Emirados Árabes Unidos destacam importância da liberdade de navegação e da facilitação das cadeias de abastecimento para garantir insumos agrícolas e a estabilidade da segurança alimentar regional e global

DUBAI, 21 de abril de 2026 (WAM) — Os Emirados Árabes Unidos reafirmaram que a segurança alimentar é um pilar soberano e elemento fundamental da segurança nacional, defendendo a adoção de estratégias proativas e adaptáveis para reforçar a resiliência das cadeias de suprimento e proteger os sistemas alimentares regionais e globais diante de um cenário geopolítico e climático volátil.

O país preside a 38ª sessão da Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês) para o Oriente Próximo e Norte da África, realizada em Roma, com a participação de ministros e autoridades da região.

Em seu discurso de abertura como presidente da atual sessão, a ministra da Mudança Climática e Meio Ambiente, Amna bint Abdullah Al Dahak, afirmou que a presidência dos Emirados Árabes Unidos ocorre em um momento crítico, que exige que a região vá além da gestão de crises e assuma um papel ativo na promoção de uma transformação significativa e duradoura.

Com base na experiência dos Emirados, a ministra destacou que a escassez de água e a limitação de terras aráveis foram convertidas em motores de inovação e avanço tecnológico, e defendeu a mobilização de financiamento climático com foco na equidade, especialmente para proteger populações rurais mais afetadas pelas mudanças ambientais.

Amna Al Dahak ressaltou que os resultados da Declaração dos Emirados na COP28 sobre agricultura sustentável, sistemas alimentares resilientes e ação climática vão além de compromissos políticos, servindo como base para iniciativas regionais voltadas ao fortalecimento da segurança alimentar.

Segundo a ministra, soluções baseadas na natureza podem gerar retornos econômicos significativos, tornando a preservação de ecossistemas um investimento estratégico e uma necessidade para o desenvolvimento. Ela também alertou para a degradação das terras, que ameaça os meios de subsistência de mais de 410 milhões de pessoas na região, afirmando que a falta de investimentos hoje na segurança alimentar pode gerar custos muito mais elevados no futuro.

Ao se dirigir à comunidade internacional, Amna bint Abdullah Al Dahak destacou a desigualdade nos impactos climáticos, apontando dados que mostram que mulheres e comunidades rurais pobres absorvem perdas de renda decorrentes de choques climáticos muito superiores às enfrentadas por populações mais ricas. A ministra defendeu uma reforma decisiva dos mecanismos de financiamento para incorporar equidade e inclusão como elementos centrais.

A reunião ministerial, realizada sob o tema “Inovar para a transformação dos sistemas agroalimentares”, analisou uma agenda intensiva de trabalho voltada a respostas urgentes a choques sistêmicos decorrentes de conflitos e das mudanças climáticas.

A conferência incluiu uma mesa-redonda de alto nível sobre a aceleração de soluções circulares nas cadeias de valor agrícolas e discutiu formas de reduzir o déficit de financiamento climático na região, em apoio a caminhos de desenvolvimento rural sustentável.

A FAO apresentou avaliação recente sobre o impacto do conflito no Oriente Médio nos sistemas alimentares. As discussões alertaram para os efeitos severos das tensões geopolíticas sobre cadeias de suprimento e sobre o comércio de fertilizantes e energia.

A avaliação indicou que interrupções na navegação em corredores marítimos estratégicos, especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 30% do comércio global de fertilizantes, resultam diretamente no aumento dos custos de insumos agrícolas.

Relatórios apontaram que esses desequilíbrios, refletidos na elevação dos preços de fertilizantes e combustíveis, ameaçam reduzir a produtividade agrícola e contrair a oferta global de grãos, afetando de forma significativa países dependentes de importações.

O subsecretário do Ministério da Mudança Climática e Meio Ambiente, Mohammed Saeed Al Nuaimi, disse que a visão estratégica da liderança dos Emirados Árabes Unidos tornou a atuação proativa um pilar central na gestão da segurança alimentar nacional. Segundo ele, essa abordagem confere ao sistema nacional flexibilidade operacional e capacidade de antecipação para enfrentar desafios emergentes e pressões recentes, incluindo aquelas que afetaram rotas marítimas estratégicas.

“A abordagem estratégica e equilibrada dos Emirados tem se mostrado altamente eficaz para manter o fluxo de mercadorias e estabilizar o mercado interno", destacou.

Al Nuaimi afirmou também que o desempenho se apoia em uma infraestrutura logística de classe mundial e em uma ampla rede de parcerias internacionais, que permitem diversificar as fontes de importação e fortalecer a resiliência das cadeias de suprimento.

"Ao mesmo tempo, proteger a liberdade de navegação e garantir o funcionamento contínuo das cadeias globais não são apenas objetivos de política, mas condições essenciais para assegurar o acesso a insumos agrícolas e preservar a segurança alimentar na região e no mundo. Isso é ainda mais crucial em um momento em que os mercados de fertilizantes e energia permanecem altamente vulneráveis a tensões geopolíticas.”

Al Nuaimi destacou o compromisso dos Emirados em transformar políticas em ações concretas, ressaltando que o país conduz uma transformação institucional abrangente para fortalecer o setor agrícola e garantir a segurança das cadeias de suprimento.

Durante as mesas-redondas ministeriais realizadas à margem da conferência, ele enfatizou a importância de ampliar o financiamento ao desenvolvimento e à inovação como instrumento para apoiar economias regionais e sistemas alimentares.

O subsecretário destacou a atuação dos Emirados por meio do Fundo de Abu Dhabi para o Desenvolvimento, com investimentos em infraestrutura hídrica e recuperação de terras na região e em outros países, além do compromisso do Emirates Development Bank de destinar 100 milhões de dirhams (US$ 27,2 milhões) a projetos de tecnologia agrícola no país.

Em outra iniciativa, Al Nuaimi ressaltou esforços para garantir demanda de mercado para produtos locais, com o objetivo de assegurar retorno econômico aos agricultores. Ele também defendeu que a FAO adote uma abordagem proativa para proteger países dependentes de importações, com a criação de sistemas de alerta precoce para monitorar mercados de alimentos, energia e fertilizantes, nos moldes da iniciativa “Observatory”. Segundo ele, a medida fortaleceria a capacidade dos países da região de antecipar e mitigar choques antes que se concretizem.

A delegação dos Emirados Árabes Unidos destacou a importância da juventude na liderança de transformações no setor agrícola regional e global. A pesquisadora de desenvolvimento agrícola do Ministério da Mudança Climática e Meio Ambiente, Laila Ahmed Al Dhaheri, afirmou que capacitar jovens e investir em inovação tecnológica no setor agrícola representam o caminho mais eficaz para liberar o potencial produtivo de terras áridas em escala global. Ela defendeu uma redefinição do papel da juventude, de beneficiária para participante ativa nos processos de decisão, e ressaltou o financiamento de startups como fator-chave para viabilizar soluções agrícolas adaptadas ao clima por meio de jovens empreendedores.

A reunião ministerial foi concluída com amplo consenso regional para a elaboração de um roteiro abrangente sob a presidência dos Emirados Árabes Unidos, com o objetivo de alinhar políticas nacionais e aprofundar a integração regional para proteger corredores estratégicos de comércio e logística.

Por meio da declaração ministerial, os participantes se comprometeram a acelerar a adoção de inovações baseadas na bioeconomia circular, ampliar investimentos em soluções agrícolas adaptadas ao clima e fortalecer programas de restauração de ecossistemas para enfrentar desafios interligados como escassez de água e mudanças climáticas.

A conferência afirmou que esta sessão representa um ponto de inflexão para a região, ao deslocar a ação coletiva da identificação de problemas para a implementação coordenada de soluções. Com foco na mobilização de financiamento e na ampliação da troca de conhecimento e de tecnologias agrícolas modernas, o encontro estabeleceu bases para a construção de sistemas alimentares resilientes e inclusivos, capazes de resistir a pressões geopolíticas e garantir a segurança alimentar das futuras gerações.