Edição 2026 do Make it in the Emirates: Emirados Árabes Unidos afirmam que saída da Opep é decisão soberana

ABU DHABI, 4 de maio de 2026 (WAM) — A edição 2026 do Make it in the Emirates começou nesta segunda-feira (04/05) com uma mensagem clara de ministros e líderes empresariais dos Emirados Árabes Unidos: o investimento de longo prazo do país em soberania industrial está gerando resultados concretos, com avanços mensuráveis em resiliência econômica e segurança nacional em um cenário de instabilidade global sem precedentes.

O primeiro dia, com o tema “Soberania industrial em um mundo estrategicamente conectado”, contou com a participação do ministro da Energia e Infraestrutura, Suhail Mohamed Al Mazrouei, que comentou a recente saída dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da Opep+, afirmando que a decisão não compromete a responsabilidade global do país.

“O país sempre atuou como um produtor responsável. Como produtor independente, buscamos apoiar o crescimento e contribuir para a estabilidade global entre oferta e demanda”, disse.

Al Mazrouei acrescentou que os Emirados Árabes Unidos continuarão a cooperar com antigos membros do bloco, mas em novos termos. “Continuaremos trabalhando com diversos países, incluindo membros da Opep e da Opep+, mas por meio de cooperação bilateral, e não dentro de uma estrutura formal de grupo.”

O debate avançou para o setor de defesa, quando o assessor presidencial e presidente do grupo EDGE, Faisal Al Bannai, afirmou que tecnologias desenvolvidas no país foram decisivas para conter ataques recentes.

“Oitenta e cinco por cento desses drones foram neutralizados com bloqueadores desenvolvidos e produzidos nos Emirados Árabes Unidos”, disse, ao se referir a ataques relacionados ao conflito com o Irã. Ele acrescentou que, desde a criação da EDGE há seis anos e meio, os pedidos internacionais por produtos de defesa do país passaram de 2% para 70% da produção total — número que deve crescer significativamente, com expectativa de que as capacidades de defesa se multipliquem por 100.

Emirados Árabes Unidos desafiam expectativas e superam US$ 1 trilhão em comércio não petrolífero

O desempenho também se estendeu ao comércio exterior. O ministro do Comércio Exterior, Thani Al Zeyoudi, afirmou que o comércio não petrolífero ultrapassou US$ 1 trilhão em 2025, com crescimento de 27% em relação ao ano anterior, e destacou que o país está conectado a mais de 250 portos em todo o mundo.

“Muitos esperavam uma queda nos números. Em vez disso, encerramos o primeiro trimestre com crescimento ainda maior do que no ano passado. Esse é um sinal muito positivo de que seguiremos avançando independentemente dos desafios externos”, disse.

Em uma conversa sobre resiliência empresarial, o ministro dos Esportes e presidente do Emirates Growth Fund, Ahmad Belhoul Al Falasi, afirmou que a capacidade do país de enfrentar crises se tornou um diferencial competitivo.

“A capacidade dos Emirados Árabes Unidos de lidar com qualquer tipo de choque — seja desastre nacional, guerra ou pandemia global — é, de certa forma, uma vantagem. Ao sair dessas situações, as perspectivas são ainda mais promissoras. Se eu fosse um investidor na região, não escolheria outro lugar”, disse.

Uma sessão dedicada às empresas familiares — responsáveis por cerca de 60% do PIB nacional e 80% do emprego no setor privado — discutiu como essas companhias estão se adaptando à volatilidade. Dois dos principais líderes empresariais do país compartilharam suas visões.

O fundador e diretor-geral da Emaar Properties, Mohamed Al Abbar, atribuiu a resiliência à liderança nacional. “Nosso país demonstrou firmeza e capacidade de adaptação sob a liderança que temos. Foi assim que conseguimos não apenas enfrentar a crise, mas superá-la.”

O presidente do grupo Abdulla Al Ghurair, Abdulaziz Al Ghurair, destacou a importância da disciplina em momentos de crise. “Em uma crise, é fácil perder o controle — e esse é o maior erro. Mas crises também criam oportunidades. Meu conselho é simples: não venda, tenha paciência e resista.”

Encerrando a programação do palco principal, o enviado especial para negócios e filantropia, Badr Jafar, afirmou que a verdadeira soberania está nos elementos essenciais do dia a dia.

“O remédio no hospital. A proteína no prato do seu filho. O chip na sua fábrica. Disseram que nosso solo não poderia nos alimentar — e cultivamos no deserto. Disseram que o petróleo seria nosso limite — e o transformamos em ponto de partida. Agora ouvimos novamente que as cadeias de suprimento são frágeis e que o comércio foi instrumentalizado. Já ouvimos isso antes — e sabemos como responder.”

O dia terminou com participação do senador egípcio Ahmed Abou Hashima, presidente do Comitê de Assuntos Financeiros, Econômicos e de Investimento, que destacou o papel crescente dos Emirados Árabes Unidos como polo produtivo regional.

“O financiamento vem dos Emirados Árabes Unidos. Produzimos aqui, no que já é, na prática, a capital mundial da inteligência artificial”, disse, ao mencionar planos para fabricar 103 produtos distintos no país com tecnologia da Indústria 4.0.

O Make it in the Emirates 2026 é organizado pelo Ministério da Indústria e Tecnologia Avançada, em parceria com o Ministério da Cultura, o Abu Dhabi Investment Office, o grupo ADNOC e a L’IMAD, com organização do ADNEC Group.