momento crítico, com forte redução no tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz desde 28 de fevereiro de 2026, em meio à escalada de ataques a países da região e ao aumento das ameaças à segurança marítima nessa rota estratégica.
O Estreito de Ormuz é um dos principais pontos de estrangulamento marítimo do mundo, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito globais, além de um terço do comércio mundial de fertilizantes. A região do Golfo responde por 25% do gás natural global, 20% do petróleo e cerca de 70% das matérias-primas petroquímicas. Além disso, 33% dos fertilizantes globais são exportados a partir de países do Golfo, o que torna qualquer interrupção no estreito uma ameaça direta à segurança alimentar mundial.
A Organização das Nações Unidas alertou que a continuidade dessas interrupções pode levar mais 45 milhões de pessoas à fome aguda, enquanto outros 4 milhões no mundo árabe correm o risco de cair na pobreza.
Os Emirados reafirmaram o compromisso de atuar em fóruns multilaterais relevantes e manifestaram disposição para apoiar esforços internacionais voltados à reabertura e à proteção do Estreito de Ormuz. O país destacou que a garantia da liberdade de navegação é uma responsabilidade coletiva essencial para assegurar a estabilidade econômica global, evitar a escalada de crises e garantir que alimentos cheguem a quem precisa.
O país também ressaltou que o uso de rotas marítimas como instrumento de pressão ou coerção econômica configura guerra econômica e pirataria, prática considerada inaceitável por ameaçar cadeias globais de suprimentos e a estabilidade econômica muito além da região.
Como membro do Conselho Executivo do PMA, os Emirados continuarão atuando para garantir a entrega de assistência alimentar às populações mais vulneráveis, independentemente dos desafios nas cadeias globais de suprimentos ou das ameaças à segurança alimentar.
Em outro desenvolvimento, os Emirados foram reeleitos, em 8 de abril de 2026, para o Conselho Executivo da ONU Mulheres para o mandato de 2026 a 2028, pela segunda vez consecutiva, reforçando o compromisso com a igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas em todo o mundo. O país também foi eleito, ao lado de Arábia Saudita, Índia e China, para o Comitê de Organizações Não Governamentais para o mandato de 2027 a 2030.