Emirados Árabes Unidos têm papel central na evolução global do setor de energia, diz diretor da Middle East Energy

Emirados Árabes Unidos têm papel central na evolução global do setor de energia, diz diretor da Middle East Energy

DUBAI, 3 de setembro de 2026 (WAM) — O rápido crescimento da inteligência artificial e dos centros de dados está mudando a demanda por energia e levando o setor a dar mais atenção a fontes capazes de ajustar rapidamente a geração, ao armazenamento de energia, ao fornecimento elétrico para sistemas essenciais e à gestão inteligente da rede, à medida que as economias se tornam cada vez mais dependentes da eletricidade, afirmou Mark Ring, diretor do grupo Middle East Energy.

Em entrevista à Agência de Notícias dos Emirados (WAM), durante a 50ª edição da feira, Ring disse que os Emirados Árabes Unidos desempenharam papel importante na evolução global do setor e continuam contribuindo para definir seus rumos. Ele também elogiou a parceria entre a Middle East Energy e o Ministério da Energia e Infraestrutura e sua contribuição para o avanço da agenda energética.

O diretor observou que receber mais de 30 mil profissionais do setor de energia ao longo de três dias exige infraestrutura capaz de atender a um público internacional. Segundo Ring, Dubai oferece essas condições por ser um centro global de conexões aéreas entre Oriente e Ocidente e por contar com ampla estrutura de hotelaria e serviços para reuniões, congressos, conferências e exposições.

A Middle East Energy se tornou uma plataforma global que reúne líderes do setor, formuladores de políticas públicas, tomadores de decisão e investidores, afirmou Ring. Para ele, o evento ajuda a transformar ideias, parcerias e oportunidades discutidas durante os encontros em iniciativas concretas.

Ring anunciou ainda que, em 2027, a feira será transferida para o Dubai Exhibition Centre, na Expo City Dubai. A expectativa, segundo ele, é ampliar o impacto do evento à medida que o setor de energia evolui, apoiado pelo foco dos Emirados Árabes Unidos em inovação, sustentabilidade e segurança energética.

A atual edição, avaliou o diretor, mostra uma mudança clara nas prioridades do setor, com maior atenção às tecnologias necessárias para criar um sistema elétrico mais resiliente e adaptável. Entre elas estão as fontes renováveis, o armazenamento de energia, a transmissão de eletricidade, sistemas confiáveis de energia de emergência, distribuição eficiente e gestão inteligente da rede.

Os produtos ligados à energia renovável e à eficiência energética despertaram forte interesse nesta edição, explicou Ring, assim como equipamentos de controle e proteção da rede elétrica, transformadores e sistemas de transmissão destinados a atender ao aumento da demanda.

Ring citou ainda o Prêmio de Inovação concedido à PVFarm por seu software de análise e planejamento para projetos que combinam energia solar e armazenamento antes da fase de construção. Na avaliação dele, soluções desse tipo mostram a importância crescente do planejamento de longo prazo nas decisões sobre projetos de energia.

A inteligência artificial e os centros de dados também surgiram como novas fontes importantes de demanda por eletricidade. Ring citou projeções da Rystad, parceira de inteligência da Middle East Energy, segundo as quais o consumo de eletricidade no Oriente Médio e no norte da África deverá passar de 1.671 terawatts-hora em 2025 para 3.670 terawatts-hora em 2050. Centros de dados, hidrogênio, indústria e transportes devem acelerar esse crescimento.

Essa mudança ficou evidente na feira com a criação da área dedicada Powering AI e com a presença crescente de soluções de geração flexível, armazenamento de energia, fornecimento para sistemas essenciais e gestão inteligente da rede, acrescentou Ring. As empresas, afirmou, já não estão concentradas apenas em produzir mais eletricidade, mas também em garantir fornecimento confiável e eficiente para uma economia cada vez mais eletrificada.

Uma das principais mensagens desta edição é que a transição energética da região está passando da ambição para a execução, segundo Ring. Como exemplo, ele citou a mesa-redonda Global Energy & Efficiency, realizada sob o patrocínio do Ministério da Energia e Infraestrutura, que reuniu 30 empresas globais e prevê a assinatura de um memorando de entendimento sobre mecanismos para acelerar a implementação de projetos.

Para o diretor, a iniciativa mostra a passagem das discussões para ações concretas, ao mesmo tempo em que novas tecnologias e modelos apresentados na feira buscam gerar mais valor a partir da produção de energia.

Nesse contexto, Ring destacou uma solução apresentada por um dos expositores que combina energia solar e armazenamento e utiliza o excedente de eletricidade para mineração de criptomoedas. Tecnologias desse tipo, afirmou, dão indicações sobre possíveis tendências futuras da economia da energia.

O armazenamento de energia, a modernização das redes elétricas e a digitalização estão entre as principais tendências do setor, acrescentou Ring.

Os planos dos Emirados Árabes Unidos para desenvolver grandes projetos solares associados a sistemas de armazenamento em baterias oferecem, de acordo com Ring, um modelo para ampliar o uso de fontes renováveis ao mesmo tempo em que se desenvolve a infraestrutura necessária para lidar com as oscilações na geração e manter a estabilidade da rede elétrica.