DUBAI, 17 de setembro de 2026 (WAM) — Governos, organizações e indivíduos precisam se preparar para o rápido avanço da inteligência artificial (IA), à medida que a tecnologia passa a influenciar cada vez mais a informação, a mídia e a vida cotidiana, afirmou Abdulla bin Mohammed bin Butti Al Hamed, presidente da Autoridade Nacional de Mídia, durante a Cúpula Árabe de Mídia 2026.
Durante a sessão “O próximo capítulo da mídia árabe”, Al Hamed afirmou que as sociedades precisam ampliar a conscientização sobre a inteligência artificial, sobretudo porque conteúdos cada vez mais sofisticados tornam mais difícil distinguir informações verdadeiras de falsas.
Segundo ele, essa preparação deve ir além de governos e empresas e alcançar também comunidades, escolas e crianças. “O mundo está mudando, e é nossa responsabilidade acompanhar essa mudança”, declarou Al Hamed.
A autoridade alertou que a inteligência artificial também pode representar riscos à segurança nacional se governos e sociedades não estiverem suficientemente preparados para compreender e responder à tecnologia e à desinformação que ela pode possibilitar.
Ao se referir à desinformação que circulou durante recentes acontecimentos na região, Al Hamed disse que vídeos e relatos falsos tentaram provocar medo ao sugerir, de forma enganosa, que incidentes haviam ocorrido nos Emirados Árabes Unidos.
De acordo com Al Hamed, a confiança e a conscientização do público tiveram papel importante no combate a esse tipo de conteúdo, com cidadãos e residentes usando as redes sociais para contestar informações falsas e publicar imagens que mostravam o que de fato estava acontecendo.
O presidente da Autoridade Nacional de Mídia afirmou que as pessoas também têm a responsabilidade de verificar as informações antes de acreditar nelas ou compartilhá-las, sobretudo à medida que as ferramentas de IA se tornam mais capazes de produzir imagens, vídeos e textos convincentes.
Al Hamed acrescentou que ele próprio usa ferramentas de IA para rastrear a origem de imagens e informações e avaliar a credibilidade de suas fontes. Segundo ele, evitar a inteligência artificial deixou de ser uma opção realista, ao comparar seu desenvolvimento às preocupações que surgiram no passado em torno de tecnologias como as calculadoras, que acabaram se tornando parte comum da vida cotidiana.
“A questão é: ela será perigosa enquanto estou preparado para lidar com ela ou será perigosa enquanto não sei nada sobre ela?”, questionou.
Al Hamed disse ainda que as pessoas devem adquirir conhecimento suficiente sobre inteligência artificial para compreender tanto seu potencial quanto seus riscos, em vez de rejeitar a tecnologia por receio de como ela poderá evoluir. Lembrou também que atualmente utiliza mais de 120 agentes de IA para auxiliá-lo em tarefas que vão de emails e calendários a lembretes, próximos compromissos e organização pessoal.
“A vida vai mudar. A maneira como lidamos uns com os outros vai mudar”, afirmou Al Hamed.
Ao abordar as preocupações de que a inteligência artificial possa substituir postos de trabalho, ele disse que setores como produção cinematográfica, jornalismo, mídia e direito serão afetados, com a IA assumindo cada vez mais determinadas tarefas e dando aos profissionais mais tempo para se dedicar a outras áreas de seu trabalho. Ele ressaltou, no entanto, que a contribuição humana continuará sendo essencial.
“Por mais que a inteligência artificial evolua, o toque humano permanecerá”, afirmou .
Al Hamed incentivou organizações e profissionais a adotar a inteligência artificial de forma responsável, como ferramenta para melhorar o desempenho, gerar ideias e trabalhar com mais eficiência. “A IA nos ajuda em nosso trabalho. Economiza tempo, ajuda a melhorar nosso desempenho e pode abrir caminho para ideias que talvez não tivéssemos considerado sozinhos”, concluiu.